Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de fevereiro de 2021

Quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Hoje falamos sobre a peregrina ideia de adiar as eleições autárquicas. Apresentados os argumentos, voto contra. Com uma declaração de voto. Também explico o que são os spy pixels e como, não os usando, uso a técnica para saber que o diário tem uma taxa de abertura fantástica.

Inicio uma nova série de sete imagens com uma fotografia espetacular do meu amigo Rui, que não tem a mínima pretensão a ser fotógrafo, pouco sabe de fotografia e usa a câmara do seu telemóvel. Tem um olhar surpreendente e um gosto estético que me cai bem. Conheço-o há quase meio século, fomos colegas de liceu. A fotografia é nele um hobby recente.

Adiar as eleições autárquicas: sim ou não? A minha opinião em três letras: n ã o. Explicações.

O assunto ganhou tração no espaço público quando no dia 12 o presidente do PSD, Rui Rio, apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que estabelece o prazo das eleições entre 22 de novembro a 14 de dezembro. Na prática, as autárquicas seriam adiadas por dois meses.

Argumentos pelo sim:

Argumentos pelo não:

O argumento da abstenção é uma mistificação. O que pensarias de um médico que sugerisse tratar um cancro com aspirinas? Que estava a esconder a incapacidade da medicina atrás de paliativos.

O resto é uma alucinação entusiasmada. Peço emprestados os argumentos do deputado António Filipe (PCP), que considera a discussão “prematura” e destaca que “ninguém está em condições de prever a diferença entre outubro e dezembro”.

Embora não se fale ainda nisso por todas as boas razões (lagarto, lagarto, lagarto!, bate na madeira!, etc), é provável que em outubro tenha caído ou esteja em vias de cair a designação de “epidemia” e a Covid-19 entre noutro patamar, com um impacto social e económico muito menor. Não é apenas uma possibilidade: a probabilidade é considerável, a avaliar pelo histórico de outras pandemias. E isto não é pretender ser otimista: é levar o assunto a sério e tirar-lhe o dramatismo.

Enfatizado o meu n ã o, aproveito para te dizer que subscrevo as ações que o PAN deverá levar ao Parlamento e que têm defesa noutras bancadas, incluindo no PSD (com o seu importante e experiente contigente autárquico): começar já e imediatamente a pesar e enquadrar modificações que melhorem o processo eleitoral como o voto por correspondência, o aumento das mesas de voto, aumento de locais de voto e alargamento do dia de votos para dois dias (e não apenas um).

Essa é a discussão a ter sobre as autárquicas. Não o seu adiamento.

L.G. enviou-me link para uma notícia de hoje da BBC que vou aproveitar para um esclarecimento. A notícia dá conta que Spy pixels in emails have become endemic. Deixa-me dizer-te já que se procurares por um pixel no corpo desta mensagem, não o descobrirás pela singela razão de que não está lá. Contudo, desde a edição de 26 de janeiro que uso a mesma técnica para ter uma visão analítica do impacto deste diário.

Sei agora dizer que, conforme o dia, entre 62% e 67% dos subscritores abriram o diário, o que é um taxa lisonjeira, obrigado amig@! Também sei agora que 37% abriram todas as edições dos últimos sete dias 😀 e 14% não abriram nenhuma 🤔. E posso saber em que grupo estás tu: se lês tudo, muito, pouco ou nada.

Estes dados coletivos são evidentemente anonimizados. A informação individual — que diários abriste na última semana — passará a ser incluída numa secção personalizada da newsletter, que conterá apenas os dados relativos ao respetivo endereço de email. É uma informação que só tu e eu é que sabemos. Será uma experiência inovadora dentro de outra que é esta espécie de newsletter experimentalista da informação um para um.

Dito isto, e antes da explicação da diferença entre o meu sistema e o pixel tradicional, resta acrescentar que ninguém, a não ser eu, tem nem terá alguma vez acesso a nenhuma informação, a começar pelos endereços de email que recebem o diário e a terminar nos dados de abertura. Este é o meu compromisso contigo. Esta newsletter diária não usa serviços comerciais também para que eu te possa dar esta garantia. Uma garantia que não tens de nenhum dos meios de comunicação cujas newsletters subscrevas nem das newsletters em geral.

Vamos aos detalhes técnicos.

A designação pixels espiões é um perfeito abuso na medida em que nos deixa sem palavras para classificar os sofisticados mecanismos de tracking usados na web, nos sites e apps dos órgãos de comunicação social, por redes de recolha de dados pessoais e perfilagem como o Nónio, e, claro, pelo Facebook e demais redes sociais, sem esquecer as empresas de comércio eletrónico da Amazon à Auchan passando pela FNAC e pronto, paro por aqui, estás a ver a picture.

O pixel em questão não tem nada a ver com os cookies e demais alternativas de tracking. É uma imagem com a dimensão de um único pixel, geralmente branco ou de uma cor presente no grafismo da mensagem. Esse pixel está alojado num servidor, tem uma localização, um endereço único, e como qualquer página ou objeto disponível na World Wide Web provoca um registo sempre que é requerido. Esse registo contém a hora do pedido, o endereço IP do sistema que o pediu e um cabeçalho que pode indicar, embora na maior parte das vezes não indique, que tipo de browser fez o pedido.

Dada a natureza e especificidade do email, a menos que o receptor responda, não há nenhuma forma de saber se uma mensagem foi ou não lida. A única informação que se pode obter de volta no protocolo usado para transportar as mensagens (SMTP) é se a mensagem for recusada pelo servidor do receptor, e mesmo essa é incerta. Cenário: o endereço de destino não existe ou o servidor responsável esteve nas couves durante o período de tempo protocolado para aguardar por mensagens.

Assim, restam duas formas de descobrir se determinada mensagem foi aberta: incluindo nela uma imagem albergada num servidor, ou um link para esse servidor. No segundo caso só se saberá se alguém clicar no link.

No caso do Certamente! não há pixel: a imagem de ‘capa’ cumpre a função. Cada imagem tem um endereço único para cada email. O objetivo é duplo:

Sejamos francos. O rastreamento da abertura do email é normal, legítimo e desejável. Há uma limpeza de imagem a fazer, porque o spam e outras técnicas comerciais sujas tiraram dignidade e lançaram suspeitas sobre o email.

Termino com um conselho. Se precisares de receber email de forma mesmo anónima e blindada contra tudo, incluindo agentes bem intencionados e cumpridores da legislação e da conduta leal, usa um endereço sem ligação a ti e descartável. O que não falta na web são serviços de email grátis. É mais fácil e económico usar um deles do que os plugins paranóicos. Podes até configurar as contas de forma a receberes na tua caixa de correio pessoal as mensagens enviadas para a caixa impessoal. (Se não sabes e precisas de o fazer, pergunta-me como.)