Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de setembro de 2007

Já dizia o José Pereira: é melhor pagar-lhes 100 escudos do que não

The only truly passive blogging I can think of would be a group blog that is wholly maintained by paid writers, lead by a paid editor. They would have to be paid because volunteers would have little to force them to keep writing. The only work for the owner would be paying up and the occasional interaction with the editor (Chris Garrett, em Is Blogging a Passive Income?)

Em tempos, na Gazeta dos Desportos e no meu início de carreira, encontrei um camarada (mais tarde entrou comigo para o Expresso) com quem aprendi uma das primeiras lições sobre o trabalho nos jornais. O José Pereira pagava 100 escudos aos colaboradores da província pelas fichas dos jogos da terceira divisão — o que um dos administradores achava uma completa parvoice. Afinal, eles já iam de borla à bola, graças ao cartão da Federação que a Gazeta lhes proporcionava. No entender do “capitão barquinho” (nick afectuoso que dispensávamos ao administrador em causa) era um desperdício.

Mas o Zé Pereira era mais sábio. E experiente. “Se não lhes pagar nada”, dizia, “não tenho autoridade para exigir a ficha do jogo no domigo em que os gajos vão ao casamento da filha ou da prima”, o que na província acontecia amiúde por esses tempos. “Mas se lhes pagar, nem que seja 100 escudos, os gajos têm uma obrigação contratual e até podem ir ao casamento, mas saem mais cedo para ir ao jogo ou arranjam forma de a obter, em vez de a responsabilidade passar para nós”.

No blogging é um bocado a mesma coisa. Mais vale termos uma forma de nos auto-responsabilizarmos pela frequência do que fazer dos nossos blogues publicações intermitentes. Uns buscam nas estratégias de fundo (políticas nomeadamente) essa auto-responsabilização. Outros (é o meu caso) preferem trabalhar a dinheiro — por pouco que seja, é um estímulo. Sem estímulo de algum tipo, a maioria dos blogues acaba por morrer ou — pior — arrastar a negligência.

Dinheiro, estratégia política, ambição profissional — não importa: arranje um estímulo para escrever com regularidade e consistência o seu blogue e mantê-lo a par da evolução da concorrência. Verá como aumenta o seu prazer por ter um.