Quando era presidente da Câmara do Porto, Rui Rio tinha um par de frases em alemão nos seus dois telemóveis. “Pensa sempre primeiro” era uma. “Aprende sempre qualquer coisa” era outra. A forma como o líder social-democrata está a gerir a estratégia do partido em relação ao Chega leva os mais críticos a pensar que talvez tenha esquecido ambas. “É fundamental uma clarificação no PSD – a discutir seguramente no próximo congresso – interditando qualquer diálogo ou entendimento, pré ou pós-eleitoral (incluindo coligações ou acordos de incidência parlamentar), em eleições autárquicas e legislativas, com o Chega”, afirma à VISÃO Jorge Moreira da Silva, ex-ministro dos governos de Pedro Passos Coelho, quebrando o silêncio a que se remeteu desde novembro.
Nessa altura, o partido celebrara um acordo parlamentar com o Chega nos Açores para assim garantir a viabilização do governo de coligação liderado pelo PSD. a pretexto do diálogo com aquela força política, o antigo vice-presidente do PSD e putativo candidato à sucessão de Rio escreveu então um artigo no jornal Público em que detalhou as razões pelas quais considera o partido de Ventura “xenófobo, racista, extremista e populista”.

