Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

Terça-feira, 4 de maio de 2021

O dia de hoje trouxe um balão de esperança para as direitas ibéricas. O PP ganhou as eleições em Madrid e deverá formar o governo autonómico graças ao apoio da extrema-direita. Rui Rio olha para Madrid, não olha para Portugal. Mas isto é o menos. O mais é o capitalismo da vigilância e um modelo de IA que está para as próximas décadas como a prensa de Gutenberg esteve para os últimos 500 anos.

O PP venceu hoje as eleições da comunidade de Madrid. Isabel Díaz Ayuso duplicou na prática a votação de 2019 — confirmando que foi uma decisão acertada o golpe desferido no Ciudadanos ao convocar estas eleições antecipadas. O PP engoliu todos os deputados que eram do parceiro de coligação e venceu o PSOE, que ganhara em 2019 mas não fora capaz de se entender para formar um executivo para dirigir Madrid.

Contas feitas, Ayuso recuperou boa parte do prestígio e dos votos que tinham fugido do PP na sequência dos diversos episódios de corrupção que envolveram o partido na década passada. Outros dados:

  • PP passou de 30 para 65 deputados, mesmo assim abaixo dos 72 de 2011
  • PSOE passa a segundo, com 24 deputados, menos 13 que em 2019
  • A extrema-direita não beneficiou como pretendia da erosão do Ciudadanos, tendo o Vox ganho apenas um deputado
  • O PP precisa da abstenção da extrema-direita para garantir a presidência; o Vox apressou-se a garantir o apoio
  • Ayuso quer formar o seu executivo sem Vox e ao mesmo tempo marca distância para a direção nacional do PP
  • Pablo Iglesias liderou a lista do Unidas Podemos para Madrid e chegou aos 10 deputados — apenas mais três que em 2019, o que considerou um “fracasso” e anunciou a saída do partido e da política
  • A estratégia de Ayuso — apresentar-se contra o primeiro ministro Pedro Sanchez — resultou e cria um problema ao presidente do PP, Pablo Casado

É irresistível as direitas portuguesas tirarem conclusões festivaleiras dos acontecimentos em Madrid. É também um grande risco: não há comparação possível, não temos nada de parecido com as comunidades autónomas espanholas, uma malha que não temos, as nossas autárquicas referem-se a câmaras e juntas de freguesia.

Além de que a grande recuperação do PP, que fica ainda assim abaixo da maioria absoluta na região de Madrid, foi um ato de recomposição, regressando ao partido os eleitores que tinham debandado para o Ciudadanos — ou seja, tinham ficado dentro da direita na mesma.

Grosso modo, corresponderia a o PSD recuperar os eleitores perdidos para a Iniciativa Liberal: não há justaposição possível.

Por outro lado, as sondagens indicavam que algum eleitorado do PSOE fugiria para Ayuso, fosse por cansaço de Sanchez, fosse pelos encantos da presidente autonómica. Cá as sondagens indicam que a direita somada tem exatamente o mesmo espaço eleitoral que tinha há seis anos. Conclusão: têm muuuuuuito caminho para calcorrear debaixo de um sol inclemente.

Na edição de domingo, dia 2 descrevi formas de resistência ao capitalismo de vigilância. Hoje descobri que Cory Doctorow tem um livro sobre o assunto, uma série de artigos na Medium e um podcast (tudo compilado no link abaixo). Vou comprar o livro, vai fazer uma boa combinação com o de Shoshana Zuboff que ando a ler aos bocadinhos.

Até porque Doctorow não vai exatamente pelo mesmo caminho que Zuboff. Doctorow argumenta no livro que é através do monopólio, não da lavagem cerebral assente na Inteligência Artificial, que as grandes tecnológicas controlam o nosso comportamento.

Isto do controlo pelas tecnológicas — não apenas o GAFAM mas mais meia dúzia de empresas especialistas em dados e, como tal, players principais do capitalismo da vigilância — tem muito por onde andar. Como nisto que vou descrever.

Arlindo Oliveira escreveu (mais) um excelente artigo de opinião no Público sobre o que nos faz humanos (spoiler: é a linguagem). Nele descreve a relação da tecnologia informática com a inteligência, que foi e é um dos grandes objetivos. Basicamente, houve um antes e um depois. Antes, julgava-se (e gastaram-se milhões a fazer experiências) que “a linguagem obedecia a um conjunto de regras gramaticais rígidas, embora complexas, e que a criação de programas que obedecessem a estas regras conduziria, inevitavelmente, a sistemas com competências linguísticas semelhantes aos dos seres humanos”.

Ná. Esquece. Eu simplifico. A linguagem é basicamente uma construção por exemplo, tentativa, erro e correção. Como um humano do berço até ao canudo (vá). Os sistemas que acabaram por ter sucesso e vingar, lançando os caboucos de tudo o que temos hoje no setor, foram os que “compilaram estatísticas de milhões de textos disponíveis, e determinaram assim relações probabilísticas entre sequências de palavras que podem ser usadas em diversas tarefas, tais como a tradução automática, a sumarização de textos ou a resposta a questões”.

Chamamos a esses modelos estatísticos extremamente complexos cérebro, ups, “inteligências artificiais”. E há um, recente, que destronou todos os anteriores. Podes ter lido por aí a sigla GPT-3, de Generative Pre-trained Transformer 3, e o artigo do ex-presidente do Técnico (e autor de um livro significativo na área, “Mentes Digitais”) aborda-o. É um modelo de tirar a respiração. Usa cerca de 175.000 milhões de parâmetros para representar as relações probabilísticas entre palavras, parâmetros estes que codificam a força da interligação entre cada dois neurónios artificiais do modelo. O modelo foi treinado num vastíssimo conjunto de textos, com um total que se aproxima de meio bilião de palavras, o que corresponde a cinco milhões de livros.

Estou a ouvir-te encolher os ombros: wow!… Mas: e daí?

Daí que este modelo responde a perguntas que não foram nem de perto de de longe pré-introduzidas, escreve textos originais e coerentes a partir de um mote (e escreve melhores notícias que muitos jornalistas, como poderás ler se fizeres uma rápida pesquisa por GPT por exemplo no New York Times) e até escreve programas informáticos — além de sumarizar mesmo textos, e digo-te que este é um tema que eu domino razoavelmente porque procuro incessantemente há bons seis anos formas de automatizar sumários de assuntos, dado que não temos hipótese de ler tamanhas quantidades (ainda para mais escondidas em páginas carregadas de anúncios e outras distrações).

Socorro-me do Arlindo: “baseado apenas no modelo estatístico de que dispõe, o sistema responde a estes desafios com textos que são, simultaneamente, coerentes, complexos e reveladores de uma aparentemente profunda compreensão do mundo. Por vezes, é certo, é possível descortinar incoerências nas respostas e nos textos, especialmente nos mais longos mas, de uma forma geral, os textos revelam grande coerência e alguma profundidade”.

O modelo é poderosíssimo. Deixou a concorrência a patinhar na lama nove quilómetros atrás e está a um quilómetro da meta.

A melhor comparação que me ocorre é a prensa de Gutenberg. O GPT-3 é a prensa do século XXI — tem o mesmo tipo de poder disruptivo.

Ora, o modelo assenta parcialmente na comunidade mundial do código open source. A empresa responsável pretendia abrir o modelo a toda a gente, mas a fila é muito estreita: eu estou inscrito desde a primeira semana e continuo a ver navios. E estamos a chegar ao ponto do controlo.

Arlindo Oliveira fornece uma explicação: “o modelo é tão poderoso, que os seus criadores não o disponibilizam para uso geral, e apenas dão acesso de uma forma limitada a um conjunto de pessoas [pois pois! e eu!?!??] e instituições. Tal poderá dever-se, em parte, ao medo de que seja usado como ferramenta para a geração de textos e notícias falsas, mas também, seguramente, ao interesse em restringir a sua utilização não comercial”.

Imagina que os poderosos financeiros do Sacro Império Romano-Germânico estavam tão concentrados e auto-conscientes do seu poder como hoje as tecnológicas. Teriam impedido a progressão dos avanços da imprensa com esse tipo de desculpas: ai que os caracteres móveis vão permitir a difusão de conhecimento falso! Felizmente ainda eram bebés do capitalismo: melhor para o mundo.

Duas verdades para terminar.

Uma. Impedir a utilização do GPT-3 por basicamente qualquer empresa ou caramelo como eu com a mania das invenções digitais é favorável aos interesses do GAFAM e seus ecossistemas; competição aberta no campo da aplicação comercial de Inteligência Artificial é a última coisa que a Google, a Facebook e a Amazon querem.

Outra, sob a forma interrogativa: quanto tempo pode este controlo durar? Não muito.

Por um lado, Google e Amazon vendem poder computacional, pelo que também têm interesse em que haja competição ao GPT-3. Modelar um mamute destes envolve colossais quantidades de poder computacional, que é o principal negócio delas.

Por outro: conhecido o caminho — e o caminho é agora simples: mais e melhores dados e melhor matemática estatística — é uma questão de tempo tanto até ao GPT-4 como ao florescimento de um ecossistema de modelos.

  • O que nos faz humanos. Foi a linguagem que levou ao desenvolvimento da capacidade de raciocínio que caracteriza o ser humano, conduzindo ao desenvolvimento de cérebros cada vez mais complexos e poderosos, que criaram a cultura e civilização. Arlindo Oliveira no Público (€)

Segunda-feira, 3 de maio de 2021

Voltemos às sondagens de intenções de voto e ao seu tratamento noticioso. Começando pelo princípio: não te deixes impressionar nem assustar pela imprensa pois o PSD não recuperou coisa nenhuma nas intenções de voto. Se és simpatizante, não embandeires em arco: não importa a quantidade e qualidade de tangas que te batam, o teu partido está em muito maus lençóis eleitorais.

A verdade dos números, que os teus olhos poderão verificar no site da CNE e no site do DN, é esta: a direita coligada a dois (PSD+CDS) venceu eleições em 2015 com 36,86% dos votos, desligada em quatro (PSD+CDS+IL+CH) perdeu as eleições em 2019 com 34,56% dos votos e hoje vale exatamente 36,8% — número curioso, é igual ao de há 6 anos, igualzinho que até dói.

Olha aí a linha azul clara no gráfico ponderado dos últimos três anos:

Se não tivéssemos dezenas de exemplos diários, bastava a forma como a imprensa portuguesa titula as sondagens para perceber, preto no branco e sem margem alguma para dúvidas, por que batem os corações dos seus editores e diretores.

A escolha do facto mais saliente de uma sondagem para fazer o título é uma questão de opinião. Não é uma ciência exata. Qualquer título é legítimo, defender-se-á o editor em causa — se se dignar dar uma resposta, isto é, porque nada nem ninguém o obriga.

Eu, perante os mesmos dados, poderia titular algo como “PSD continua a não sair da cepa torta: teria hoje menos votos que há 2 anos”. Seria igualmente válida a escolha, e simétrica em termos de narrativa. ou seja: seria um tão mau título como o título do DN de hoje: “PSD recupera”.

Tudo bem. Esse não é o ponto. O ponto é verificar a sequência de títulos sobre as sondagens. Se o fizeres ao longo dos últimos anos verás muito clara a tendência: PSD e Chega no título com palavras positivas, PS no título com palavras negativas, outros partidos não existem, ponto. Os números e factos são sempre alinhados em função desse paradigma e mais nenhum. E são torcidos para encaixar sempre na mesma história — a história da “recuperação” do PSD, que é uma mentira, não tenho outra palavra para isto.

Poderás argumentar: da sondagem anterior para esta, o PSD recuperou alguns pontos (2,5%). Eu encolho os ombros: pois foi, vê lá tu. E…?

Se por acaso leres a análise dos resultados, de Rafael Barbosa, ficarás a ganhar: avalia bem os números e faz uma peça que não se pode considerar inclinada. O problema é o que denunciam as escolhas dos destaques — que são o que passa para o grosso da audiência e a vai formatar através do Facebook e do Twitter, onde só os títulos contam. E a escolha é invariavelmente a insistência na narrativa salvífica do PSD e da recomposição da direita. Nunca se passa para a audiência o problema, que é dramático para a direita em geral e o PSD em particular, de a meio da legislatura, depois de seis anos seis de governação do PS (em dois executivos minoritários!), a variação positiva da direita coligada não sair sequer da margem de erro das sondagens. Há seis anos seis que a direita, não importa se a 1, se a 2, se a 4 líderes, vale exatamente o mesmo, à casa decimal.

Um ponto muito interessante. Realizada a partir de 22 de abril, já os efeitos do despacho do juiz Ivo Rosa estavam bem digeridos por toda a população, a sondagem em questão não apenas não confirma como desmente a teoria então muito difundida que tal despacho, e a operação Marquês em geral, e a noção de corrupção e as petições e o que mais se inventou por aí iriam fazer disparar as intenções de voto no Chega. Ná. De março para abril, André Ventura perdeu 15% da sua base de apoio.

Ou seja: no mês em que mais partido podia ter tirado da sua principal bandeira, o Chega borregou. A mim não me surpreende.

Como escrevi acima, temos dezenas de exemplos diários: o chamado quarto poder exerce com mão de aço o que lhe resta de poder e fá-lo em função dos seus interesses, não do interesse público. É também o único dos poderes que não é escrutinável: não temos qualquer mecanismo para substituir as direções dos jornais quando estas não cumprem o contrato público.

Podemos substituir os deputados. Podemos substituir o Governo. Temos mecanismos de recurso do poder judicial. Mas não temos defesa contra a imprensa.

Nalgum ponto a Academia e a sociedade terão de se interessar por isto. O Parlamento terá de rever a posição do legislador relativamente ao exercício da atividade do jornalismo. Não chega continuarmos a propagar que não há liberdade sem uma imprensa livre. Pode ter sido assim, mas já não é. Agora não é. E amanhã continuará a não ser.

Domingo, 2 de maio de 2021

Hoje explico porque esteve bem António Costa nas críticas ao antigo líder da oposição Rui Rio, dou conta da vergonha com este Governo por causa dos contentores em Odemira e digo-te como é que vamos resistir ao capitalismo de vigilância.

O Primeiro Ministro António Costa esteve bem nas críticas a Rui Rio e ao PSD. A contaminação é uma evidência. O problema não deriva do MEL — só se fala nisso para reforçar o sinal MEL. O problema não deriva do roubo de candidatas autárquicas ao Chega. O problema começou nos Açores. O acordo com o Chega nos Açores é a maçã de Rio, o pecado original com que se tramou, tramou o PSD, tramou o centro-direita português que vai perder os próximos dois ciclos eleitorais legislativos pelo menos, deixando ao PS a gestão dos fundos europeus até ao último cêntimo do último dia — e tramou o país fazendo desaparecer a oposição, transformada num coro de identitários a cantar desafinada a duas vozes, a identidade da direita e a identidade da esquerda, enquanto o Governo fica a solar sozinho para o bem e para o mal.

Jack Shenker não descobriu propriamente a pólvora com o seu livro “Já estão a prestar atenção — Como se fará a política do amanhã” (belíssimo, €15,93 na Wook). A política-espetáculo anda por cá desde a invenção do cinema. O que mudou não foi no palco nem nos artistas: foi na plateia. É o facto de esta se ter desligado do palco, tal a degradação do espetáculo que já não alegra ninguém, que força à amplificação do volume. Rio está convencido que tem de gritar e gesticular tão ou mais alto que André Ventura.

Rio comete um grande erro: vai perder sempre para Ventura, que nasceu para este palco e tem vindo a ser muito bem amestrado pelos melhores treinadores que o dinheiro pode comprar, além de ter metade da imprensa portuguesa a dar-lhe inigualável e carinhoso suporte, recorrendo sem hesitar à mentira descarada. E o peso relativo de cada partido conta pouco ou nada quando se mede a política pelo débito sonoro no palco dos media. Na gritaria, é a voz de Ventura que se ouve, não a de Rio.

Mas a gritaria tem um problema: incomoda muito. E tem outro problema: não há mensagem efetiva, só sons guturais. Ora, na hora de votar a maioria dos eleitores, mesmo os desligados que se tornaram surdos, acaba por pensar dois minutos. É por isso que o PSD não sobe nas sondagens há dois anos. É por isso que toda a direita junta não ganhou um único voto nesses dois anos (a variação positiva está dentro das margens de erro).

A gritaria não é suficiente. Rio não assistirá ao que dela vier a sair, se vier a sair alguma coisa positiva para o PSD dentro de oito ou dez anos, o que duvido. Ventura é um boneco insuflado que expirará a seguir às Legislativas, isto se lá chegar. A “recomposição da direita” é pífia. É toda ela brilho ideológico e nada dela propostas para os desafios sociais e económicos. Esqueceram-se. Ou não.

A pandemia Covid-19 expôs a céu aberto o esgoto político-económico que corria subterrâneo em Odemira. 299 “contentores de alojamento”, um eufemismo para designar habitações para amontoar escravos à razão de 16 corpos por contentor, foram aprovados por este Governo para contentar uma minoria muito pequena de empresas que estão a explorar os recursos daquela região pretendendo criar riqueza (vê-se, oh oh). E eu sinto-me mal com este Governo por causa desse mau negócio (que não é caso único). Temporários não é sinónimo de escravos.

Ao contrário do vírus, o problema não vai desaparecer tão cedo. Não por falta de vacinas: mas por falta de um Governo capaz de ordenar a bem do interesse público a enxurrada que aí vem. Serão nesta altura perto de 10.000 os imigrantes contratados na Ásia para vir apanhar a fruta da agricultura intensiva e vêm mais a caminho, muitos mais, tal é a dimensão da explosão de agricultura intensiva — e não apenas em Odemira. Vai o Governo autorizar mais 300 contentores do género, depósitos para bombas atómicas sanitárias e éticas? Vai permitir que todas as mais valias desse crescimento de atividade económica desapareçam da economia do dia a dia?

Não podemos escapar ao capitalismo da vigilância (ainda estou a ler o livro de Shoshana Zuboff, A.R., e ao ritmo atual tenho para três a seis meses 😊 mas é verdade que estou a ler três livros em papel ao mesmo tempo). Nem estou certo que devêssemos enquanto humanidade. Há evidentemente muita coisa má e péssima, perdemos cada vez mais poder e controlo à medida que um e outro se concentram no cada vez mais pequeno grupo de poder totalitário mundial, escapando à lógica das nações que presidiu aos últimos séculos da História. Mas como em tudo há uma troca e não é por nesta altura não reconhecermos os aspetos positivos que eles não existem.

A capacidade de previsão, que é a base em que assenta a estrutura desta fase do capitalismo, tem aplicações benéficas em campos como a saúde e a estabilidade social, o que há é ainda pouca gente capaz de dar por isso (as autoridades americanas ignoraram aviso sério de ataque ao capitólio dia antes dele acontecer, por exemplo).

Serve isto para dizer que lá por podemos estar embasbacados e imóveis como um mosquito encadeado pelos máximos do teu automóvel na A1, não estamos tão condenados como ele parece estar. Temos mecanismos para ripostar.

Um exemplo. Sem bons dados, os algoritmos valem pouco ou nada. Os dados são tão facilmente hackáveis como foram produzidos ou recolhidos. Nós, o público, podemos explorar essa fraqueza de várias formas, destaco duas, a doce e a hostil:

  • como forma de pressão para exigir algo a quem recolhe os benefícios dos nossos dados
  • pirateando, alterando, minando os dados de forma a sabotá-los para perturbar a acumulação de poder sob a forma de capital e desencorajar essa atividade

Num novo artigo apresentado na conferência da Association for Computing Machinery’s Fairness, Accountability, and Transparency, investigadores propõem três ações de resistência:

  • greves de dados, inspiradas pela ideia de greves laborais, que envolvem reter ou apagar os seus dados para que uma empresa tecnológica não possa utilizá-los — deixando uma plataforma ou instalando ferramentas de privacidade, por exemplo
  • envenenamento de dados, que envolve a contribuição de dados sem sentido ou prejudiciais. AdNauseam, por exemplo, é uma extensão do navegador que “clica” automaticamente em cada anúncio, confundindo os algoritmos de segmentação de anúncios da Google
  • contribuição consciente de dados, que envolve dar dados significativos ao concorrente de uma plataforma contra a qual desejemos protestar, como por exemplo, movendo as fotos do Facebook para o Tumblr

A minha experiência diz-te que o envenenamento de dados é pouco efetivo com ações como o AdNauseam porque os cliques desta são uniformemente distribuídos, o que não comporta “veneno”, talvez algum empolamento.

Também tenho dúvidas sobre a efetividade dos modos “anónimos” dos browsers. Sim: evitam a entrega direta de dados, por exemplo a um grupo de media que deixa de te poder vender aos seus anunciantes, mas por baixo as grandes como a Google e a Facebook não dependem dos dados finos, conseguem ligar as ações de uma forma muito mais abrangente.

Mas estas são boas ideias e sobretudo reforçam a ideia de que podemos ripostar, de que não estamos tão à mercê como parecemos.

Se queres levar a sério a privacidade e/ou a resistência à vigilância, seja do Estado seja das grandes corporações (e a ligação entre as duas vai sendo reforçada), eis uma boa proposta: cria endereços de email sem uma ligação óbvia ao teu nome e da empresa ou organismo. Há diversos serviços de email gratuito. E podes centrar toda a correspondência das várias caixas numa só mailbox.

Tenho a intenção de escrever um how to específico sobre isto, que não tem nada de técnico, garanto, é só apreender um ou dois conceitos e carregar nos botões do teu serviço de correio. Mas não avaliei ainda se vale a pena, não sei até que ponto terá utilidade para *s leitor*s. Estarias interessad*? Basta responder a esta mensagem e dar-me nota do teu interesse e expetativas.

Sábado, 1 de maio de 2021

Hoje abordo (com alguma violência verbal, amor com amor se paga) a ação terrorista que “as direitas” anunciaram para normalizar o Chega e o radicalismo anti-democrático de extrema-direita. Pacheco Pereira chama “braço armado” ao grupo que abusa do estatuto de comunicação social para destruir o centro-direita de forma a enfraquecer o sistema.

Foram três dias sem escrever este diário. Mas por uma razão que se prende com ele. Ou melhor: contigo. O meu projeto de um assistente virtual — o Cecil, de que já te falei antes (arquivo) — sofreu um significativo avanço. Já não é “apenas” um conjunto de funções que me auxiliam a recolher e separar informação para a newsletter: ganhou nome completo e autonomia em dois canais, email e Telegram. E já tem a sua primeira tarefa encomendada, coisa simples como convém para começar: está em cima do site do SNS e vai avisar-nos no instante em que a operação de vacinação baixar da fasquia dos 65 anos.

O próximo passo é abri-lo a um grupo reservado de beta-testers, pessoas que terão acesso privilegiado. É claro que tu serás a primeira pessoa a ser convidada. (Tu, aqui, significa todos os subscritores da Certamente!).

And they did it! O projeto político da ala mais radical da direita portuguesa, travestido de “jornalismo”, conseguiu colocar como um assunto mediatica e politicamente importante na agenda o MEL — o Movimento Europa e Liberdade. Um encontro das “direitas” cujo objetivo, descontado o açúcar sintático dos pomposos promotores e entusiastas cheerleaders, é normalizar a extrema-direita em Portugal e aterrorizar a direita democrática.

É com algum desgosto que vejo Rui Rio e sobretudo João Cotrim Figueiredo metidos naquela tenda de circo: significa que continuaremos a não ter uma direita responsável capaz de estabelecer as pontes normais para as políticas de que Portugal e a União Europeia necessitam nas próximas décadas.

O diretor do Eco, António Costa, foi capaz de escrever esta pérola que exemplifica na perfeição o objetivo único da normalização do discurso radical à direita: “de um movimento cívico de promoção de ideias e propostas a uma plataforma de governo que quer federar o centro e as direitas. Todas, reconhecendo implicitamente que a direita liberal e europeísta tem de fazer o mesmo que fez Costa, vender-se à extrema radical, para vencer eleições. Tem de vender-se ao Chega. A um partido populista e anti-europeísta, que se juntou ao mais extremo dos grupos parlamentares no Parlamento Europeu”. (cito do Eco, procura se quiseres que eu estou em greve de links para a imprensa online portuguesa, que acha que quem partilha um link é um criminoso e devia ir preso depois de pagar milhões, googla João Palmeiro e perceberás a minha raiva).

É mentira, claro. Mas a mentira é hoje tão corrente na imprensa que já não incomoda. É pueril a forma como se tenta fazer equivaler partidos defensores da democracia ao Chega e ao seu discurso vai tudo c’o car***o.

Portanto, para o diretor do Eco, Rio o que tem mesmo de fazer é vender-se ao Chega. Nesta história o Observador é a troika e António Costa faz de Passos Coelho: se a troika diz mata, nóis esfola!

Tudo isto é uma operação que começou há muito tempo. Ganhou agora um novo fôlego graças à folga dada pela situação Covid, mas é um plano antigo. José Pacheco Pereira topa-o tão bem como nós. “No seu núcleo duro está a tribo. Este núcleo vem da comunicação social, em particular do principal think tank da direita radical em Portugal, o grupo de comunicação social do Observador, online, rádio e revistas, que pelos seus financiamentos é claramente um braço armado de um lóbi empresarial, e assenta numa lógica política sectária. O jornal tem qualidade e, de novo, ainda bem que existe. Mas convém não ter a ilusão de que se trata de um projecto de comunicação social — é um projecto político da ala mais radical da direita portuguesa e o que verdadeiramente nele conta é a opinião e a mobilização da tribo pelos comentários. E é essa opinião que está em peso no MEL, Rui Ramos, José Manuel Fernandes, Helena Matos, Jaime Nogueira Pinto, Alexandre Homem Cristo, João Marques de Almeida, Vítor Cunha, etc.” (no Público, por detrás da paywall, e sem link pelo motivo já apresentado).

Pacheco Pereira mais à frente explica como tudo isto é um exercício sem utilidade prática nenhuma — resta a normalização da narrativa dos radicais de direita que querem destruir a democracia e a sociedade da direito. É simples aritmética: PSD, IL, CDS e Chega não terão tão cedo (eu vou mais longe: nunca) votos para formar governo. Quanto mais o PSD se chegar ao Chega, mais eleitores perde para um PS espertalhufo a ocupar o centro com políticas mansas. Rio sabe disto, Rio tem de saber disto, mas Rio acha que não tem alternativa pois o vírus que as forças por detrás do Observador inocularam no PSD na década de 2000 com a pandilha acoplada a Passos Coelho continua o seu incansável trabalho de destruir o centro-direita para enfraquecer o sistema.

Portugal pede um banho de ética e a direita responde com um banho de mofo. Nesta representação simbólica, o MEL convida e dá palco a ideais neofascistas, em mais uma tentativa de normalização do Chega”, escreve Miguel Guedes no Jornal de Notícias.

E é com Miguel Guedes que termino esta tristeza com que a imprensa portuguesa — lá pelas razões só dela, contra o país que pretende continuar a chular através de subsídios e a aterrorizar com chantagens e ameaças — quer colaborar no processo de normalização do radicalismo anti-democrático: “E este PSD de Rui Rio, pior do que tudo e todos, com a mensagem de Ventura, entrega a carta a Garcia na Amadora. Perante isto, acresce o estigma da discriminação: quem teve o desplante de se esquecer de convidar o PNR para o MEL?

Terça-feira, 27 de abril de 2021

Hoje foi o dia em que o PR decidiu não renovar o Estado de Emergência, hurrah! Temos quase metade da população portuguesa com defesas! Abordo os hackers artificiais! E hoje há correio d@s leitor@s!

Falando ao país através das televisões, o Presidente da República disse que não renovaria o Estado de Emergência. Ou seja, a partir do próximo dia 30 prepara-te para o Governo decretar a situação de calamidade (eu sei, eu sei, mas é assim que está escalado…).

Só posso concordar a não renovação. Temos a situação controlada, o pior da pandemia está definitivamente ultrapassado. Com 46% da população com defesas (3.000.000 com uma inoculação pelo menos + 850.000 casos referenciados + 850.000 casos assintomáticos), e o número a subir à razão de 80.000 a 100.000 por dia, temos melhores condições para enfrentar a infeção, variantes incluídas.

O problema foi sempre o impacto nos sistemas de saúde. Ora, é relativamente seguro afirmar que mesmo que a situação não seja ideal por mais algum tempo, dada a globalidade da Covid-19 e vivermos numa economia globalizada, o impacto não voltará a ter as proporções que assumiu em Portugal em Janeiro (e noutros países da União em diferentes períodos).

Creio que na Europa não voltaremos aos ciclos de confinamento. Na pior das hipóteses, contenções nalgumas regiões onde surjam surtos com impacto. É que em última análise tudo se resume ao impacto: se não houver uma pressão demasiado grande para os sistemas de saúde aguentarem, não há razões para confinar, podemos viver com RTs de 1,5, até 2, como na gripe comum.

A situação na Índia é muito má e lança nuvens bem carregadas sobre o futuro. A Índia pode adiar o momento em que a humanidade superou a Covid-19. Mas não tenhas dúvidas: quando pudermos olhar para trás com calma, dentro talvez de dois anos, o que restará deste período será a incrível forma como a humanidade superou este vírus particularmente letal — com distinção, um número de mortos muito baixo em comparação com eventos similares, com extraordinária capacidade de mobilização de recursos científicos, médicos, políticos e industriais. Vai por mim: será um dos capítulos do orgulho humano, tudo pesado.

Contudo, não devemos baixar as defesas ainda. É importante não apressar o passo do desconfinamento. Algumas vidas ainda dependem disso. Eu ainda não estou vacinado e é grande a probabilidade de tu também não estares.

Hackers Artificiais? Oh yeah baby. A Inteligência Artificial pode ser pirateada. Mas a IA pode ser hackeada? Sim, argumenta Bruce Schneier com a maior das calmas e segurança. No futuro a IA irá atacar, ajustar e manipular não só as nossas tecnologias mas também os sistemas económicos, sociais e políticos que compõem a nossa sociedade.

(Se não conheces: Bruce Schneier, que é ligeiramente mais novo que eu, é uma sumidade mundial em criptografia e um divulgador dela em livros e ensaios. The Economist chamou-lhe guru da segurança. Eu leio-o há mais de 20 anos, sou um dos seus 250.000 leitores, embora só entenda aí uns 10% do que leio.)

Em The Coming AI Hackers (pdf) Schneier sumariza assim o assunto: “A pirataria informática é geralmente considerada como algo feito aos sistemas informáticos, mas esta conceptualização pode ser alargada a qualquer sistema de regras. O código fiscal, mercados financeiros, e qualquer sistema de leis pode ser pirateado. Isto ensaio considera um mundo onde as IA podem ser hackers. Esta é uma generalização da especificação de jogos, onde as vulnerabilidades e explorações do nosso social, os sistemas económicos e políticos são descobertos e explorados no computador velocidades e escala”.

A inteligência artificial é basicamente um pedaço de software executado em computadores. Como o teu Word, só que faz cenas diferentes. Schneier argumenta em primeiro lugar que sistemas de IA serão utilizados para nos hackear. E em segundo lugar que as IA se tornarão hackers elas próprias: encontrando vulnerabilidades em todo o tipo de aspectos sociais, económicos, e sistemas políticos, depois explorá-los a um nível sem precedentes
velocidade, escala, e alcance. Não é apenas uma diferença no grau; é uma diferença no tipo. Arriscamo-nos a um futuro de sistemas de IA a piratear outros sistemas de IA, com os humanos a serem pouco mais do que danos colaterais.

Neste ensaio explica como as IA irão piratear a sociedade, mas também discute as implicações de um mundo de hackers de IA e aponta
para possíveis defesas. “Nem tudo é tão sombrio como poderá parecer”. Pdf aqui.

Correio d@s leitor@s

☀️ C.C. foi, como sempre, simpático. “Perante a avalanche de mau jornalismo, capitalizado por interesses boçais, a sua newsletter é o oásis no deserto. Sim, eu sei que a comparação é pífia, mas assim que decidir monetizar o seu excelente trabalho conte comigo como subscritor

Em conversas presenciais e no Messenger nos últimos dias, bem como por email há mais tempo, mais alguns subscritores me referiram terem no Certamente! a leitura principal de informação — o que me surpreende, mas evidentemente não desagrada 😇

Este meu diário em formato newsletter deverá continuar sempre gratuito. O que está em marcha, cujo ritmo depende da minha disponibilidade e por isso não tenho datas fixadas, é a oferta de serviços de informação especiais e de serviços de comodidade (como a automatização de tarefas relacionadas com informação e conhecimento) em pacotes de subscrição paga.

Falarei disso na altura certa. Mas antes disso poderás retribuir endossando a newsletter, recomendando-a aos familiares, amigos, colegas e camaradas que julgues que possam receber dela o tipo de valor que tu recebes. Está por dias a disponibilização de um link próprio para o efeito.

💚 H.Q. referiu, a propósito dos Verdes na Alemanha e em Portugal: “Os desafios são muitos desde a economia circular, ao Clima, à Ecologia…. Talvez com os Verdes a liderar venha a ser menos difícil, com os outros é mais do mesmo. Dos quatro escolho o Livre ou o Volt quando conhecer pessoas e programas”.

A minha resposta: espero que o facto de a Alemanha vir a ter Verdes com peso efetivo no Governo — seja liderando a coligação, seja como segundo parceiro — venha gerar uma onda que alastre pelos outros países. Em Portugal, Os Verdes ainda são vistos sobretudo como marginais, alternativos. Dos partidos do sistema aos comentadores em geral, desvalorizam, quando não gozam, os assuntos como os Verdes os apresentam. Isso tem de mudar, como sabemos.

A esta distância das legislativas é difícil afirmar em quem vou votar. Se fossem hoje (ou em maio), o mais certo era votar Livre, mas mesmo assim dependeria de avaliar os candidatos e as hipóteses concretas. Gosto de usar o meu voto maximizando-o, por exemplo criando peso numa lista que esteja perto de eleger mais um candidato, seja estabelecendo um objetivo secundário — como fiz nas últimas legislativas votando Livre, que não elegeria um deputado por Setúbal, porque estava à beira do resultado que lhe permitiria alcançar a subvenção do Estado, e o meu voto não contaria para mais deputados, ou para segurar deputados, no PS e no BE.

🌵 S.M. não está convencido da “verdura” do PAN:colocar o PAN entre os verdes parece-me deslocado. O PAN não teve até hoje uma ação que o destaque como partido verde, o seu foco não está aí.

Verdade: o PAN distinguiu-se até hoje na questão dos direitos dos animais (razão suficiente para merecer o voto — e eu votaria no PAN só por isso, se não existissem razões, como referi acima, que valorizassem o meu voto noutro partido). Mas não foi uma catalogação arbitrária: o PAN pertence à família dos partidos verdes europeus e no Parlamento Europeu é nesse grupo que esteve integrado e continua integrado o deputado mesmo depois de ter saído do partido (se não me engano, por achar insuficiente o compromisso verde do PAN).

Sobre futebol, dois subscritores escreveram de volta manifestando a sua aversão à coisa ;)
J.C.: “gostei bastante da edição de hoje e da visão sobre o futebol. Um abraço de um não-visionador de futebol
P.H.: “Entretanto, não continuei a ler com atenção o resto do texto sobre futebol — detesto com sarna e pústulas essa actividade a que os apreciadores chamam de desporto

Bem: como já descrevi antes, tive uma fase da vida em que gostei de futebol. Nem sei até que ponto posso dizer que deixei de gostar. O que sucedeu foi uma tomada de posição. Uma rejeição da minha parte. Por causa de contratos com valores pornográficos. A atividade do futebol foi tornada obscena. Saí fora.

2021/05/04

Amazon somou 44.000 milhões de euros em receitas na Europa, mas não pagou qualquer imposto corporativo jornaleconomico.sapo.pt

Touradas não fazem parte da grelha da RTP para 2021. magg.sapo.pt

CDS apoia Suzana Garcia: "Sintonia evidente" entre as suas ideias e as propostas políticas do CDS para a Amadora. tsf.pt

Atual presidente da Câmara Municipal de Beja Paulo Arsénio assumiu a recandidatura. vozdaplanicie.pt

Are journalists allowed to be citizens, too? The Post wants democracy and sunlight, yet they constrain their employees’ speech outside of work in a way that, to me, seems to conflict with the First Amendment. Basecamp’s founders advocate for Internet privacy and free expression, yet they provide neither to the people who build their products. I propose that we drop the charade. There is no such thing as a neutral journalist or someone with no opinion on a topic of public concern. This person has never existed, and never will. If you have no opinion, either the topic is extraordinarily boring or you haven’t educated yourself on it enough. And yet, despite all these people with opinions writing for the newspaper, journalism is pretty good! It was good in the past, too, even when newspaper editors were active partisans (as was the case for much of American history). We admire the pamphleteers of the Revolution and the muckrakers of the Progressive Era. They all had opinions, and they did just fine reporting the facts and proposing meaningful social reforms. @Hiatus Hiatus

Former European Commission President Jean-Claude Juncker believes that Portugal will be able to achieve concrete results at the Porto Social Summit, commenting that if Prime Minister António Costa is not successful, “no one will be, because he is one of the best” @André Curvelo Campos, Euractiv André Curvelo Campos, Euractiv

Iran owes its middle class largely to past reformist presidents. From 1989 to 2005, Akbar Hashemi Rafsanjani and Mohammad Khatami transformed Iran’s economy, which had been shackled by rationing and public ownership, into a market economy with a vibrant private sector. Their market reforms, together with investments in infrastructure, raised millions of Iranians out of poverty. Between 1995 and 2010, Iran’s middle class swelled from 28% to 60% of the population, and the poverty rate plummeted from 33% to 7%. Under Khatami’s successor, however, things took a turn for the worse. President Mahmoud Ahmadinejad appealed to conservatives who considered the desire for a Western-style lifestyle contrary to the values of the 1979 Islamic Revolution. Not surprisingly, relations with the West deteriorated under Ahmadinejad. In 2010, the United Nations Security Council introduced Resolution 1929, imposing a new round of sanctions on Iran over concerns that it was not complying with previous resolutions intended to ensure the peaceful nature of its nuclear program. Economic stagnation followed. @Djavad Salehi-Isfahani, Project Syndicate Djavad Salehi-Isfahani, Project Syndicate

En los últimos años, solo en la economía europea, el sector tecnológico ha crecido hasta cinco veces más que el resto de industrias. Se ha expandido a diferentes velocidades, sin alcanzar a todos los territorios y comunidades por igual, pero tiene una responsabilidad colectiva de peso en la era digital actual. Aunque la tecnología, por sí misma, no pueda resolver la emergencia ambiental, tiene un potencial extraordinario para empezar a cambiar el futuro. Según un informe de Global Enabling Sustainability Initiative y Deloitte (2019), con las condiciones adecuadas, las tecnologías emergentes pueden tener un impacto positivo en 103 de las 169 metas de los ODS de las Naciones Unidas. También contribuyen significativamente al proceso de transición global hacia un modelo de economía circular, y a reducir las emisiones de carbono hasta diez veces más que las que producen en un año esas mismas tecnologías. @Cristina Colom, Ethic Cristina Colom, Ethic

Morreu o artista plástico e pintor Julião Sarmento. Em Lisboa, de cancro, aos 72 anos. daliteratura.blogspot.com

Asad Haider é autor do livro Mistaken Identities, Race and Class in the Age of Trump (Armadilha da Identidade, Raça e Classe nos Dias de Hoje na edição brasileira). Para este intelectual dos EUA, a identidade é fruto de uma história que só pode ser compreendida caso mergulhemos nas relações sociais concretas que a definem. Em termos políticos, a política que é só identitária acaba a ter como efeito a reafirmação das subjectividades coloniais e não uma mudança estrutural efectiva. «Ora um negro é um negro por causa do racismo, e não porque a sua negritude não seja reconhecida e valorizada; da mesma forma, um branco também é um branco por causa do racismo e não devido à sua "brancura". E não há racismo sem estruturas políticas e económicas que sustentem o processo contínuo de transformação de indivíduos em "negros" e "brancos"», como defende Sílvio Luiz de Almeida, no prefácio da edição brasileira do livro de Haider. @Nuno Ramos de Almeida, AbrilAbril Nuno Ramos de Almeida, AbrilAbril

Um ecrã em mil tons de branco. “Fui crescendo e vendo que pessoas como eu não estavam representadas na televisão.” – Foi perante este cenário que Helena Vicente, hoje investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS), decidiu estudar a presença negra na televisão portuguesa para a sua tese de mestrado. É uma pesquisa cujo foco é praticamente inédito em Portugal. Além de quantificar e caracterizar a presença negra na televisão portuguesa ao longo de 25 anos, traça também as perceções dos profissionais sobre o meio e os seus percursos. @Interruptor Interruptor

2021/05/03

India’s health care system was envisaged soon after its independence in 1947 as a three-tier system that could cover the entire country. It was to have a primary care system at the village level, a secondary care system to cover smaller urban centers, and tertiary care for specialized treatment. Over the years, though, the emphasis moved to for-profit tertiary care hospitals, mainly in big cities, with state-of-the-art that provided care mainly to the urban rich. Profits from these hospitals, which go into paying the high salaries of doctors and top executives, took precedence over attempts to regulate them or stop malpractice, such as overcharging patients or unnecessary surgeries. @STAT STAT

How Will the Digital Renminbi Change China? While many central banks are still investigating the possibility of issuing a digital currency, China has rolled out a digital currency via a series of pilot programs since last year. The eRMB (my term as opposed to the more awkward official DC/EP) by itself will not help the renminbi to challenge the US dollar’s global dominance. Its true significance instead lies in its potential to alter the balance between China’s technology giants and traditional majority state-owned banks, thus indirectly enhancing the banks’ international competitiveness. @Shang-Jin Wei, Project Syndicate Shang-Jin Wei, Project Syndicate

Ambitious R&I investment will enable aviation to move towards climate neutrality. Bold investment is needed to steer aviation firmly on a course towards climate neutrality by 2050, Clean Sky’s Spring Event, Clean Aviation for a Competitive Green Recovery in Europe, heard on 22 April 2021. @Axel Krein, Euractiv Axel Krein, Euractiv

France wants to spend €30 billion on decarbonising its economy, speeding up its target of becoming Europe's first major country to achieve carbon neutrality by 2050. The money is part of the so-called "France Relance" recovery plan, which is designed to address the economic fallout from the COVID-19 pandemic. The whole investment plan is worth €100 billion, representing the equivalent of one-third of the annual state budget. @Euronews Euronews

Bill Gates e Melinda Gates anunciaram que decidiram divorciar-se. twitter.com

Corporate News Outlets Again "Confirm" the Same False Story, While Many Refuse to Correct it. One of the primary plagues of corporate journalism, which I have documented more times than I can count, just reared its ugly head again to deceive millions of people with fake news. When one large news outlet publishes a false story based on whispers from anonymous security state agents with the CIA or FBI, other news outlets quickly purport that they have “independently confirmed” the false story, in order to bolster its credibility (oh, it must be true since other outlets have also confirmed it). This is an obvious scam — they have not “independently confirmed” anything but rather merely acted as servants to the same lying security state agents who planted the original false story — but they do it over and over, creating the deceitful perception that a fake story has been "confirmed” by multiple outlets, thus bolstering its credibility in the public mind. It was the favored tactic for spreading debunked Russiagate frauds and is still used. @Glenn Greenwald Glenn Greenwald

2021/05/02

Afinal, de quem é o projecto Sines 4.0? Não se percebe com quem anda o governo a negociar. A referida empresa não existe ou ainda não está registada. No European Union Intellectual Property Office, a Start Campus surge como uma marca registada a 14 de Janeiro deste ano, assim como a Sines 4.0. Ambas pertencem à Start – Sines Transatlantic Renewable & Technology Campus, Lda, cujo objecto social é principalmente actividades de consultoria @TICtank TICtank

Glaciers are melting much faster than expected. A new study indicates that the speed of glacier melt has "doubled over the past two decades" -- far faster than anticipated or previously measured. In the study, published in the journal Nature, the authors utilized multiple NASA satellite datasets dating back to 2000. Obtaining accurate measurements of glacier melt, or glacier mass loss, has been difficult, the authors said. Glaciers are generally found in incredibly remote or inaccessible locations, meaning that only a few hundred of the over 200,000 glaciers are routinely monitored. @CNN CNN

Recursos naturais: ″Exploração vai provocar deslocamento das populações″ em Angola. Organizações angolanas querem a revogação das alterações à lei das áreas de conservação ambiental. Em risco está o bem-estar dos cidadãos que podem ser obrigados a abandonar as suas terras @DW DW

In these same hundred days, the basic themes of the Biden presidency, articulated in his April 28 address to Congress, have emerged: an emphasis on tackling domestic challenges, a vastly expanded role for the federal government in both stimulating the economy and in providing basic services and financial support for citizens, and a commitment to confront racism, modernize infrastructure, increase the country’s competitiveness, and combat climate change. There is also a willingness to raise taxes on corporations and the wealthy to pay for some of what these initiatives will cost. How much of this agenda can be realized remains to be seen; for now, comparisons between Biden and Franklin Delano Roosevelt or Lyndon B. Johnson are understandable but somewhat premature. @Richard N. Haass, Project Syndicate Richard N. Haass, Project Syndicate

Daniel Kahneman and Yuval Noah Harari: 'Global Trends Shaping Humankind' (Hora e meia de diálogo, moderado por Kara Swisher) @YouTube YouTube

The Left Continues to Destroy Itself and Others With Evidence-Free Destruction of Reputations. Equating accusations with proven fact is reckless and repressive. It is also standard behavior in liberal politics, whereby they ruin lives without a second thought. @Glenn Greenwald Glenn Greenwald

2021/05/01

The Two Sides of Chinese GDP. Economic reporting about China focuses far too much on total GDP and not enough on per capita GDP, which is the more revealing indicator. And this skewed coverage has important implications, because the two indicators paint significantly different pictures of China’s current economic and political situation. They also focus our attention on different issues. @Nancy Qian, Project Syndicate Nancy Qian, Project Syndicate

España presentó este viernes formalmente a la Comisión Europea (CE) su plan de recuperación, transformación y resiliencia con el detalle de las reformas e inversiones, por importe de 70.000 millones de euros, que prevé ejecutar entre 2021 y 2023 con cargo a las ayudas del fondo de recuperación europeo. @Público Público

En sentido estricto, lo que hace la polarización es crear un escenario en el que cada vez es más complicado encontrar un consenso mayoritario del que puedan salir gobiernos estables. Esto es lo evidente y lo que se deduce de los resultados de nuestro estudio: con la polarización aparecen más actores que compiten por votos que, en muchas ocasiones, no suman mayorías capaces de implementar políticas. Sin embargo, y aunque los datos de nuestro trabajo solo llegan hasta los años ochenta, también existen otras investigaciones que han encontrado un vínculo estrecho entre la austeridad de los años veinte y treinta del siglo pasado y el éxito del régimen nazi en el proceso de polarización que vivió la Alemania de entreguerras... @José Luis Marín, ctxt José Luis Marín, ctxt

há 6 meses

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente

Uma vez jornalista, sempre jornalista”. “O jornalismo é sacerdócio”. “Podes deixar de praticar, mas não deixas de ser jornalista”.

Ao longo da vida sempre ouvi estas frases. Talvez por isso, quando os jornais deixaram de querer os meus serviços, por volta de 2013-14, tive problemas para estabelecer uma bioline. “Ex-jornalista” ia contra o cânone segundo o qual tu nunca deixas de ser jornalista. “Antigo jornalista” idem, além de soar pior. Usei ambos, sentindo-me sempre desconfortável.

Até que deixei de invocar o jornalismo; está no CV, aí permanecerá para sempre, foram 30 e tal anos, uma vida, quase toda a minha vida produtiva, mas faz já algum tempo que não é mais invocável no meu dia a dia. Ter sido jornalista não me confere qualquer grau, prestígio ou estatuto especial. Amig@s e leitor@s podem achar que sim, mas eu sei que não. Outros jornalistas no ativo, em pousio ou na reforma podem achar que sim e cada um falará por si, as vidas são diferentes.

Falo disto porque numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

há 7 meses

Portugal tem menos oposição do que precisa e a culpa é, inteirinha, do PSD

Portugal tem menos PSD do que devia, tem menos oposição do que precisa. E nada disso é assacável a um PS enfraquecido e asfixiado sob o peso da responsabilidade da gestão dos fundos comunitários. A nulidade política da direita portuguesa é para a conta, inteirinha, dela própria. Resulta da deserção de Rui Rio do espaço público onde se negoceiam entendimentos sobre os temas da década.

há 8 meses

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil. Mas é cedo para escolher.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

há 8 meses

17 anos depois, o relançamento

17 anos passam num instante? Não. Demoram. E 20 anos — que é o tempo de vida deste domínio? E 31 anos, que é o tempo que levo a publicar coisas na Internet? São milhares de artigos e páginas e posts por todo o lado. Quando queres consolidar um arquivo destes, é preciso coragem para ganhar balanço. E se queres relançar a publicação pessoal? Escreves uma aplicação que faça a coisa exatamente como a queres.