Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

Terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Hoje há uma novidade no diário, olha aí em baixo a imagem (só acessível na versão e-mail). Já explico, depois de rever uma ideia sobre o segundo mandato de Marcelo e me considerar impressionado por Rio.


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No diário de sábado teorizei que Marcelo faria um segundo mandato diferente e apertaria Costa, pedindo uma remodelação ministerial. Talvez me tenha excedido. A vitória expressiva nas eleições até potenciaria tal, mas dois fatores dos resultados farão o PR pensar duas, três, dez vezes antes de provocar incidentes que possam evoluir para uma crise política.

Um, a votação da extrema-direita. Para esvaziar aquele balão soprado pelos descontentamentos de décadas com um sistema que ficou sempre aquém das expetativas, Marcelo terá de ter muita paciência e tempo.

O outro decorre dessa votação, que contém sobretudo votos do PSD que desconfia dele e odeia Costa e está cheio de nervosismo por não meter a mão na tremenda pipa de milhões que aí vem nos próximos anos. As contas são difíceis, mas eu arrisco dizer que 2em cada 5 votos na extrema-direita foram do PSD. O que significa que Marcelo foi eleito pelo eleitorado PS, como Costa queria e teve.

Marcelo não irá sacrificar o seu legado aos interesses do seu antigo partido. E metam antigo nisso.

Portanto, e resumindo, posso ter-me excedido e aqui fica uma revisão.


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Lembras-te da noite eleitoral e do discurso alucinado do presidente do PSD? Rui Rio continua a atapetar o caminho que vai do Chega ao PSD. Tudo bem, é lá com ele. Se cometer o erro crasso de uma coligação para as autárquicas, estará a dar a Ventura o que ele não tem: estruturas em praticamente todo o território nacional. Se acontecer, e tudo aponta para isso nesta altura, será uma questão de meses até alguém assinar a certidão de óbito do PSD. Impressiona.


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O seguinte quadro mostra onde o excesso de mortalidade é pior. Portugal está num péssimo momento, o pior desde sempre. O gráfico é animado e permite ver a evolução na Europa através do tempo. No Euromomo.


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A pandemia aumentou a urgência: o Rendimento Básico Universal, ou RBI, é cada vez mais falado como uma política possível para resolver alguns dos problemas a que os países não estão a ser capazes de dar resposta depois do capitalismo global ter comido os impostos. Nos EUA 11 cidades vão ter programas de distribuição e há mais 20 a pensar nisso. 2021 Will Be the Year of Guaranteed Income Experiments, escreve Sarah Holder na Bloomberg. (Dica de L.G.)


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Este diário muda a partir de hoje. Há mudanças no modo de produção, mas essas só me interessam a mim. A ti interessa-te saber que passo a publicar uma imagem a abrir a newsletter, assim à guisa de capa. O conceito é simples: séries temáticas de 7 imagens, escolhidas por mim ou por um convidado, autor ou curador. A série de abertura tinha de ser da responsabilidade da leitora número um, a que viu nascer o diário antes de toda a gente. Pintura no feminino é uma seleção de imagens concebidas por pintoras. Na calha estão já séries por ilustradores e fotógrafos.



OPINIÕES

Miguel Vale de Almeida escreve sobre o pós-presidenciais: Tipo, lista para trazer sempre consigo e consultar a toda a hora nos próximos tempos*: MiguelValeDeAlmeida 👉

Rui Bebiano escreve sobre eleitores: Notas avulsas sobre as presidenciais. ATerceiraNoite 👉

Eduardo Pitta também escreve sobre as eleições: A Noite De Todos Os Equívocos. DaLiteratura 👉

Isabel Moreira escreve sobre saúde e Constituição: A saúde que temos o dever de proteger não é uma coisa abstrata. Visão 👉

Maria Manuel Leitão Marques escreve sobre plataformas e Capitólio: Redes vs. Trump. Público 👉

Pedro Adão e Silva escreve sobre o episódio solitário que definiu a noite eleitoral: Um carro que deambula pela Cidade Universitária. Expresso $

Paulo Baldaia escreve sobre esquerda e Marcelo Rebelo de Sousa: Eclipse à esquerda favorece Costa. DiárioDeNotícias 👉

Domingo, 24 de janeiro de 2021

Hoje, o dia de eleições presidenciais, vai trazer novidades à política indígena. Afirma-se a reconfiguração da direita. Estamos todos carecas de levar com o “partido mau”, é tempo da falar do “partido bom”, o Iniciativa Liberal. Já o PSD está perdido, como se viu pelos comentadores da sua área e sobretudo por Rui Rio, que passou a noite a sacudir a batata quente. A direita tradicional está em negação, o que é ótimo para a direita em crescimento.

Nos EUA o alívio com a saída de Trump é tão grande que os americanos estão a dormir melhor! Eheheh, vê no linklog.

...

As presidenciais tiveram três vitoriosos. Marcelo Rebelo de Sousa, claro. António Costa. E a representação, ainda em formação, de um grupo eleitoral novo ao centro-esquerda que se agrupou desta vez em Ana Gomes. Foi apoiada por dois partidos recentes, PAN e Livre, e creio que o novíssimo Volt terá também tido maior proximidade com ela.


1
Rui Rio foi o pior mas em geral os representantes da “direita social” — a designação com que se está a adocicar o PSD — cometeram um grave erro de análise. Percebe-se que queriam usar o momento mediático para vincar uma mensagem partidária. Mas está baseada num erro básico. Rio procurou passar a batata quente da direita — o anti-democrata e radical André Ventura — para a esquerda, do PS ao PCP e BE. Nomeadamente com a tirada de que Ventura ganhou ao PCP no Alentejo.

É fácil fazer a leitura apressada de que há transferência de voto do PCP para a extrema-direita. Mas basta olhar para o mapa dos resultados para verificar que quem alimentou Ventura no Alentejo foi o eleitorado do PSD. Marcelo Rebelo de Sousa cresceu no Alentejo com o voto do PS. O PCP manteve praticamente todos os seus votos. O BE perdeu alguma coisa, dentro da penalização geral. Todo o voto PS das últimas presidenciais (Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém) sustentou o resultado de Marcelo em Évora, por exemplo.


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A recomposição da direita portuguesa não se fica pelo Chega. O partido Iniciativa Liberal tem feito um caminho praticamente simultâneo. Ambos nasceram dentro de um período de dois anos a tempo de disputar as eleições de 2019, ambos elegeram um deputado à Assembleia da República, ambos sangram os outros dois partidos da direita, ambos têm crescido em reconhecimento e em intenções de voto.

O IL tem tido uma subida menos acentuada, refletindo a diferença entre populismo e responsabilidade, bem como a diferença entre grunhice e educação. Por cada eleitor educado que o IL tirou ao CDS, o Chega tirou três eleitores arrivistas e topa-tudo ao PSD.

Mas o IL é um poço de equívocos. Muitos vêem nele uma movimentação tão ou mais perigosa para a democracia que o Chega. A hiper-valorização do capitalismo enquanto valor é a principal responsável por essa visão redutora. Os valores sociais que estão presentes no IL raramente ou nunca afloram no confronto de argumentos. Os mantras do “mercado”, do “capitalismo” e da meritocracia e a aversão, ódio mesmo, ao setor público conspurcam de tal forma as conversas que o liberalismo de costumes não tem a menor hipótese de comparecer na mesa.

Socorro-me da Wikipedia para estabelecer que as ideias e partidos que adotam o liberalismo social são considerados de centro. Assim, os liberais sociais encontram-se entre os mais fortes defensores dos direitos humanos e das liberdades civis, embora combinando esta vertente com o apoio a uma economia em que o estado desempenha essencialmente um papel de regulador e de garante do acesso de todos (independentemente da sua capacidade económica), aos serviços públicos que asseguram os direitos sociais considerados fundamentais. Todavia no liberalismo social, o estado não tem obrigatoriamente de ser o fornecedor do serviço público, tendo apenas de garantir que todos os cidadãos têm acesso a serviços públicos básicos, independentemente da sua capacidade económica.

Ora, o Iniciativa Liberal nasceu agrupando liberais puros e impuros. Estes dois grupos têm um passado pouco recomendável: ambos estiveram na fissão do PSD, empurrando o cabide sublimemente formado na juventude do partido para todas as ideologias, Pedro Passos Coelho, para a liderança, encomendando-lhe uma cartilha neo-liberal bem robusta. (A troika diz mata? Meninos do coro! Moles! Nós dizemos esfola! Nem mais um feriado para a corja!)

O neo-liberalismo — a desregulação selvagem somada à destruição de direitos do trabalho e, em países sem tradição liberal como Portugal, à canalização dos recursos públicos para a iniciativa privada — dominou os primeiros passos da geração de liberais impuros, empolgados com o empoderamento que a blogosfera lhes concedeu no início do século. Os que andaram com Passos ao colo nos media e chegaram ao tristemente célebre governo de desnorte nacional de Passos/Portas, entre ministros, secretários de Estado, gabinetes e comissões de serviço na Imprensa, eram mais thatcheristas e reaganistas que os próprios mãe e pai do neo-liberalismo.

Finda, com traumático estrondo, a irrepetível deriva neo-liberal do PSD, os que não se tinham comprometido demasiado na aventura foram à procura de nova saída. Como deviam. À sua espera de braços bem abertos estavam os liberais puros — tão puros que não se tinham metido no comboio de assalto ao PSD e à Assembleia da República. Outros nem sequer andaram alguma vez com o crachá da esfinge de Reagan nem com o pullover estampado com o icónico rosto de Thatcher a vermelho e azul.

Um pouco como o Bloco de Esquerda a reunir tribos com práticas divergentes, o partido Iniciativa Liberal reuniu tribos liberais com passados divergentes: liberais sociais misturados com neo-liberais duros. Ora, enquanto na direção (da fundação aos atuais corpos) pontificam os puros, o combate nas ruas tem estado a cargo dos impuros, muitos dos quais não conseguiram despir a tempo o fato-macaco passista. O grosso da imagem do partido resulta da atividade destes nas redes sociais. Os cartazes irreverentes não se sobrepõem, muito menos o discurso ponderado do presidente do partido e deputado à AR — e do candidato à Presidência da República, já agora.

Não admira, portanto, a confusão. E a desconfiança.

Para se afirmar o IL terá de ganhar a confiança tanto de seguidores como de adversários políticos.


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É o título do mês: A gramática do amor. O artigo de Vítor Belanciano no Público relembra que as palavras são poder: tanto podem subjugar como empoderar. E segue pelo exemplo das relações amorosas. Recomendo!



OPINIÕES

Daniel Deusdado descreve na primeira pessoa o que é um funeral covid: “Como pode a catástrofe alguma vez vencer-nos?” DiárioDeNotícias 👉

Inês Cardoso escreve: Os políticos não são todos iguais. JornalDeNotícias 👉

Maria Luísa Cabral escreve sobre outro efeito da covid: A pobreza que nos esmaga. Esquerda 👉

Vital Moreira não vê inconstitucionalidade: Pandemia (47): Suspensão Das Atividades Escolares. CausaNossa 👉

Teresa de Sousa escreve sobre os EUA: “Para sarar é preciso lembrar”. Público $

Francisco Seixas da Costa evoca a memória de Baptista-Bastos para escrever sobre as eleições: Dias de presidenciais. DuasOuTrêsCoisas 👉

João Colaço escreve sobre escolas e Constituição da República Portuguesa: Proibição de aulas à distância: incompreensível, contraproducente e inconstitucional. Público 👉

Sábado, 23 de janeiro de 2021

Hoje advirto para o que aí vem a partir de segunda-feira: Marcelo 2.0, uma versão mais dura que o Marcelo 1.0. Também critico a gestão da pandemia por António Costa, mas vamos com calma nisso.


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A partir de segunda-feira o cenário político mudará substancialmente. Marcelo Rebelo de Sousa entra no segundo mandato como Presidente da República e poderá assumir um comportamento assaz diferente do que manteve grosso modo no primeiro mandato.

Os primeiros cinco anos em Belém deram-nos um Presidente católico, centrista e dialogante. Para os segundos cinco anos manter-se-á o Presidente católico. Tudo o mais cairá. Marcelo já deu sinais de estar farto da colagem ao Governo. E às 19 horas deste domingo cai a grande razão dessa colagem: o melhor matemático de popularidade dos políticos em exercício deixa de precisar dos votos dos eleitores do PS.

Não caiu bem o pormenor da queixa de Marcelo no episódio dos seus testes. Mas o pormenor deixa antever o seu estado de espírito. Num período: Marcelo está farto de Costa.

Este momento é o pretexto para Marcelo 2.0 se distanciar de Costa e do Marcelo 1.0, o tal que quis assumir parte da responsabilidade, e uma posição de liderança, da gestão da pandemia. O falhanço da dupla líder é clamoroso. A partir do Verão Marcelo e Costa deram vários maus exemplos e contribuíram para a confusão geral que se foi instalando. Na segunda-feira Marcelo tem o que Costa não terá tão cedo, se é que alguma vez terá: a oportunidade de refazer a sua imagem e ter uma nova atitude na pandemia.

Em concreto, o que espero de Marcelo 2.0?

Que se distancie das equipas de epidemiologistas e cientistas de dados que aconselham o Governo

Que tire o tapete à Ministra da Saúde.

Que faça esquecer a responsabilidade pelos maus exemplos que deu o Marcelo 1.0.

Não te quero confundir. Isto não é chega a semana e pimba!, o PR desata a fazer cenas. Vai é estar atento ao desenrolar da epidemia, aproveitando cada situação para se diferenciar de Costa e enfraquecê-lo sem dar demasiado nas vistas. Duvido que queira provocar rupturas durante esta fase horrível, que deverá durar até fins de março. Mas se puder…


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Não penses que estou a meter o ónus todo dos maus exemplos no Presidente. O Primeiro-Ministro não lhe ficou atrás. António Costa é um negociador pragmático para o bem e para o mal — desta vez foi para o mal.

O Governo mostrou-se mais permeável aos grupos da sociedade do que as circunstâncias aconselhavam. Costa ora deu o leme à economia, ora cedeu à opinião publicada, ora andou a mirar as hashtags, ora limpou as mãos com os cientistas. Ouvir, tudo bem. Guinar o automóvel para o lado de que grita mais alto, tudo mal.

Não é a sociedade que lidera a gestão de uma pandemia: é o Governo.


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Claro que há outra maneira de perspetivar o assunto. E, achando embora que Costa é o primeiro responsável pela condução ziguezagueante, pois é ele quem tem o volante nas mãos, estou com Pedro Marques Lopes: ”O governo passou de milagreiro a assassino; o alívio do Natal, aprovado por todas as forças políticas e sociais, passou a ser uma decisão criminosa que “eles” tomaram; quem berrava por esses meios de comunicação fora que não se podia afogar a economia e que estávamos a poupar alguns agora para matar muitos à fome no futuro exigem o confinamento total; há quem assegure que toda a gente sabia o que ia acontecer e ninguém se lembra de que havia opiniões científicas para todos os gostos”.

Como escreveu num artigo marcante publicado pelo Diário de Notícias, intitulado É connosco, “O fecho das escolas é um bom exemplo: não foi o governo a fechá-las, foram os pais e a opinião pública. O grande problema, nesta altura, é a sensação de que o governo, na questão de saúde pública, já não está no comando, e é infinitamente melhor ter um governo a errar do que vivermos ao sabor dos humores dos media, redes sociais e especialistas no que quer que seja. É absolutamente vital termos estabilidade política e que as decisões sejam tomadas pelo poder político. Somar uma crise política à sanitária e económica seria somar catástrofe à catástrofe.


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Claro que falar é fácil. Eu não queria estar nos sapatos de António Costa. E se fosse minha a decisão, mantinha-o como PM. Criticar medidas passadas é fácil. E criticar medidas numa situação de exceção como a pandemia Covid-19 é quase gratuito.


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No fundo quero o mesmo que toda a gente: que Costa reflita se pode continuar a governar um país completamente atarantado com uma sucessão de políticas cada vez mais inconsequentes e incoerentes. E se e como pode reganhar o respeito desse país para que os seus exemplos sejam seguidos.


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Frase do dia: “o Governo tem feito asneiras, mas é revoltante vê-lo impedido de decidir serenamente sob a pressão ininterrupta dos media e das redes sociais. A estirpe inglesa é um bom pretexto para calar os media e passar às outras medidas, que bem necessárias são” — António Dias Figueiredo.

Outra frase do dia: “o falhanço coletivo que nos trouxe até aqui é mais um rombo no deve e haver que as gerações mais novas têm para com um sistema político que os exclui e não os representa” — Susana Peralta



OPINIÕES

João Figueira escreve sobre preconceito e Orçamento de Estado: Os preconceitos ideológicos da direita. SinalAberto 👉

Rui Bebiano escreve sobre os Estados Unidos e nós: O erro da obsessão antiamericana. ATerceiraNoite 👉

Bernardo Pires de Lima escreve sobre Joe Biden: O debate vital. DiárioDeNotícias 👉

Bárbara Reis escreve sobre números e Irlanda: A Irlanda é um paraíso fiscal (sim, os números mentem). Público 👉

Viriato Soromenho Marques escreve sobre a pandemia e após a pandemia: Na vertigem da desrazão. DiárioDeNotícias 👉

Pedro Gomes Sanches escreve sobre direita e PSD: Pelo fim do desassossego e da divisão da direita. Expresso 👉

Raquel Varela escreve sobre Jornalismo e Desinformação. RaquelVarela 👉

Pedro Ivo Carvalho escreve sobre pressão e Governo: E por que não um ministro covid? JornalDeNotícias 👉

Amílcar Correia escreve sobre migrantes: A xenofobia é um vírus. Público 👉

Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Hoje não tenho disposição para escrever. Para compensar, deixo-te um conjunto mais alargado de opiniões e de sugestões de leitura.

Amanhã ou no fim de semana tenciono abordar Marcelo Presidente 2.0, que deverá ser substancialmente diferente da primeira versão, bem como colocar em dia a correspondência dos leitores.

A frase do dia: “O falhanço coletivo que nos trouxe até aqui é mais um rombo no deve e haver que as gerações mais novas têm para com um sistema político que os exclui e não os representa.” Susana Peralta



OPINIÕES

Editorial: Voltar à escola. JornalDeNotícias👉

Diogo Martins escreve: Obstrução do direito de voto sem paralelo na democracia portuguesa. LadrõesDeBicicletas 👉

Rui Tavares Guedes escreve sobre a pandemia Covid-19: Não é a economia, estúpido. Visão 👉

Fátima Marques escreve sobre viver em situação de catástrofe: Re-humanizar os índios e os cowboys. CapitalMagazine 👉

Borja González del Regueral escreve sobre empresas e Europa: As tendências tecnológicas para 2021, um ano eminentemente digital. DiárioDeNotícias 👉

Paulo Pisco escreve sobre democracia e André Ventura: O germe do fascismo. Público 👉

Ricardo Salazar também escreve sobre André Ventura: Vírus Ventura. Público👉

Valupi também escreve sobre Ventura: Das vantagens de Ventura ficar em 2º.AspirinaB 👉

Mafalda Anjos: Escolas, trilemas e falhanços. Visão 👉

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Hoje afirmo que — a confirmar-se a sondagem do dia — o candidato da extrema-direita é o grande derrotado das presidenciais, lembro que Rui Rio está vivo e aos pontapés e era bom que acertasse num alvo ou dois, explico porque não estou como toda a gente a pular de contente por ver Joe Biden na Casa Branca, e junto a minha à voz de Vital Moreira: nem mais um ministro infetado!

Antes, uma rectificação: no diário de ontem escrevi “legislativas” quando era óbvio no contexto da frase que me referia às autárquicas, a disputar algures no outono. Era tão óbvio no contexto que aposto que metade de vós não deu pela coisa e, como eu a reler, entendeu “autárquicas” ao ler “legislativas”…


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Faltam 4 dias para a conclusão das eleições para a Presidência da República. Sondagem do CESOP da Universidade Católica para a RTP e o Público divulgada ao fim do dia dá o resultado dentro do esperado: Marcelo vence à primeira e Ana Gomes fica no segundo lugar. (RTPPúblico)

Em relação à minha bola de cristal, Marcelo tem um desvio positivo de 2 pontos, Ana Gomes tem um desvio negativo de 1 ponto e o candidato da extrema-direita tem um desvio positivo de 2 pontos.

Parece-me claro que, a confirmar-se no domingo esta projeção, André Ventura será o grande derrotado desta campanha. Falha todas as metas menos uma. Colocou a fasquia elevada demais para a sua capacidade. Um soldado de infantaria armado em Napoleão. Por outro lado os seus 10% indiciam que a extrema-direita encontrou o seu limiar máximo em Portugal: o crescimento anti-democracia estabilizou nos últimos 7/8 meses depois da arrancada explosiva nos 4/6 meses anteriores.

A meta que não falhou: consolidou a extrema-direita como a bússola da televisão e imprensa, fazendo gato-sapato da agenda dos jornalistas.


2
Passou despercebido no meio da confusão e desnorte em que vivemos. Rui Rio lançou um movimento visando reformas no sistema político e nos estatutos do partido. Rio colocou o PSD a trabalhar nas propostas: a “reforma da Justiça, que acho ser vital, a revisão constitucional, porque é tempo de fazer, e a reforma do sistema político, porque continua a ser muito importante”. Foram criadas as comissões cujo trabalho consiste em preparar as propostas de reformas nessas três áreas e nos estatutos. Nada de inesperado nas pessoas que integram as comissões: Paulo Mota Pinto, David Justino, Manuel Teixeira e Isaura Morais são os coordenadores de equipas tão cinzentas, históricas ou laranjas, como preferires, que eles.

Eu diria que Rio está a pretender lançar um sinal de reconciliação com o centro e com o país, depois da traição à pátria e à União Europeia perpetrada nos Açores com a coligação com a extrema direita anti-democrática. Espero que tenha sorte, embora tenha dúvidas: não se perdoa facilmente o que Rio fez e o silêncio sobre a campanha eleitoral não ajuda lá muito: ao eleitorado laranja não foram apresentados argumentos para não votarem no candidato da extrema-direita. E deviam.


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E porque espero, e até gostava, que Rio tivesse sorte? Fácil. Primeiro, como compensação pelo seu comportamento de estadista ao longo da pandemia. O PSD nunca fez parte do problema. Votou com seriedade tudo o que tinha diretamente a ver com a pandemia. A direção fez oposição com responsabilidade, deixando aos apparatchiks as farpas e flamas, como é normal.

Segundo, porque é vital para a democracia se aguentar nas canetas que haja uma alternativa no centro-direita na qual os eleitores possam confiar.

Agora: confio em Rio depois da novilhada açoreana? Bem: não sou marinheiro daquelas águas e quero um país diferente do que Rio quer. Dito isto: a minha (des)confiança nele não mexeu um milímetro. Rio habituou-me a esperar boas e más decisões que surgem quando e onde menos espero — e isto já vem dos tempos da Câmara do Porto.


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O mais provável é teres hoje visto com otimismo a tomada de posse de Joe Biden como 46º Presidente dos Estados Unidos da América. O mundo vê-se livre de Trump e regressa à Casa Branca um democrata, como não estar otimista? Junta-lhe a primeira vice-presidente (um pormenor significativo para um homem como eu: Kamala Harris jurou a bíblia nas mãos do marido, uma honra que nenhum americano tivera antes), junta-lhe uma administração muito bem pensada e escolhida para o propósito de reunificar as tribos estado-unidenses — como não ficar sorridentemente otimista?

Três razões. Uma: a Administração Biden não contraria, pelo contrário, a gerontocracia em que os EUA se tornaram, particularmente notório ao nível federal; não vejo que venha daí nada de bom.

Outra: as divisões sociais não nasceram do trumpismo, que apenas acentuou as fracturas raciais que nunca pararam de se agravar ao longo da história do jovem país; tenho as maiores dúvidas que boas intenções e políticas manietadas pelas forças que controlam o poder (e das quais Biden nunca se afastou) cheguem para inverter o divisionismo social.

Divisionismo que, bem vistas as coisas, é não só aceite como pretendido pelas maiorias: é pequeno e pouco poderoso o grupo de pessoas que vê as divisões raciais e de classe dos americanos como um problema. Pessoas mas também grupos empresariais olham para as divisões com bons olhos: das igrejas às armas, manter e incentivar o individualismo e o tribalismo dá mais lucro do que combatê-los.

E outra: à medida que perde o momento geopolítico, a liderança e o protagonismo, fraqueja a cola que tem mantido federados os 50 estados e aumentam as vozes e o volume do coro que fala na independência de estados como o Texas (que é uma parte do México e nenhuma fronteira foi eficaz em mais de 100 anos) e a Califórnia; esta tendência vem-se agravando e era precisa uma administração do calibre de três ou quatro Roosevelts para a inverter.


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Quantos mais ministros infetados e quantos mais confinamentos dos seus círculos de contactos próximos são necessários para ser adotada a única decisão decente, que é de vacinar os principais dirigentes políticos do Estado (PR, PM e ministros, Presidente e vice-presidentes da AR, pelo menos), como grupo de risco que são, pelas numerosas reuniões oficias e de trabalho presenciais em que têm de participar, muitas vezes em espaços fechados, ao serviço do Estado?”, pergunta Vital Moreira no Causa Nossa.

Eu junto a minha à voz de Vital Moreira. Pelo menos num anterior diário referi que a primeira linha política devia encabeçar a primeira vaga de vacinas. Não usar nesse grupo a primeira remessa de vacinas é um erro. Cometido por uma péssima razão: o medo da reação da opinião pública.



OPINIÕES

Francisco Seixas da Costa escreve sobre eleitorado e Belém: Bom senso e bom gosto. DuasOuTrêsCoisas 👉

Cristina Siza Vieira escreve sobre turismo e União Europeia: Viajar é preciso. DiárioDeNotícias 👉

Carlos Esperança também escreve sobre a campanha e o recandidato Marcelo: Eleições Presidenciais E Liberdades. PonteEuropa 👉

Pedro Santos Guerreiro está em Estado de choque. Expresso $

José Brissos-Lino escreve sobre A fraude do nacionalismo cristão. Visão 👉

Maria José da Silveira Núncio alto e bom som: Em nome da saúde, fechem as escolas!. Público 👉

Rui Tavares escreve: Uma ideia melhor do que votar num racista autoritário? Não votar nele. Público $

Terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Hoje um diário mais pequenito: os Grandes Eventos do meu tempo de vida, o número do dia, e vale a pena remodelar o Governo?


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No meu tempo de vida aconteceram dois eventos de calibre extremo que ficam na História da Humanidade, um como ponto de viragem, outro como trauma longevo. A ida à Lua e a pandemia SARS-COV 2. É muito para uma vida humana.

No meu tempo de vida sucederam dois eventos que marcam profundamente a História de Portugal, um pela positiva, outro pela negativa — a pior catástrofe desde o terramoto de 1755. A Revolução de Abril de 1974 e a catástrofe da pandemia SARS-COV 2. É muito para uma vida portuguesa.


2
Número do dia: 5.400, o número de cidadãos nacionais votaram antecipadamente no estrangeiro para a eleição do Presidente da República. É o número mais elevado de votos antecipados no estrangeiro de que há registo. Os votos decorreram nos 115 postos da rede consular em 73 países e “mais de 400 correspondem a votos expressos pelas forças militares e forças de segurança destacadas em vários teatros de operação no Mundo, incluindo no Afeganistão e República Centro-Africana” (Fonte: ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional e da Administração Interna)


3
Ainda nem a metade da legislatura chegámos e é notória a perda de energia por parte do Governo. Em várias áreas. Claro que a pandemia é um sorvedouro de energias. Mas outras fragilidades, como a saída de Mário Centeno, nada tiveram a ver com a Covid-19.

António Costa teve uma oportunidade para remodelar em novembro, apanhando um período menos intenso do combate à pandemia e antes de se começar a falar da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que se iniciou com 2021. Antes, também, de se intensificar a campanha para as presidenciais. Não sentiu necessidade. Costa confia demais nele próprio e na sua boa imagem pública. A verdade é que o desgaste do Governo lhe cai todo em cima, o que, somado à pandemia, é uma carga tremenda.

Agora: será aconselhável uma remodelação nesta altura? Depois das Presidenciais, talvez?

Eu não aconselharia nenhuma mexida antes do Verão. Mantinha tudo até ao fim da nossa presidência da UE. E remodelava antes das legislativas, antes da apresentação do Orçamento de Estado para 2022. Mas falta tanto tempo. Tudo pode mudar debaixo dos pés do PM.



OPINIÕES

Vicente Ferreira escreve sobre investimento e Portugal: Investimento público negativo: causas e consequências. LadrõesDeBicicletas 👉

Maria da Graça Carvalho escreve sobre Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia: Presidência portuguesa da UE deve dar prioridade à ciência. Público 👉

Francisco Louçã escreve sobre as eleições: Com Ventura, a Lei de Murphy nunca desilude. Expresso $

António Cluny escreve sobre comunicação: Comunicação social e redes sociais: A fronteira invisível. ionline 👉

Mariana Mortágua escreve sobre o PSD: Três razões. JornalDeNotícias 👉

2021/01/26

Las energías renovables superan por primera vez a las fósiles y se convierten en la principal fuente de electricidad en la UE. El desplome de la demanda energética durante la pandemia y el aumento de la producción de energía verde explican los buenos datos del sector. publico.es

We’re About to Experience the Fakest Economic Boom In History. If you thought the last decade of economic activity was artificial, wait until this one’s over medium.com

Here we go again. Apple is rumored to build an electric and, hopefully, electrifying car. Are the rumors founded? If so, will Apple create a better Tesla or something else entirely? mondaynote.com

Since last summer a bubble of complacency has surrounded the European Union’s recovery package and the vision it holds out of a greener future. Europe’s constructive response to the crisis contrasts pleasingly with the dark political drama played out on the other side of the Atlantic. But 2021 may bring disillusionment, as the frailty of Europe’s economic position is once again exposed. socialeurope.eu

EU on the offensive after COVID-19 vaccines delays. The EU is leaving the door open for possible legal action against the pharmaceutical companies that have unexpectedly delayed the delivery of COVID-19 vaccines, European Council chief Charles Michel has said. euractiv.com

Can Joe Biden make America great again? His skills as a fixer are finely honed – but they cannot restore a pre-Trump normality. As president, Biden’s private self, shadowed by loss, must come into its own theguardian.com

2021/01/24

Socially distanced outdoor activities to preserve our mental health globalcomment.com

"I Am Quite Apprehensive about What Might Otherwise Happen in Spring and Summer". In an interview with Christian Drosten, the German virologist looks back on the mistakes he has made in the coronavirus pandemic – and ahead to the dangers that the pandemic still has in store for us. spiegel.de

Larry King, legendary talk show host, dies at 87 edition.cnn.com

Why Biden’s Inaugural Address Succeeded. In 20 minutes, the president signaled how he will approach this job and this moment in history. theatlantic.com

Three days into the Biden administration and lots of commenters are noting the return of calm in the media, and the return of a sense of stability in the government. People are sleeping so much better that the word “slept” trended on Twitter the day after the inauguration. heathercoxrichardson.substack.com

EV Charging Prices Are Going to Go Way Up. It’s standard economics — a product’s price usually rises to the level of its closest rival themobilist.medium.com

Moçambique: Sobe número de profissionais de saúde infetados com Covid-19 dw.com

Sturgeon promete referendo na Escócia caso consiga maioria nas eleições regionais. Primeira-ministra escocesa acusa Boris Johnson de ter “medo da democracia”. Sondagem do The Sunday Times diz que maioria dos eleitores da Escócia e da Irlanda do Norte quer um referendo nos próximos cinco anos. publico.pt

Dos dispositivos à vigilância dos corpos. A par com os nossos aparelhos electrónicos preferidos, os nossos corpos também se estão a tornar fontes de dados. Do reconhecimento facial à recolha de informações de DNA, “smart”, “mais seguro”, “mais saudável” são narrativas comuns por trás dessas tecnologias digitais e biotecnologias que estão levando a práticas já preocupantes de uso de perfis para um outro nível. tictank.pt

2021/01/23

Bernie Sanders has reacted to those mittens memes -- and his response is as Bernie as it gets. The Vermont senator told that the viral photo of him from President Joe Biden's Inauguration the day prior "makes people aware that we make good mittens in Vermont." etonline.com

How President Biden Handles a Divided America Will Define His Legacy time.com

Covid-19: Porque é que a vacinação em África está tão atrasada? Para obter uma imunidade coletiva no continente, África deverá vacinar 60% dos seus 1,3 mil milhões de habitantes. Mas num momento em que sobem os casos, os governos têm dificuldades em assegurar vacinas. dw.com

A digital euro - could it happen? The president of the European Central Bank Christine Lagarde revealed last week that she thinks the ECB will go ahead with the digital euro, an electronic form of central-bank money accessible to all. euobserver.com

The lost art of diplomacy. There is nothing like a break-up to prompt a few rounds of point-scoring and petty one-upmanship. The Brexit divorce process is more giving than most. The UK may be over and out of the bloc, legally at least, but there is always another fight to pick. euractiv.com

Tres grandes amenazas a la vida en la Tierra que debemos afrontar en 2021. Se necesita un internacionalismo robusto para prestar una atención adecuada e inmediata a los peligros de la extinción: extinción por la guerra nuclear, por la catástrofe climática, y por el colapso social (Noam Chomsky / Vijay Prashad) ctxt.es

2021/01/22

An Oral History of Wikipedia, the Web’s Encyclopedia. The definitive story of Wikipedia on its 20th anniversary onezero.medium.com

2021/01/21

Warming ocean waters could reduce the ability of fish, especially large ones, to extract the oxygen they need from their environment. Animals require oxygen to generate energy for movement, growth and reproduction. In a recent paper in the Proceedings of the National Academy of Science, researchers describe their newly developed model to determine how water temperature, oxygen availability, body size and activity affect metabolic demand for oxygen in fish. mcgill.ca

Electric car batteries with five-minute charging times produced. First factory production means recharging could soon be as fast as filling up petrol or diesel vehicles theguardian.com

A strain of covid-19 that appears to spread faster is colliding with the campaign to vaccinate Americans. That appearance of the variant has already led the US to require British visitors to test negative before flying. Some scientific leaders say the US should now consider a coordinated national lockdown period. technologyreview.com

Biden’s 17 Executive Orders and Other Directives in Detail. The moves aim to strengthen protections for young immigrants, end construction of President Donald J. Trump’s border wall, end a travel ban and prioritize racial equity. nytimes.com

Amazon sends letter to President Biden, says it is ‘ready to assist’ with U.S. vaccination efforts geekwire.com

Brave becomes first browser to add native support for the IPFS protocol. Brave users will now be able to seamlessly access ipfs:// links. zdnet.com

35 unforgettable images that capture Trump’s wild and bitter presidency medium.com

Adictos a las redes: ¿Tienes ansiedad digital? Aunque sirven para mantenernos conectados, las redes sociales también pueden ser factores para aumentar nuestro malestar y ansiedad. ethic.es

A estratégia para a Igualdade de Género para o período de 2020-2025 que foi aprovada esta quinta-feira em Parlamento Europeu quer atrair mais mulheres para as áreas de informática e tecnologia — e parte do processo passa por mudar a forma como as mulheres são retratadas nos canais audiovisuais. publico.pt

2021/01/20

Os dois projetos de lei do PSD e um do PAN, hoje em discussão no plenário da Assembleia da República, tiveram o melhor acolhimento da bancada parlamentar do BE e do PCP, que sublinharam a necessidade de proteger o princípio do juiz natural (escolha aleatória de um juiz do processo para assegurar a imparcialidade) e de aperfeiçoar os diplomas na especialidade. rtp.pt

French constitutional change on environmental preservation faces long road ahead euractiv.com

La sociedad vigilada: la pandemia precipita la digitalización : Ethic. La crisis sanitaria acelera la importancia de la digitalización para combatir al virus, pero también abre el debate sobre cómo gestionar la privacidad. ethic.es

África sofrerá efeitos da retração do financiamento externo chinês. Dois principais bancos de fomento chineses diminuem o financiamento de projetos no exterior em mais de 90%. Analistas veem que África também sentirá os efeitos da "nova disciplina" de liberação de recursos da China. dw.com

Lawmakers who denied Biden’s victory also embrace a deadlier conspiracy: climate denial. 90 of the 147 members of Congress who voted to overturn the election deny basic climate science. heated.world

Majority of Europeans fear Biden unable to fix broken US. Survey finds more Europeans than not say US cannot be trusted after four years of Trump. theguardian.com

há 2 meses

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente

Uma vez jornalista, sempre jornalista”. “O jornalismo é sacerdócio”. “Podes deixar de praticar, mas não deixas de ser jornalista”.

Ao longo da vida sempre ouvi estas frases. Talvez por isso, quando os jornais deixaram de querer os meus serviços, por volta de 2013-14, tive problemas para estabelecer uma bioline. “Ex-jornalista” ia contra o cânone segundo o qual tu nunca deixas de ser jornalista. “Antigo jornalista” idem, além de soar pior. Usei ambos, sentindo-me sempre desconfortável.

Até que deixei de invocar o jornalismo; está no CV, aí permanecerá para sempre, foram 30 e tal anos, uma vida, quase toda a minha vida produtiva, mas faz já algum tempo que não é mais invocável no meu dia a dia. Ter sido jornalista não me confere qualquer grau, prestígio ou estatuto especial. Amig@s e leitor@s podem achar que sim, mas eu sei que não. Outros jornalistas no ativo, em pousio ou na reforma podem achar que sim e cada um falará por si, as vidas são diferentes.

Falo disto porque numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

há 3 meses

Portugal tem menos oposição do que precisa e a culpa é, inteirinha, do PSD

Portugal tem menos PSD do que devia, tem menos oposição do que precisa. E nada disso é assacável a um PS enfraquecido e asfixiado sob o peso da responsabilidade da gestão dos fundos comunitários. A nulidade política da direita portuguesa é para a conta, inteirinha, dela própria. Resulta da deserção de Rui Rio do espaço público onde se negoceiam entendimentos sobre os temas da década.

há 4 meses

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil. Mas é cedo para escolher.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

há 4 meses

17 anos depois, o relançamento

17 anos passam num instante? Não. Demoram. E 20 anos — que é o tempo de vida deste domínio? E 31 anos, que é o tempo que levo a publicar coisas na Internet? São milhares de artigos e páginas e posts por todo o lado. Quando queres consolidar um arquivo destes, é preciso coragem para ganhar balanço. E se queres relançar a publicação pessoal? Escreves uma aplicação que faça a coisa exatamente como a queres.

Teixeira dos Santos terá comprado os títulos Sol e I. O antigo director do extinto Semanário pretenderá relançar os dois jornais como projectos assumidos de centro-direita. |Vem aí uma guerra com Mário Ramires|.2020 ended with a flurry of announcements reporting promising results in COVID-19 vaccine trials, |there is little reason to expect a robust economic recovery anytime soon|. Defeating the virus remains a monumental task, and the wounds inflicted by the pandemic will not heal easily. (Nouriel Roubini)