Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

Terça-feira, 20 de abril de 2021

Hoje descrevo o início do próximo ciclo de 30 anos do que já foi um desporto de paixões: a atividade económica do espetáculo do futebol, maximizada numa Superliga europeia. Tanta indignação para quê? É apenas o capitalismo, estúpido.

A Superliga Europeia é o fim do futebol? São precisas apenas duas letras para a resposta curta: . Vamos à resposta média.

As empresas detentoras das 12 marcas futebolísticas mais proeminentes da Europa formalizaram a criação de uma prova em circuito fechado, a Superliga Europeia, pouco antes de a UEFA anunciar a nova Liga dos Campeões no domingo à noite. Adeptos, futebolistas e governantes reagiram com gruas diferentes de consternação e antagonismo. O fim do futebol— decretaram muitos.

Do que se queixam?

  • Adeptos vêem o fim da “competição saudável” e da “paixão” e temem ter de pagar ainda mais caro o acesso a jogos e à informação que geram
  • Futebolistas foram marginalizados da decisão e desconfiam do que sucederá aos seus milionários privilégios, temendo também as represálias das organizações tradicionais, em especial a UEFA
  • Governantes vêem fugir das esferas centrais o controlo e a influência que são mecanismos de acesso e manutenção do poder, referindo que a prova “apunhala o coração do futebol” e “ameaça o princípio da solidariedade e mérito desportivos

Já vimos antes este filme. Tudo isto é cíclico e tem apenas e só a ver com o modo de produção capitalista. O futebol não apenas resistiu, como saiu reforçado de todos os momentos-charneira por que já passou na sua crescente financeirização.

O futebol atual vive um ciclo de 30 anos, iniciado na década de 1990 com a transformação dos clubes em sociedades anónimas. O abalo telúrico dessa década colocou por sua vez um ponto final noutra era, que vinha dos anos 1960 com o princípio das transmissões televisivas a ditar uma reordenação às organizações clubistas e federativas com os primeiros fluxos de dinheiro intermediado, isto é, causado pela comercialização da imagem, e não pelas receitas diretas de acesso aos estádios.

Em cada um desses momentos de transformação se gritou na rua que era o fim do futebol, da competição saudável e da “verdade desportiva”. E o que sucedeu em cada um deles foi tornar o futebol mais complexo com introdução de lógicas que visam a maximização de resultados — desde os métodos científicos aplicados ao terreno de jogo e aos intervenientes, com o alargamento do número de profissionais indispensáveis, até às empresas negociadoras dos direitos de transmissão televisiva e de imagem, passando pelos espaços publicitários dentro do campo e para a televisão.

Assisti à mudança do ciclo da década de 1990. Disse-se tudo tal e qual: as sociedades anónimas desportivas eram o fim do futebol. Não foi isso que se passou: tornou-o mais caro para quem consome e mais lucrativo para quem fabrica. Apenas e só. (Em campo, que é aquilo de que não se falou até agora, a mudança foi: ficou mais rápido e brilhante.)

Temos nesta mudança de ciclo a introdução de mais uma camada em cima das existentes: um grupo de empresas privadas quer criar um negócio particular com sede na Suíça, financiado por um banco americano, para maximizar o retorno do grupo mais lucrativo das empresas.

Seis notas mais:

  • a Superliga europeia não tem nada a ver com os modelos de organização das ligas americanas como a NBA. Antes tivesse, mas não tem
  • a Superliga é inevitável à luz da legislação europeia e nem a UEFA, com o sua vasta rede de influência e imenso poder, poderá travá-la mais tempo
  • a resistência e a vozearia das massas adeptas não têm nenhuma importância; desaparecem na próxima semana
  • a (expectável) indignação dos governantes tem ainda menos importância; é um protesto formal, para a fotografia
  • os temores de expulsão de clubes e de jogadores são infundados
  • o único perdedor desta história será a UEFA, que vê uma fatia importante do controlo e dos lucros mudar de mãos para uma organização dos maiores clubes

Para finalizar: a ideia da Superliga é antiga e podemos situá-la na mudança do ciclo anterior, nos anos 1990, e numa pessoa: Silvio Berlusconi. O italiano magnata dos media viu mais cedo que toda a gente o potencial lucrativo do futebol enquanto espetáculo de televisão. Tornou-se proprietário de uma das melhores marcas mundiais de futebol, a AC Milan. Queria o controlo completo da atividade num ciclo fechado e começou a pressionar a UEFA ainda nos anos 1980.

Mas era cedo. As estruturas de burocratas tinham ainda toda a força. A suficiente para resistir — mas com cedências. A mítica Taça dos Campeões Europeus mudou de nome e de formato. Passou a Liga dos Campeões da UEFA e a ser disputada em grupos para minimizar os riscos de investimento. Na TCE um grande clube como a Milan podia perder a primeira eliminatória para uma equipa com uma fração do seu orçamento, o que é um ultraje para um empresário. Berlusconi queria uma prova disputada por 18 equipas que jogariam entre elas várias vezes; com a fase de grupos e a fase final disputada em duas mãos, a UEFA eliminou o risco de eliminações prematuras e garantiu mais exposição televisiva às grandes marcas, reduzindo o número de participantes (quase o dobro do que queria Berlusconi) ao mesmo tempo que aumentou o número de jogos de maior interesse mediático e multiplicou as possibilidades dos financeiramente mais poderosos chegarem às imensas recompensas do jogo final.

Os uis! desapareceram, a UEFA estava safa e ainda aumentou as receitas de publicidade para si e para os clubes, mas a ideia da Superliga não desapareceria, claro: o tipo de lucros, por um lado, e por outro a fraca regulação, cheia de alçapões, perdões e até apoios diretos e indiretos dos Estados, torna o controlo da atividade económica do futebol num prémio único e extraordinariamente cobiçado. Já este século voltou a aflorar num grupo de pressão com 14 clubes co-fundado por um português, Pinto da Costa, perdão, FC do Porto, que queria precisamente uma Superliga fechada — clube mixuruca (como o Benfica e o Sporting) não entra.

A escaramuça do G-14 com a UEFA redundou na Associação de Clubes Europeus, fundada em 2008: se queres vencer uma estrutura de burocratas, tens de a enfrentar com um exército de burocratas.

Portanto e para terminar: não é o futebol que acaba, mas tu podes acabar com o futebol. Qual é o teu momento? — essa é que é a pergunta certa. Em que momento é que o futebol deixa de ser “apaixonante” ou “verdadeiro” ou “merecedor”. Se calhar já te aconteceu em 1990 com as SAD. Ou quando percebeste, já este século, que a Federação Portuguesa de Futebol, e por conseguinte a seleção, não te pertence, é uma entidade privada, e por conseguinte a a seleção deixou de ser de “Portugal” para ser da FPF.

O meu começo no jornalismo foi num jornal de futebol e foi no desporto que trabalhei quase metade dos meus 34 anos de jornalista. Acabei por gostar de ver futebol e vi jogos mesmo depois de não ter de os ver por motivos profissionais. Sei qual foi o meu momento: quando, em agosto de 2017, um clube europeu pagou 222 milhões de euros por um futebolista. Considerei uma verba pornográfica. E tomei uma atitude. Nunca mais vi um jogo de futebol. E hoje foi a primeira vez, desde então, que concedi um minuto que fosse de atenção ao setor.

Se tiveres sorte, farás da Superliga europeia o teu momento de acabar com o futebol. Sem ilusões: a atividade continuará, agora num novo ciclo de provavelmente outros 30 anos. Até ao ciclo dos robôs contra humanos. Ou do ciclo de um só jogo, contínuo, entre quatro marcas “galácticas” (aposto nesta hipótese).

Aprofundar:

  • Capitalismo nos outros é refresco. Mesmo o actual formato da Liga dos Campeões já se aproxima de uma Superliga europeia (as ligas mais ricas estão sobre-representadas e só os mais ricos ganham, com a excepção do Futebol Clube do Porto em 2004). Aquilo que estes clubes, agora, decidiram fazer foi dar o (pequeno) passo lógico seguinte, no sentido de tornar essa competição o mais rentável possível, à luz do que sucede nas grandes competições desportivas norte-americanas, que há muito seguem a lógica empresarial (desde a NBA até à UFC). Gabriel Leite Mota no Público
  • Mitos e ideias erradas acerca da Superliga, pelo António Tadeia
  • Criado pelos pobres, roubado pelos ricos. A vergonhosa Superliga da Europa é um desastre para o futebol. Mas é apenas o último passo gentrificador para os capitalistas se apropriarem da beleza do esporte que as comunidades da classe trabalhadora construíram. Brais Fernandez e Xaquin Pastoriza em Jacobin Brasil
  • La Superliga no tiene vuelta atrás. Responde a la conversión del fútbol de élite en un macro-espectáculo televisado global, cuyos protagonistas quieren autoorganizarse. El establishment tradicional -poco profesional y estragado por la corrupción- tendrá que negociar la transición. Francisco Longo no Twitter
  • World in Motion: The Inside Story of Italia ’90. Rediscovers a time when the game stood on the brink of change, with the Premier League and Champions League on the horizon. Kindle Edition em saldo

Lateral mas ainda assim. Para contrapor à Superliga europeia, assim em jeito de aviso ai ai que ainda me matam o futebol, há quem fale das alternativas de entretenimento, desde os derivados (por assim dizer) do futebol como o futebol de sete, o futebol de praia e o futebol feminino, até aos novos desportos de grande impacto audiovisual somado ao atrativo tecnológico — os e-sports.

O apetite por estes últimos tem crescido imenso, é facto. Mas não estou a ver como é que as alternativas possam constituir alguma espécie de ameaça à Superliga. Pelo contrário: ajuda à lógica de maximizar o lucro concentrando a divulgação no topo das marcas mais fortes.

Segunda-feira, 19 de abril de 2021

Hoje a boa notícia vem da Alemanha, onde Os Verdes indicaram a co-líder Annalena Baerbock como a sua candidata a chanceler. É a primeira vez que o fazem e têm um bom motivo: há hipóteses, modestas mas reais, de vencerem as eleições federais em setembro. A má notícia: os Censos 2021 continuam a perguntar pelo sexo binário. Shame on you.

Na Alemanha Os Verdes indicaram a sua candidata a chanceler. “A ação climática é a tarefa do nosso tempo, a tarefa da minha geração”, aviou Annalena Baerbock o seu discurso de nomeação. Bom slogan.

Pontos a reter:

  • à partida parece presunção, ou um exercício de relações públicas, Os Verdes terem uma candidatura a chanceler. Mas as sondagens e a evolução da política alemã nos últimos três meses justificam: um chanceler verde tornou-se uma possibilidade real com o partido no segundo lugar nas sondagens muito perto do bloco CDU-CSU; Baerbock tem uma hipótese modesta mas realista de liderar a Alemanha em Setembro
  • Os Verdes têm uma liderança bicéfala e o co-presidente Robert Habeck até tem maior popularidade, mas a escolha acabou por recair em Annalena Baerbock, 40 anos. Desde que há três anos assumiram a liderança o partido cresceu imenso (ver gráfico acima)
  • É dado assente que Os Verdes integrarão o futuro governo da Alemanha. Até agora, a sua única experiência governamental fora a coligação com os sociais-democratas entre 1998 e 2005, com Joschka Fischer a assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-chanceler

Alguns analistas desenham cenários que até excluem a coligação CDU/CSU. A matemática eleitoral pode de facto permitir um governo liderado pelos Verdes em coligação com os sociais democratas do SPD e os liberais do FDP. Um cenário extremo é levantado como pavor pelos comentadores mais à direita: uma coligação “de esquerda” entre Os Verdes, SPD e Die Linke. Mas tal teoria tem por única finalidade procurar chamar à democracia cristã os votos que fugiram da pragmática Angela Merkel para Os Verdes, não menos pragmáticos mas voltados para o futuro.

  • Verdes apontam Annalena Baerbock para a corrida a chanceler da Alemanha. Na Contacto

Três notas sobre o Censos 2021, que começou hoje:

  • como sabes, programei o agente autónomo que atende as chamadas das pessoas com dúvidas. De manhã tivemos um pico de 30 minutos com 2.000 chamadas por cada 10 minutos! Uma brutalidade. O agente deu conta, sozinho e com satisfação dos utentes, de 11% das chamadas. Ou seja, foram menos 3.500 chamadas a entupir as filas de atendimento
  • cá em casa arrumámos o questionário em 15 minutos. Nenhum problema no site, nenhuma dúvida nas perguntas
  • é lamentável que em 2021 o INE coloque a questão do sexo em termos binários

Correio

J.C. exorta-me a continuar “as notas sobre as tentativas de mudança nos Estados Unidos. Vale a pena ir revisitando e acompanhar, está ali muita coisa em jogo, à escala global”. Tenciono, sim. Joe Biden surpreendeu-me. Arrumou pura e simplesmente com qualquer espécie de “legado Trump”. Verdade que não seria tarefa assim tão difícil uma vez que Trump foi um monte de vazio cheio de nada. Mas ainda assim: fê-lo. Em horas. Respect.

N.H. referindo-se ao texto sobre a inclinação à direita dos media portugueses: “acrescentaria à sua lista também a RTP que, infelizmente, não se distingue, em termos de informação, das restantes TVs, por vezes, pelo contrário”. Hesitei, confesso. Mas é a única informação televisiva que consumo, que consigo consumir, as outras são tão inclinadas que correram comigo. Ultimamente até consigo ver os noticiários apresentados por José Rodrigues dos Santos; tem sido menos histérico com a pandemia, permitindo o consumo normal do noticiário, ou pelo menos da abertura (eu sistematicamente desligo ou mudo de canal quando chega o futebol, passo em fast forward os chouriços dos diretos absolutamente destituídos de interesse a partir dos locais onde aconteceram ou vão acontecer coisas e nunca vejo as secções crime e doutrinação partidária). Em termos de televisão, o que resta de pluralismo está na RTP.

Domingo, 18 de abril de 2021

Hoje foi um dia bom na frente contra a pandemia. Cumpriu-se o plano de vacinar massivamente no fim de semana com 183.000 vacinas dadas em 2 dias. Compilo outra boa notícia: está a avançar a proposta de uma taxa mínima global. E outra ainda: Estados Unidos pediram desculpa por se terem retirado do Acordo de Paris. A Administração Biden atirou o “trumpismo” para um poço muito fundo e tapou-o com 1.000 toneladas de bom senso. Quem diria.

Grande Destaque para o número do dia: 183.000. Vacinas administradas no fim de semana. Gouveia e Melo: muito bem, obrigado!

Está em cima da mesa mundial uma taxa mínima global de imposto sobre as empresas e quem a colocou foi nada menos que a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. Já foi até proposto um valor: 21%.

O objetivo da Administração Biden é garantir que os governos tenham sistemas fiscais estáveis, que recolham receitas suficientes para investir em bens públicos essenciais e responder a crises, e que todos os cidadãos partilhem equitativamente o fardo do financiamento dos governos.

Não deixo de notar a simetria com a ideia do Rendimento Básico Incondicional, uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade.

A ideia tem vindo a ser congeminada há alguns meses ao mais alto nível e, ainda que fossem sendo anunciados e propósitos diferentes, o pano de fundo é o mesmo: a perda de receitas fiscais como consequência da liberalização financeira global. Ainda em dezembro Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, referia que Portugal esperava pela OCDE para taxar as multinacionais tecnológicas — o eufemismo com que a política trata o GAFAM, acrónimo de Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft. O que viria a ser a Administração Biden jogava as suas cartas desde meses anteriores e nesse dezembro Siza Vieira já dizia: “com Biden tudo será mais fácil”.

E foi. A administração Biden já apresentou a 135 países uma proposta para taxar as grandes multinacionais com base nas receitas obtidas em cada geografia. A nuance é que se destina, afinal, a todos os setores, e não só à tecnologia.

O Fundo Monetário Internacional mostrou-se “muito a favor” desse imposto mínimo sobre as empresas, de modo a combater a evasão fiscal no mundo. E a proposta foi igualmente bem acolhida por outros países, incluindo a Alemanha e Portugal. Que tem “claramente a ganhar” diz o secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes.

O português está claramente alinhado com os Estados Unidos, o país que finalmente viu a luz. Numa declaração de guerra às jurisdições com impostos baixos em todo o mundo, Janet Yellen exortou os países do G20 a avançarem para a adopção do imposto mínimo global. A medida tenta inverter uma “corrida de 30 anos para o fundo” em que os países recorreram à redução das taxas do imposto sobre as sociedades para atrair empresas multinacionais.

A competitividade é mais do que a forma como as empresas sediadas nos EUA se comportam contra outras empresas em licitações globais de fusões e aquisições”, disse Yellen. Acrescentando: “é importante trabalhar com outros países para acabar com as pressões da concorrência fiscal e da erosão da base fiscal das empresas”.

Aprofundar:

  • Minimum global tax on big firms could raise $245bn. No Daily Business
  • “Portugal tem a ganhar” com imposto mínimo global sobre as empresas, diz Mendonça Mendes. No Eco
  • Why global tax talks are back on the agenda. Na BBC
  • Janet Yellen calls for global minimum corporate tax rate. US treasury secretary’s comments come as Republicans and some Democrats push back on Joe Biden’s $2.3tn infrastructure bill. No The Guardian

Esta mudança de atitude dos EUA reflecte três realidades.

  • A primeira é a diminuição dos impostos sobre as empresas nos EUA, apesar de uma quota crescente dos lucros dentro do PIB dos EUA. Estima-se que 20 por cento da carga fiscal dos EUA passou de corporações para indivíduos desde 1945. Trata-se de uma tendência insustentável, e sem dúvida uma das razões para o declínio do bem-estar económico da classe média americana.
  • A segunda é a continuação da utilização de paraísos fiscais pelas empresas americanas. Aproximadamente 60% dos seus rendimentos são agora registados em tais locais, estando por conseguinte em grande parte fora do alcance do governo federal estado-unidense.
  • Em terceiro lugar, devido ao enorme subinvestimento no IRS, a taxa de auditoria das empresas americanas caiu pelo menos 50% na última década. Aumentou consideravelmente a possibilidade de as fraudes fiscais dos EUA escaparem ilesas.

O objectivo de Biden é triplo. Quer receitas. Ele quer corrigir o desequilíbrio na cobrança de impostos, tornando efectivamente o sistema fiscal dos EUA mais progressivo como resultado. E, pelo caminho, quer cortar os actuais subsídios fiscais ao investimento empresarial e substituí-los por subsídios directos para acções específicas que o seu governo considere mais adequadas. No fundo, quer recuperar o controlo da sua base tributária.

Traduzido do guest post de Richard Murphy, Biden’s global tax plan is not without its challenges. No FinancialTimes


EUA pediram desculpa por se terem retirado do Acordo de Paris, noticia a RTP. O presidente estado-unidense convocou para a próximas quinta e sexta-feira uma cimeira climática virtual. Joe Biden espera impulsionar a luta contra a mudança climática com a cimeira no Dia da Terra, mas uma pergunta preocupa os participantes, a começar pelo vizinho Canadá: é possível confiar nos EUA? É que o passado do país é turbulento. Esta peça da AFP expande a questão e dá pistas.

🚀 ☀️ ☄️ Aqui lavro a minha discordância do António Tadeia acerca de The 100, a série que ele hoje critica (ver abaixo). Não é tanto a nota 2 em 10 — uma negativa baixa. Mesmo que eu a subisse, não alterava o sentido: com mais um ponto, no máximo dois, a nota continuaria negativa. Nisso concordamos. É porque um “doente” da ficção científica, como o António reclama ser e eu também, um verdadeiro maluquinho do género, traga o “misto de Morangos com Açúcar com Beverly Hills 902010 passado num planeta distante” todinho, de uma ponta à outra, a arfar como um junkie envergonhado à porta do centro de tratamento ou um copy disfarçado à entrada do cinema na noite dos publidevoradores.

Bottom line. Se a fc não te diz nada ou te sussurra get the fuck off entre dentes, leva a sério o 2 em 10 e procura outro açúcar. Mas se te diz, tens ali muitas horas para te retorceres como um peixe no anzol. São 7 temporadas 7. Com um índice “encher chouriços” de uns 90%. É mau. Mas não desgrudas. Mas é mau. Mas não desgrudas. 😅 😅

Sexta-feira, 16 de abril de 2021

Hoje especulo sobre as razões para termos a maioria ideológica da direita nos mass media contra a maioria sociológica humanista de esquerda, que continua patente quando os cidadãos se manifestam enquanto eleitores. Isto a propósito de mais um jornal de direita.

Iniciou publicação esta sexta-feira mais um jornal semanário de direita em Portugal. O Novo é irmão do Sol e primo do i, todos do mesmo grupo. Vem aninhar-se na direita com o Expresso, Diabo, Observador, Jornal Económico, Jornal de Negócios, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Sábado, TVI e SIC (sou capaz de me ter esquecido de algum).

É sempre bom para um jornalista iniciar um novo projeto. Há uma dose de confiança renovada. Muda-se porque oferecem melhores condições — o que é sempre visto como um reconhecimento e valorização. Acredita-se que se vai fazer melhor. Compreendo a satisfação que vi no Facebook a vári@s jornalistas.

Mas para não jornalistas o projeto cheira a mofo e a mais do mesmo. E para o pluralismo que carreia oxigénio para as veias da democracia, este Novo não contribui. Disso tenho pena.

A formatação da opinião pública numa grelha de pensamento de direita é um facto. A propaganda dos valores de direita é hoje hegemónica. Quando tens 20 ou 30 anos, podes dar pouca ou nenhuma atenção a isto. Mas à medida que o novo perde importância e as experiências se repetem, passas a ver melhor a pintura que é a sociedade, vês os movimentos e os objetivos de quem os faz. É assustador ver que desapareceu do espaço público português o movimento do pensamento de esquerda.

Os valores humanistas e sociais estão a ser erradicados. A frouxa corrente cristã ligada à direita é tudo o que resta de humanismo no pensamento hegemónico difundido pela imprensa — e também tem cada vez menos importância.

Esta asfixia prejudica a democracia. E é escondida atrás da retórica mentirosa do marxismo cultural pela classe dominante, que tem o domínio esmagador da opinião publicada e televisiva.

Ao longo da primeira década deste século a agenda pública tinha algum equilíbrio promovido por um PS ainda com veleidades de comunicação e muito por obra e graça da eficácia da comunicação do Bloco de Esquerda, que ainda gozava dos juros de “boa imprensa” por ser um partido inovador com os enérgicos Francisco Louçã e Miguel Portas. Esse equilíbrio foi visceralmente abalado ao tempo da chegada ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas; a recessão pós-crise financeira de 2007–08 foi usada como instrumento para impor as narrativas ultra-liberais. O movimento articulou-se nesses anos e é solidamente financiado não só pelos grupos que controlam mais de 90% da imprensa, todos ligados à área da direita, mas também pelos grupos internacionais de extrema-direita, que controlam com total eficácia a comunicação nas redes Facebook e Twitter, com a sua agenda de erosão implacável e metódica da democracia e do estado de Direito.

Não sei até que ponto se pode ligar este movimento com a transição da academia para uma agência de certificação profissional e para a investigação patrocinada, e dependente, dos grupos económicos. Ou talvez se trate de uma coincidência na linha temporal.

Até que ponto a fraqueza que hoje sentimos no jornalismo tem origem nesta asfixia do pluralismo democrático? E até que ponto a fuga dos leitores se dá por não sentirem representatividade?

Há um diferencial por explicar e explorar: entre a maioria sociológica humanista de esquerda, que continua patente quando os cidadãos se manifestam enquanto eleitores, e a maioria ideológica da direita nos mass media — imprensa e televisão.

Certamente! tem uma elevada percentagem de assinantes que são ou foram jornalistas. É provável que alguns de vós considerem que exagero. Estou ciente. E estou aberto ao debate. Assim, mediado. No Facebook é impossível. Aqui, basta premir no botão de responder e afiar o lápis dos argumentos.

O que me leva ao correio dos leitores: há semanas que não incluo a secção, mas está prometido o seu regresso para breve.

Quinta-feira, 15 de abril de 2021

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez. E ainda: um dataset relacionado com a pandemia para investigadores e jornalistas explorarem.

Desagrada-me em José Sócrates a atitude face ao Partido Socialista. As instituições são maiores que as pessoas. Todas as pessoas. Isto inclui fundadores históricos e grandes conquistadores (e criminosos, acumulem ou não com outras definições). Sócrates tem todos os direitos, incluindo o de criticar o seu antigo partido. Criticar não me desagrada. Desagrada-me o modo como o faz: pessoalizando o assunto. Como se ele fosse credor e o partido devedor. Não: o partido não o serve. Ele serviu o partido. Ele, above all people, devia saber o que é um partido político e quais as regras implícitas da vida política.

Para abordar o assunto Sócrates é comum ver declarações iniciais de auto-crítica. O típico “eu até votei nele mas”. Compreende-se, embora seja errado. E corrigir este erro é um dever de cidadania. Vivemos uma época intensa em que cada palavra é um punhal ou um carinho. Por exemplo: eu regressei ao voto no PS por causa de José Sócrates. Mas fui eleitor do PS, não de José Sócrates. A distinção é importante não por qualquer tipo de demarcação — estive em comícios, ouvi Sócrates e outros socialistas, gostei das propostas e achei que ele tinha a visão e a paixão necessárias para conduzir o país e não me arrependo de ter votado nem me envergonho desse momento nem do Sócrates dessa época — mas para ficar claro o ponto principal: em eleições legislativas, votamos em programas de ação e seus executores embainhados por partidos.

José Sócrates é um cadáver político que insiste em circular como se estivesse vivo. É um passivo tóxico desprovido de auto-consciência. Fernando Medina (para minha surpresa) disse o que havia para dizer para o despertar para a dura realidade. Sócrates preferiu continuar no sono a sonhar que tem capital político. Se realmente se vê como um Lula, como decorre de comportamentos e afirmações públicas, é lamentável. Não falo da matéria processual. Comparo somente as figuras políticas. Se tivéssemos uma escala de lulismo de 0 a 10, Sócrates não passava de um 2, correspondente às doses de carisma e importância histórica. E mesmo sobre Lula há dúvidas quanto à sua importância política atual e futura. Sobre Sócrates há a certeza de que passou a capital negativo.

As palavras de Ana Catarina Mendes, que só conheci depois de ter escrito os parágrafos anteriores, alargam o círculo de contundência que vai apertar em torno de Sócrates se este insistir em afrontar o partido. “O PS nunca apagou a história do seu partido e, felizmente, sabe que José Sócrates deu a primeira e única maioria absoluta ao partido, foi secretário-geral, foi primeiro-ministro e entende que, em processo judicial, e desde o início, há quase sete anos, sempre disse que deixaria o processo correr na justiça, deixando-a fazer o trabalho que tem de fazer”, disse a líder da bancada do PS na Circulatura do Quadrado.

Notícias:

No âmbito processual, José Sócrates tem todo o direito de se defender e usar o que estiver ao seu alcance que entenda que contribui para a defesa. Todo. E é inocente até prova em contrário. Aos meus olhos como aos olhos da maioria.

É minha convicção que sacrificar o seu antigo partido no altar do seu ego não contribuirá uma vírgula a seu favor.

Fiquei a matutar na crónica de Maria Antónia Palla no Público (€): Sócrates: porquê tanto ódio? Em particular nestas palavras: “há alguns séculos atrás gritariam “Sócrates para a fogueira!”. Agora dizem-no de forma mais sofisticada. Mas queimam à mesma uma pessoa, destruindo o seu passado, infectando o seu presente, roubando-lhe o futuro.

Fiquei a pensar nisto por causa de Isaltino Morais. Foi a tribunal, foi condenado, cumpriu pena, regressou à vida política, foi eleito novamente. Não é uma questão dos casos serem comparáveis: não são. Mas não é a diferença de grau entre os dois casos que justifica nem o ódio de alguns nem a obsessão particular da Imprensa com o ex-primeiro ministro.

Está por escrever a crónica dessa obsessão, como está por investigar a história desse ódio.

A personalidade tem alguma importância. O ar arrogante de Sócrates é um pára-raios de despeito, o charuto de Isaltino cria uma atmosfera pesada mas sem sinal negativo particular. Mas não explica tudo.

A inveja tem porventura maior responsabilidade. A figura masculina e elegante, o ar sofisticado, o gosto pelo bom, a frequência do luxo pequeno-burguês (*)— Sócrates apresentava grande parte da panóplia de tiques comuns às pessoas de sucesso que sempre funciona para catalizar emoções — e estas são voláteis, como sabemos de ver tantas celebs do aviário mediático caírem em desgraça junto dos antigos fãs de uma palha para outra. Isaltino não tinha um apartamento de luxo em Paris. Não há na comunicação social meios suficientes para implantar nas audiências o ódio a um homem banal.

(*) O “luxo” de Sócrates consubstancia-se num apartamento que na escala de Paris é francamente modesto e noutro apartamento no centro de Lisboa de gosto duvidoso que só pode ser classificado de “luxo” pelo lumpen-precariado dos jornais e pelas classes médias e baixas que só viram ricos nas capas dos magazines e revistas. Isto de resto ajuda a enquadrar a inveja: nós, as massas, invejamos o que vemos mas daqui o verdadeiro luxo raramente se vislumbra.

A resposta dos bancos centrais à crise COVID-19 foi rápida. Que políticas implementaram? Como a resposta foi diferente por região? Que tipo de políticas adotaram os países?

Este dataset abrange mais de 900 anúncios de 39 bancos centrais, agrupados por instrumento monetário: taxas de juro, políticas de reserva, operações de empréstimo, divisas, e compra de activos. Os investigadores também “fornecem mais detalhes relevantes para cada tipo de instrumento, tais como a maturidade e se o instrumento era novo ou não para o banco central”.

A global database on central banks’ monetary responses to Covid-19 é um maná para investigadores, interessados e jornalistas.

Terça-feira, 13 de abril de 2021

Hoje abrimos com a pandemia e fechamos com o jogo de futebol em que a Imprensa transformou a leitura do despacho da fase de instrução do processo judicial maior desta democracia com quase meio século. Pelo meio conto-te um sucesso profissional.

Tenho escrito o menos possível sobre a pandemia Covid-19. Há um ano entretive-me com uns scripts para prever a evolução e depressa abandonei a publicação no Facebook. Motivo simples: quis ativamente não contribuir para a gritaria geral quanto abundam por aí, nas redes como na imprensa, os especialistas, que fiquei a seguir atentamente.

Este ano escrevi sobre a pandemia em três ocasiões. No dia 7 de março no Certamente! dei uma nota otimista, o que era um atrevimento. Três dias depois temperei o otimismo com uma apreensão, pois o ritmo de vacinação estava incerto e o futuro era nebuloso. No dia 3 de abril atrevi-me novamente, antecipando que não teríamos necessidade de voltar a usar “a bomba de neutrões do confinamento”.

A evolução tem confirmado o racional do meu otimismo cauteloso. E hoje tenho de corrigir em alta algumas previsões. É o caso dos 70% da população com um nível suficiente de anti-corpos que permita a expressão tão incorreta, coitadinha, “imunidade de grupo”. Atirava o número para o outono, novembro, e a evolução da pandemia permite aos cientistas situar esse momento em agosto — dois a três meses de antecipação.

Estamos agora num momento delicado, em que o Governo terá de tomar uma decisão com risco. “Estes dias que estamos a viver são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou noutro e para que possamos tomar decisões na quinta-feira para o período que vem a seguir ao dia 19, para o qual estava previsto um conjunto de decisões, mas a nossa estratégia gradual poderá ter paragens ou avanços”, disse Marta Temido. A ministra da Saúde preparou hoje o terreno dramatizando o suficiente o momento para deixar a António Costa todas as hipóteses em aberto, da forma mais confortável possível.

Estou confiante que o plano de desconfinamento progressivo vai continuar sem paragens forçadas na esmagadora maioria do território. Talvez o concelho de Portimão sofra um atraso, mas não é ainda certo. Vai por mim.

Muitos leitores deram pela irregularidade do Certamente! nas três últimas semanas. Referi em meados de março o que iria provocar esses saltos: os Censos deste ano. A empresa para a qual trabalho é a responsável pela linha de apoio dos Censos 2021 e o meu papel foi desenhar o fluxo conversacional da parte automática do atendimento. Ou seja, a entidade com voz feminina que recebe os telefonemas, ouve as dúvidas e fornece as respostas sempre que as tem, transferindo as chamadas nos casos que ultrapassem as suas competências.

Não te vou maçar com detalhes, embora me apeteça 😀 Apenas adianto que o sucesso foi enorme, acima das expetativas. Dos clientes e da minha, que já passei por estes partos as vezes suficientes (seis) para saber o quanto demora a atingir um nível decente de treino da linguagem natural que é a “alma” e o “cérebro” da entidade. Tendo em conta o curto prazo de que dispusemos, foi mesmo um grande desempenho da equipa que integro. Orgulhoso.

A leitura de um despacho não é um jogo de futebol nem uma transmissão de um GP de Fórmula 1. Tratá-los da mesma maneira levanta um grave problema. Não sei se os responsáveis da Imprensa se dão conta disso. Tudo indica que não.

Como vemos um direto de futebol? De cerveja e cachecol. É um evento de emoções. Todos os eventos transmitidos em direto o são — a cerimónia dos Óscares, a final da Champions, um concerto de pop rock. Até a reunião do Infarmed tem uma componente emocional forte para as audiências não profissionais.

Reagir a quente aos acontecimentos é a norma. Se gostamos, batemos palmas e elogiamos. Se não gostamos, assobiamos e pedimos a cabeça de alguém — quase sempre, do árbitro. Sabemos, todos, que tem o valor que tem: no dia seguinte, no movimento seguinte, com a cabeça mais fria, já podemos comentar e detalhar.

Só um louco ou um irresponsável não estabelece uma linha diferenciadora entre a leitura do despacho pelo juiz Ivo Rosa e um Benfica-Porto. E contudo nenhum órgão de comunicação social a estabeleceu. O tratamento dado aos eventos foi o mesmo. Falo sobretudo dos lives nos sites e redes sociais dos jornais, o processo é o mesmo: tudo em bruto, emoções ao rubro, o maior grau de imersão que formos capazes de proporcionar.

Ora, até num jogo de futebol precisamos de intermediação para compreender o que esteve em jogo, o que se passou, porque se passou, e com que consequências!

A ausência de linha diferenciadora leva a que a transmissão em direto, sem intermediação, de todo e cada um dos detalhes da leitura do despacho tivesse um carácter demolidor no espaço público e em segundo lugar levou a uma grande confusão na maioria das pessoas. O que se passou, as conclusões que se puderam tirar no fim — e foram tiradas — , são o contrário do que essa maioria absorveu ao longo da espicação permanente da torrente de frases avulsas com que os jornalistas iam mostrando e descrevendo as palavras do juiz.

Como é evidente, a desinformação traiu o cidadão, que no dia seguinte ficou confuso: afinal não era a sentença, afinal vai ser julgado, afinal tem fortes possibilidades de ir cumprir pena de cadeia por muitos anos, afinal até o banqueiro corruptor e os outros ainda podem ser julgados, afinal nada do que parecia foi.

Não é precisa sofisticação intelectual nem conhecimentos especiais para seguir um jogo de futebol em direto e saber o que é um golo. O mesmo não se pode dizer de seguir em direto a leitura de um despacho, qualquer despacho e sobretudo um despacho que não é um despacho qualquer, como era o caso na sexta-feira. Este tipo de eventos necessita em primeiro lugar de compreensão pelos experts de comunicação, como se espera que um jornalista seja, para fazer o trabalho indispensável de servir de guia ao cidadão. O direto é neste caso a negação da informação.

A imprensa prestou o serviço contrário ao que dela se espera e não cumpriu o contrato. Não basta, de todo em todo, proclamar-se que se é indispensável à democracia: é preciso parecê-lo e sê-lo.

Não servem de nada estas palavras? É provável. É também lamentável.

2021/04/21

What are the world’s 35 biggest meat and dairy companies doing to mitigate climate change? Animal agriculture now contributes a total 15% of global greenhouse gas emissions, and accounts for 23% of anthropogenic warming on our planet. But who holds responsibility for this large scale damage? Farmers? The consumers they feed? A new study tackles this question by examining the rather more shadowy figures in this equation: global meat and dairy companies. In the new study, researchers examine the role of the world’s biggest meat and dairy producers in shaping the industry’s broader climate impact. What they unveil is a general culture of dismissiveness over livestock emissions—and even more strikingly, the direct role that many of these influential companies play in trying to undermine climate science. @Anthropocene Anthropocene

2021/04/20

Facebook unveils suite of new audio products. Facebook CEO Mark Zuckerberg on Monday said Facebook was launching a suite of new tools and features designed to help users better connect with each other and their favorite creators through audio. Why it matters: The digital audio craze has exploded during the pandemic, prompting several of the biggest tech and social media giants to double down on new audio features. @Axios Axios

The European Union has launched a multilingual platform to help citizens participate directly in the Conference on the Future of Europe, a year-long series of debates and discussions that aims to reshape the bloc. @Euronews Euronews

For now, the current tax debate is more about the mix of taxes than their level. It’s about smarter rather than higher taxes. The key here is to shift from taxing labor to taxing the use of resources. Policymakers should therefore consider introducing progressive consumer taxes on resource-intensive goods. This is not a new idea. Economists have long argued that funding income-tax cuts by hiking taxes on resource usage and environmental harms would be more efficient and equitable. Such taxes would address the market’s failure to penalize polluters for the costs they inflict on society. @Mark Cliffe, Project Syndicate Mark Cliffe, Project Syndicate

La FAO estima que, desde 1990, se han perdido hasta 420 millones de hectáreas de bosque fruto de plagas, incendios, sequías y fenómenos meteorológicos adversos. Con el 2030 cada vez más cerca, ¿qué será de los pulmones verdes? @Ramón Oliver, Ethic Ramón Oliver, Ethic

O futuro sombrio previsto por agências de inteligência dos EUA para o mundo em 2040. O relatório foca nos fatores-chave que vão impulsionar a mudança. Um deles é a volatilidade política. @BBC BBC

Complexity: How the Profound Changes in Economics Make Left Versus Right Debates Irrelevant. I will outline three ways in which new economics may impact policy and politics. First, new economics may offer better tools for policy development and analysis – I will discuss an example from the financial crisis. Second, new economics has the potential to change the way we think of the role of government and policy itself, yielding new ways of designing policies in general. Third, new economics offers the intriguing possibility of developing new political narratives – this is the least developed aspect of new economics, but perhaps the one with potential for greatest long-term impact. @Eric Beinhocker, Evonomics Eric Beinhocker, Evonomics

Morreu Walter Mondale, vice-presidente de Jimmy Carter, que teve papel transformador da presidência dos EUA. Tinha 93 anos. axios.com

2021/04/19

Most artists are not making money off NFTs and here are some graphs to prove it . These numbers do not show the democratization of wealth thanks to a technological revolution. They show an acutely miniscule number of artists making a vast amount of wealth off a small number of sales while the majority of artists are being sold a dream of immense profit that is horrifically exaggerated. Hiding this information is manipulative, predatory, and harmful, and these NFT sites have a responsibility to surface all this information transparently. Not a single one has. @Kimberly Parker, Medium Kimberly Parker, Medium

Cidadãos Europeus podem pedir indemnização ao Facebook pelo leak de dados. A Digital Rights Ireland quer processar o Facebook pelo leak de dados de 533 milhões de utilizadores, e está a pedir aos europeus afectados que se juntem ao processo. @Aberto até de Madrugada (dica L.G.) Aberto até de Madrugada (dica L.G.)

Nomadland o País de Nómadas es la película de moda, y estamos de enhorabuena porque esta cinta esté entre las más aclamadas tanto por la crítica como por el propio público, porque aunque lo que cuenta es descorazonador e indignante a partes iguales, lo realmente esperanzador es que esta suerte de documental descarnado haya llegado hasta donde ha llegado. La cruda realidad que nos muestra Nomadland al desnudo es la de miles de ciudadanos estadounidenses, la mayoría de ellos de edad avanzada y sin recursos económicos, que viven efectivamente como nómadas. Malviviendo en antiguallas de furgonetas, auto-caravanas y todo lo que permita vivir dentro sobre ruedas, se recorren el país enganchando trabajo precario tras trabajo precario, a fin de poder escaparse del hambre un año más. Y eso sólo evidencia el fracaso de una socioeconomía que necesita refundarse porque ya no es capaz ni de proveer un retiro digno a una parte no despreciable de sus ciudadanos, y que los condena a la miseria octogenaria tras haber sufrido la explotación laboral más sangrante como septogenarios. @El Blog Salmon El Blog Salmon

Political reporters are hurting America, so how about getting rid of most of them? As Jay explained: “Politics isn’t really a subject. It’s a phase or dimension of other things. There’s a politics to improving infrastructure in the U.S., but that’s just one part of the problem. When the beat is politics itself there’s a ‘missing’ subject. That vacuum is filled by the game.” For a political story, what matters is the fight and the moves, which party comes out ahead or which politician — or whether someone said something stupid. The working assumption is that there are two sides, and that they are presumptively equally valid. The time frame is generally 24 hours or less. The favored device is the pithy quote. The goal is to find the drama and review it from a remove. @Press Watch Press Watch

The wealth of U.S. billionaires has grown tremendously during the pandemic, and the increase in their wealth alone could pay for a majority of President Joe Biden’s new infrastructure and jobs plan, finds a new report by Americans for Tax Fairness (ATF) and the Institute for Policy Studies (IPS). Between March of 2020 and now, the 719 U.S. billionaires’ collective wealth has grown by 55 percent, finds the report. Their combined wealth grew from $2.95 trillion to $4.56 trillion, a growth of $1.62 trillion. Just the increase in their wealth, the report says, could cover almost 70 percent of Biden’s new $2.25 trillion American Jobs Plan to create jobs and invest in infrastructure across the U.S. @Truthout Truthout

Faz hoje 48 que foi fundado o Partido Socialista. pt.wikipedia.org

2021/04/18

Deputada Joana Mortágua candidata do BE à Câmara de Almada rtp.pt

How People Get Rich Now. Every year since 1982, Forbes magazine has published a list of the richest Americans. If we compare the 100 richest people in 1982 to the 100 richest in 2020, we notice some big differences. In 1982 the most common source of wealth was inheritance. Of the 100 richest people, 60 inherited from an ancestor. There were 10 du Pont heirs alone. By 2020 the number of heirs had been cut in half, accounting for only 27 of the biggest 100 fortunes. Why would the percentage of heirs decrease? Not because inheritance taxes increased. In fact, they decreased significantly during this period. The reason the percentage of heirs has decreased is not that fewer people are inheriting great fortunes, but that more people are making them. @Paul Graham Paul Graham

It’s About Time for Us to Stop Wearing Masks Outside. Briefly passing someone on the sidewalk just isn’t risky. @Slate Slate

Contra "ditadura da presença permanente", Ada Colau deixa o Twitter. A Presidente da Câmara de Barcelona diz que a energia e o tempo empregues no Twitter e nas suas políticas acabam por provocar uma deformação da realidade, sobre-representando as polémicas e os discursos de ódio e promovendo uma percepção cada vez mais negativa da humanidade em geral. @Shifter Shifter

Raúl Castro deixa liderança do Partido Comunista de Cuba. dw.com

How Taiwan beat COVID-19 – new study reveals clues to its success @The Conversation The Conversation

La administración Biden se ha reincorporado al Acuerdo de París y está emitiendo claras señales de querer retomar el liderazgo en las negociaciones internacionales que tuvo en otros momentos, interrumpido durante la era Trump. Incluso China, tradicionalmente reacia a hacer virar su modelo de desarrollo incorporando criterios ambientales, ha anunciado interesantes compromisos de reducción de emisiones. El contexto internacional, por lo tanto, es claramente favorable. @Cristina Monge, Ethic Cristina Monge, Ethic

If you could be one age for the rest of your life, what would it be? Would you choose to be nine years old, absolved of life’s most tedious responsibilities, and instead able to spend your days playing with friends and practicing your times tables? Or would you choose your early 20s, when time feels endless and the world is your oyster – with friends, travel, pubs and clubs beckoning? Western culture idealizes youth, so it may come as a surprise to learn that in a recent poll asking this question, the most popular answer wasn’t 9 or 23, but 36. @Reaction Reaction

Governo injeta 970 milhões de euros na TAP este ano tsf.pt

2021/04/16

A oposição angolana criou a chamada Frente Unida Democrática para tirar o MPLA do poder nas eleições gerais de 2022. Mas nem todos os partidos da oposição fazem parte e alguns não reconhecem a existência da aliança. @DW DW

The Limits of Political Debate. I.B.M. taught a machine to debate policy questions. What can it teach us about the limits of rhetorical persuasion? @Benjamin Wallace-Wells, The New Yorker Benjamin Wallace-Wells, The New Yorker

Death of the newsroom: End of journalism as we know it @Press Gazette Press Gazette

Don’t Panic About Macron’s Reelection (Yet). Macron can’t count on the same margin by which Chirac defeated father Le Pen, but not a single poll has shown him losing to the daughter. In a hypothetical runoff against Marine Le Pen leader, Macron would garner 52 to 56 percent support. That’s down from the 66 percent he won in 2017, but that year polls had underestimated his support, putting it at 59 to 63 percent. @Nick Ottens Nick Ottens

Nearly everywhere one looks nowadays – newsrooms, corporate manifestos, and government agendas – climate change has moved from the fringe to center stage. And central banks, after long standing on the sidelines, have recently begun to play a starring role. The Bank of England, for example, just became the first central bank to include in its policy remit a reference to supporting the transition to a net-zero-emissions economy. The European Central Bank is discussing how – not merely whether – to incorporate climate considerations in its own monetary policy. And the Network for Greening the Financial System (NGFS), a global group of central banks and financial supervisors, has more than doubled its membership over the past two years. Its 62 central banks include those of all but four G20 member states @Isabelle Mateos y Lago, Project Syndicate Isabelle Mateos y Lago, Project Syndicate

Meninas entram cada vez menos no clube de informática masculino. A culpa é dos videojogos. A principal razão apontada por uma investigadora é que os videojogos moldaram o perfil dos potenciais alunos das ciências da computação nos EUA. @TIC tank TIC tank

Sin embargo, a la hora de analizar la conectividad de un país, también es importante contar con los factores sociales y económicos que pueden influir. Para algunas personas, adquirir un equipo informático y conectarse a una red puede resultar demasiado caro: en Portugal, un 10% de los encuestados aseguraron no tener conexión a Internet en casa, precisamente, por este motivo. Lo mismo ocurre en Montenegro, Croacia, Bulgaria y Hungría. Otros, simplemente, no lo ven necesario: es el caso de Serbia (15%), Bosnia Herzegovina (14%), Montenegro (13%) o Croacia (13%). @Cristina Suárez, Ethic Cristina Suárez, Ethic

Diana Santos é a nova deputada do Bloco de Esquerda, substituindo Sandra Cunha. esquerda.net

Fernando Alfaiate (Compete 2020) vai gerir fundos do Plano de Recuperação e Resiliência para 2021-2026. expresso.pt

Pacto de estabilidade. Resposta à covid-19 custa 5.113 milhões de euros em 2021 visao.sapo.pt

Governo estima que carga fiscal recue de 34,6% em 2020 para 33,0% em 2022 rtp.pt

2021/04/15

Given that the balance of power of the multipolar system thus oscillates dangerously between co-operation and conflict, with rival powers—mainly the US, China and Russia—jockeying for global dominance, the EU must carve out a specific role of its own. It will not be easy. As its high representative for foreign affairs and security policy, Josep Borrell, recently pointed out, ‘The weight of Europe is shrinking. Thirty years ago, we represented a quarter of the world’s wealth. It is foreseen that in 20 years, we will not represent more than 11%  of world GNP, far behind China which will represent double that, below the 14% of the United States and on a par with India.’ A Europe that remains resigned and incapable of taking action will soon turn into a global Switzerland, subordinate to the major powers. @Guido Montani, Social Europe Guido Montani, Social Europe

US President Joe Biden’s administration will need to keep this distinction in mind as it tries to “build back better” and reinvigorate science and technology funding after four years of Donald Trump’s dismissal of science and contempt for scientists. The vaccine rollout in the US – and even more so in Europe – shows that it is just as important to get the details of public-private partnerships right as it is to start with an ambitious overall objective. @Mariana Mazzucato, Project Syndicate Mariana Mazzucato, Project Syndicate

En medio de la espesa niebla pandémica, el Iberismo puede parecer una empresa lejana a las preocupaciones actuales de la gente. No obstante, como el propio Gibson muestra, son cada vez más las personas que tanto en Portugal como en España consideran que un mayor conocimiento y una cooperación más estrecha entre los pueblos peninsulares comportaría ventajas innegables. De entrada, contribuiría a una mayor toma de conciencia de una riqueza lingüística, cultural, plurinacional, tan formidable como poco aprovechada. Asimismo, reforzaría el peso de los países del Sur en Europa y ofrecería –como se ha visto la propia negociación de fondos de recuperación– un saludable contrapeso a las grandes potencias centrales y nórdicas. @Gerardo Pisarello, ctxt Gerardo Pisarello, ctxt

PCP quer criar crime de enriquecimento injustificado com pena agravada para políticos. Projeto prevê dever geral de declaração às Finanças a quem tem património e rendimentos de valor superior a 226.000 euros e de atualização sem que se registe um acréscimo superior a 66.500 euros. rtp.pt

há 5 meses

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente

Uma vez jornalista, sempre jornalista”. “O jornalismo é sacerdócio”. “Podes deixar de praticar, mas não deixas de ser jornalista”.

Ao longo da vida sempre ouvi estas frases. Talvez por isso, quando os jornais deixaram de querer os meus serviços, por volta de 2013-14, tive problemas para estabelecer uma bioline. “Ex-jornalista” ia contra o cânone segundo o qual tu nunca deixas de ser jornalista. “Antigo jornalista” idem, além de soar pior. Usei ambos, sentindo-me sempre desconfortável.

Até que deixei de invocar o jornalismo; está no CV, aí permanecerá para sempre, foram 30 e tal anos, uma vida, quase toda a minha vida produtiva, mas faz já algum tempo que não é mais invocável no meu dia a dia. Ter sido jornalista não me confere qualquer grau, prestígio ou estatuto especial. Amig@s e leitor@s podem achar que sim, mas eu sei que não. Outros jornalistas no ativo, em pousio ou na reforma podem achar que sim e cada um falará por si, as vidas são diferentes.

Falo disto porque numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

há 6 meses

Portugal tem menos oposição do que precisa e a culpa é, inteirinha, do PSD

Portugal tem menos PSD do que devia, tem menos oposição do que precisa. E nada disso é assacável a um PS enfraquecido e asfixiado sob o peso da responsabilidade da gestão dos fundos comunitários. A nulidade política da direita portuguesa é para a conta, inteirinha, dela própria. Resulta da deserção de Rui Rio do espaço público onde se negoceiam entendimentos sobre os temas da década.

há 7 meses

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil. Mas é cedo para escolher.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

há 7 meses

17 anos depois, o relançamento

17 anos passam num instante? Não. Demoram. E 20 anos — que é o tempo de vida deste domínio? E 31 anos, que é o tempo que levo a publicar coisas na Internet? São milhares de artigos e páginas e posts por todo o lado. Quando queres consolidar um arquivo destes, é preciso coragem para ganhar balanço. E se queres relançar a publicação pessoal? Escreves uma aplicação que faça a coisa exatamente como a queres.