Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de outubro de 2007

Open source e código proprietário: não é preciso ser fundamentalista

Quando o assunto é código, duas situações se podem tipificar. Fato, gravata, saladinhas ao almoço e defensores do código proprietário, ou cerveja, t-shirts que não podem ser de marca mas custam mais compradas nas lojas online underground americanas (o grau de geekismo media-se na proporção do nível underground da loja) e fundamentalistas do código aberto, ou open source.

Não estou a exagerar. Quem quiser tentar pontes, ou quiçá conversas equilibradas e sensatas sobre o assunto, ou é marginalizado rapidamente no grupo, ou para sobreviver adopta um dos radicalismos. Não há meio termo.

Inicialmente, a posição do Alcides Fonseca baralhou-me. Fez-me pensar num amigo meu que vem da adolescência, o Fernando Caetano (ainda me lês, Caetano?), quando um dia — já éramos amigos há muitos anos — me revelou que era crente católico; eu sempre o julgara ateu, até pelo seu comportamento e pelo seu discurso, foi com ele que aprendi a frase que afasta os vendedores de religião porta a porta: “não uso intermediários, tenho linha directa para o vosso patrão”. Experimentem: melhor que divertido, é garantido e de efeito rápido.

Eu achava, “naturalmente”, que o Alcides era do lado do open source, portanto fiquei baralhado quando me disse que era defensor do código fechado. Foi um sururu comigo a armar em advogado do diabo, como é meu uso, gosto, timbre e apanágio (bom dia, amor!)

Ele prometeu-me que um dia escrevia sobre isso, já lhe andava na cabeça há um tempo. Hoje cumpriu: My view on proprietary vs opensource software. Leiam, vale BEM a pena.

Embora eu discorde do Alcides Fonseca nalguns pontos, ele defende muito bem o seu ponto de vista e reconheço razão nos exemplos que aponta.

Eu era o idiota que tentava a ponte. Sempre achei que um modelo não impede o outro. O aberto propicia o desenvolvimento e a criatividade (não haveria Internet como a conhecemos se só existisse código fechado, estaríamos talvez em 1996, com a CompuServe e acesso por RDIS). O fechado dá garantias em segmentos específicos (banca, exército).

O exemplo do ensino (código aberto) é indiscutível, já o dos jogos (código proprietário) me parece um bom campo para, bem, uma flame! :)