Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de agosto de 2006

Jornalistas a dias (ou porque não quero que falte nada aos que vêem em mim um comunista)

Descobri, entre o rebolar de gozo e o atordoamento total, leitores de blogs que me acham comunista. Não faço a mínima ideia que drogas tomam mas como tenho compaixão por esses tristes em particular, e pelas vítimas da alienação em geral, aqui fica uma citação para lhes dar uma alegria. Bem a merecem, pobres almas.

O papel dos média é, hoje, tão importante como arma da ditadura capitalista, que a profissão de jornalista não se compadece com meios-termos. Diana Andringa queixa-se de que, agora, há “jornalistas a dias“, que os seus empregos são precários. Discordo: ou se é jornalista, ou se é outra coisa qualquer (mesmo que se passe por jornalista). É confrangedor verificar que, no programa Clube de Jornalistas (RTP2), Ribeiro Cardoso, Estrela Serrano ou o próprio Professor Fernando Correia são incapazes, como os seus colegas, de expor, profunda e radicalmente, a responsabilidade dos jornalistas no mundo mediático de hoje. Não assumem que, de facto, já não é possível fazer verdadeiro jornalismo nos grandes médias. Porque o que nos ensinaram é que ser jornalista é ter por profissão apurar a verdade dos factos e comunicá-la aos seus concidadãos, pelos meios necessários para o efeito. Paul Nizan (1905-1940), jornalista comunista, disse que os jornalistas devem ser os “historiadores do imediato”, com o mesmo espírito de rigor na busca e na revelação da verdade dos factos que os grandes historiadores. Aqui, portanto, não se pode distinguir entre o jornalista e o cidadão. Há, ou deveria haver, na própria designação de “jornalista”, uma espécie de contrato moral entre o profissional da comunicação, que é um cidadão, e os cidadãos que são os seus leitores. Temos todo o direito de os interpelar e de lhes perguntar o que andam a fazer com esse contrato» José Mário Branco, em O silêncio ensurdecedor dos Jornalistas portugueses, edição Maio / Junho da Política Operária (via Acácio Barradas, por e-mail). Negritos meus.