Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de agosto de 2010

Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda)

Eis um quadro de regras de análise económica para a oposição. (Na realidade servem para analisar qualquer coisa. Ou até nada.)

1. De entre os indicadores disponíveis, escolher os mais favoráveis.

2. Entre a variação homóloga e a trimestral escolher a mais favorável.

3. Se todos os indicadores pioram, escolher os que pioram mais que os dos restantes países europeus.

4. Se um dado indicador é melhor que os dos restantes países europeus, ignorar as previsões do governo/FMI/Bando de Portugal.

5. De entre várias previsões (União europeia/FMI/Bando de Portugal), escolher a mais desfavorável ao governo.

6. Se desemprego diminuir, atribuir fenómeno à sazonalidade/outra coisa qualquer.

7. Se desemprego aumentar, referir políticas do governo.

8. Se os dados estatísticos são favoráveis alegar que estão desactualizados e que os dados mais recentes vão provar que o governo está no mau caminho.

9. Se um indicador for favorável atacar a credibilidade da fonte.

10. Justificar os bons indicadores com factores que não dependem do governo (retoma internacional, preço do petróleo, desvalorização do euro, valorização do euro).

11. Se um indicador piora ligeiramente alegar que é o início do apocalipse. Se melhora ligeiramente falar em retoma pontual, num período demasiado longínquo ou demasiado próximo, conforme der mais jeito à argumentação, e repetir 3 vezes (no mínimo) que está carente de confirmação no período seguinte.

12. Evitar gráficos que dêem uma visão gobal dos indicadores, excepto quando os gráficos são desfavoráveis.

13. Se os resultados de curto e médio prazo são favoráveis, citar a tendência de longo prazo.

(Palmas e demais encómios para o brilhante original)