Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de julho de 2007

Campanha eleitoral: valem a pena, e porquê, acções no Twitter e Second Life, ou é só para telejornal ver?

No Bruno Amaral eu aprecio em particular a coragem. Ainda lhe falta ponderação — mas que diabo, há-de lá chegar e o tempo dele mede-se pela irreverência.

O texto sobre a análise da campanha eleitoral e, no fundo, as tricas entre empresas de comunicação vindas a público é um exemplo do que acabo de dizer.

Mas — Bruno — como diria o outro, a questão essencial não é essa. A questão essencial é esta: qual é realmente a vantagem de colocar um candidato político a “twittar”, fazer acções do Second Life ou ter um blogue?

Medem-se os impactos realmente no meio web 2.0, para os quais parecem ser dirigidos?

Ou muito cinicamente só contam os aspectos mediáticos (ler: a boa imprensa que tais coisas invariavelmente suscitam)?

A resposta parece-me mais difícil do que se afigura à primeira vista.

Por um lado, o número de eleitores (this is Portugal, don’t forget) que realmente usam o Twitter (usam? Basta: conhecem), o Second Life ou os blogues é ainda reduzido, para ser considerado em termos absolutos.

Por outro (e desculpem o estilo saraivista), os impactos do “moderno”, da “inovação”, do “high tech” e do “atento à linha da frente” são inequívocos em termos dos media tradicionais, pelo que no mínimo significam um notícia positiva e no máximo uma reportagem alargada (ler: ocupação de espaço).

Não tenho elementos para concluir ser verdadeira ou falsa outra ideia, que é a de que os consumidores web 2.0 são poucos mas são elementos-chave pelo lugar que ocupam (redacções, empresas, etc). Intuo que é wishful thinking mas, eh lá, acabo de dizer que me faltam elementos.

Eu discordo veementemente do Luis Carvalho, que acha que ao contrário dos jornalistas, que segundo ele já estão a revolucionar os métodos de trabalho (eu diria que uma minoria está), os políticos nem à web 1.0 chegaram continuando a fazer a campanha soundbyte nas acções com as “peixeiras do povo” (afinal duas formas teatrais, encenadas, embora de sinais opostos, de ocupar espaço no prime-time).

Nós jornalistas estamos a fazer uma revolução nas nossas vidas, na nossa profissão, nos nossos objectivos de conquista de novos leitores, os que são jovens e andam na net e que estão cansados dos jornais do papá. Ora na política nada disto aconteceu, pelo contrario. As campanhas de charanga no ar, de beijinhos e apalpões, de sound bites para as rádios e televisões, as campanhas da gritaria em vez do debate e da apresentação clara dos projectos concretos, as campanhas populistas das vassouras do Portas com boné ou de Costa a ser içado até janelas de rés do chão, são patéticas, medíocres, fora de tempo“. (em Instante fatal)

E discordo porque os políticos fazem campanha onde os votos estão. Os votos não estão na Internet, pelo menos em Portugal.

É claro que gostava de ver os políticos preocuparem-se com a comunicação na web 2.0, pois o futuro passa por aí. Mas tenho as maiores dúvidas sobre a capacidade de comprensão do meio pelos gurus da comunicação, como Luis Paixão Martins, que mandam nas estratégias e no marketing desta geração de políticos. Olho o blogue dele e a insistência das nossas empresas de comunicação política em acções desconexas e infantis e desconfio que o caminho não é o mais indicado.

Voltando à vitela tépida: Bruno, “estar” no Twitter e no second Life é importante porquê? Porque rende votos dos habitantes, reconhecidos, ou porque garante um bom minuto ou dois no telejornal? Pode parecer que não — mas faz uma diferença do caraças. E não valem respostas-chavão, tipo “é fundamental ter uma presença nos novos meios”. Isso qualquer um sabe responder.