Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

Domingo, 7 de março de 2021

Hoje temos na ementa o BMW a gasóleo, perdão, o segundo aeroporto de Lisboa, e mais um milagre do jornalismo português: a multiplicação das notícias especulativas. E uma nota otimista sobre a evolução da pandemia Covid-19 (sim: otimista).

Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. Tecnicamente é amanhã, mas o mais provável é já estares nele enquanto lês pois a maioria não começa a ler nos últimos cinco minutos do dia (a newsletter é distribuída às 23:55) mas sim na hora seguinte e ao longo da manhã.

Decidi assinalar o dia com uma mini-série de três capas alusivas. Para este dia 7 escolhi um quadro da pintora realista russa soviética Irina Baldina, que retrata outra mulher.

Construir-se, agora, um aeroporto no Montijo ou em Alcochete é como sonhar-se uma vida inteira com a compra de um BMW topo de gama a gasóleo, e fazê-lo em 2021. É só estúpido”.

O autor da feliz frase, Daniel Deusdado, está tão alinhado com o que eu penso sobre o transporte aéreo, a aviação comercial, o turismo, Lisboa e o aeroporto do Montijo que até parece que andamos a conversar sobre isto há uns cinco ou seis anos. Mas não andamos a conversar (conhecemo-nos de nome dos jornais, não me lembro de termos estado juntos alguma vez). Agora, nitidamente andamos os dois a pensar e a ler sobre isto, sobre os vários istos envolvidos nisto, há algum tempo.

É só estúpido construir um segundo aeroporto para servir duas indústrias em profunda mutação, com mais dúvidas que certezas quanto ao seu futuro. Mas com algumas certezas, como a reconfiguração de necessidades. Em 20 anos a aviação não será a petróleo, os aparelhos serão de dimensões diferentes, necessitarão de pistas diferentes. É só estúpido construir agora, dentro do perímetro urbano da metrópole Lisboa, uma infraestrutura que o mais certo é ser um elefante branco inútil no dia da inauguração — capaz de fazer o aeroporto de Beja parecer um sucesso.

O artigo tem outra frase basilar: “O Estado não terá de pagar 10 mil milhões de indemnização à Vinci caso esta não vença a empreitada de Alcochete — e tenha de ser indemnizada pela saída da Portela (José Luís Arnault é conhecido por fazer bons contratos com o Estado português)

O milagre da multiplicação das notícias especulativas.

Bla bla bla uiscas saquetas e “esse montante pode ir além dos 10 mil milhões de euros”, asseguram os mesmos jornais”, assegura o Jornal de Negócios. Um reforço da mensagem. Dois em vez de um. Ena, deve ser mesmo verdade. E agora já são três. Só que não há duas entidades a assegurar: é apenas uma. Há apenas um artigo.

Esta gente droga-se? Saiu agora da infantil? Come por parvos os seus leitores? Ou eu tenho os leitores do Negócios em melhor conta do que as pessoas que lá escrevem?

Os dois jornais citados são Diário de Notícias e Dinheiro Vivo. O Dinheiro Vivo é uma marca criada para a Internet. Na prática é a secção de Economia do Diário de Notícias, com outra moldura. Os conteúdos que produz são reproduzidos no site da marca, no site do DN, no site do Jornal de Notícias, no site da TSF e não sei se nos sites das outras marcas do grupo. Faz um dos suplementos que sai ao fim de semana nos dois diários do grupo e não sei se em mais dos seus jornais.

A peça em causa é a mesma peça no Diário de Notícias e no Dinheiro Vivo, assinada pelas mesmas duas autoras. É uma sinergia. Tudo bem. É legítimo escrever “asseguram os mesmos jornais”? Bem: ao menos é legal. Mas os leitores do Negócios não são parvos. Na minha modesta opinião, um jornalista tem o dever de não atirar o barro à parede desta forma básica. Fica-lhe mal.

Chama-me otimista que eu gosto: o meu nível de confiança na evolução favorável da pandemia Covid-19 aumentou uns pontos na última semana. Com o Rt a subir e o ritmo da vacinação tão lenta, com podes ter ficado otimista?! — ouve-se aqui a tua incredulidade.

É difícil de explicar e não me peças dados: a minha posição aqui é a de leitor atento, que segue alguns especialistas e cientistas e os seus debates, interpretações e quadros, e cozinha em redução os inputs.

O Rt só preocupa quando ultrapassa o 1 durante um período de tempo significativo —isto é, um burst de um ou dois dias não causará danos de maior. Estar a subir não é bom. Mas é normal subir depois de uma descida tão pronunciada como a registada em semanas.

O ritmo da vacinação vai aumentar. Temos alguns indícios disso, em Portugal como na UE. Estamos todos com pressa, ansiosos, a olhar para Israel, Reino Unido e Estados Unidos. É fácil não nos lembrarmos que vacinámos o nosso primeiro milhão em pouco mais de dois meses. Estamos tão embrenhados no caudal de noticiário negativo que é fácil deixar escapar o tremendo feito da humanidade nesta pandemia: ao fim de um ano já ultrapassámos o pior momento e iniciámos a recuperação com um custo em vidas bastante inferior aos eventos comparáveis, com um custo económico abaixo das piores previsões, com uma onda de vacinas criadas no tempo recorde de nove meses, com planos de vacinação nunca antes imagináveis sequer.

Mas estes sinais são apenas envolventes. O que me anima cá no core são estes três fatores:

  • o Governo tem hoje mais capacidade, informação e à-vontade para não cometer erros no plano de desconfinamento (ou cometer menos erros graves, se preferires)
  • entre vacinação (15% para 20%) e infecções (20% para 30%) a percentagem com anti-corpos à Covid-19 atingirá dentro de um mês um patamar entre um terço e metade da população que fundamenta algum otimismo em caso de termos uma quarta vaga, que não é inevitável nem sequer certa; se vier, será menos grave, mesmo contando com estirpes piores (dentro do que podemos antever)
  • o sistema global de saúde deu provas de uma grande elasticidade, aumentando a confiança de poder, agora com maiores ajudas químicas, resolver com mais à-vontade e celeridade os casos que vão surgir

Devo acrescentar que o meu otimismo conta com um ovo ainda por pôr pela galinha: um desconfinamento consciente pelo lado das pessoas e pelo lado das autoridades, com não apenas regras inteligentes como, sobretudo, métodos de reação e intervenção rápidos. A app Stayaway foi um flop sem remissão mas há outros processos automáticos por experimentar, que podem ditar a diferença entre viver assustado nas cavernas e ter um guarda-chuva para os dias molhados.

O problema agora é o desconfinamento informal progressivo. É o tigre a correr atrás de nós. Mas até isso é um dado a favor: sabemos agora que é impossível regressar ao confinamento total, o que é um forte estímulo para procurar as técnicas alternativas entretanto tornadas possíveis pelo maior domínio da pandemia e seus mecanismos.

Ler também:

Sexta-feira, 5 de março de 2021

Hoje vamos falar de aeroportos e leis mais rápidas que o Lucy Luke, de deepfakes, de automação e desemprego e o raio

Vamos falar de autarcas chumbarem aeroportos e o raio?

Autarquias não vão mais poder chumbar aeroportos, era só o que faltava, humpf. Foi esta sexta-feira aprovado em Conselho de Ministros eletrónico um projeto de lei para impossibilitar as autarquias de chumbarem a construção de aeroportos, intenção já anunciada pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. (TSFTVI)

(Alguma vez viste um projeto de lei tão rápido? Maravilha!)

Vamos falar de deepfake, photoshopagem, propaganda e o raio?

How to Spot a Deepfake Without Even Watching the Video — este título da peça na Life Hacker chamou-me a atenção. Beth Skwarecki vai buscar os deepfakes de Tom Cruise (que podes ver no Twitter @deeptomcruise) para fundamentar a sua teoria, que no essencial desvaloriza os deepfakes.

Em primeiro lugar, “são convincentes porque aplicaram a cara do Tom Cruise a um actor que já tinha construído uma carreira como imitador do Tom Cruise”. Portanto, foram produzidos profissionalmente e “honestamente não havia maneira de dizer que eram falsificações profundas só de olhar para eles”. Assim, a autora interroga-se: “deveríamos estar preocupados? Estaremos agora a viver num mundo onde tudo pode ser falsificado?

A resposta é sim, mas já vivemos nele há muitos anos. Beth Skwarecki vai buscar a referência geracional, as fotografias trabalhadas em Photoshop, para explicar que o que importa é o contexto. Ou seja, da mesma forma que assumimos implicitamente que uma capa de revista mostra a celebridade fotoxopada, vamos assumir que os videos foram alterados.

Assim, o que importa é o contexto do video e de onde ele veio, não a forma como os pixels se movem. E seguida lista as ferramentas que temos ao dispor para saber se um video é falso, alterado ou verdadeiro — sem sequer o ver. Basicamente, as técnicas SIFT e de verificação visual (lê o artigo para mais).

Interessantíssimo. Mas fraco.

Sou mais antigo e posso ir atrás do Photoshop, muito atrás. Vou buscar a propaganda, também ela uma técnica de engano, mentira e manipulação. Ora, com a propaganda também existiam técnicas que permitiam perceber a extensão da mentira dos filmes e cartazes das propagandas nazi e soviética, dois expoentes da arte no século XX. A existência delas não evitou o seu impacto nas sociedades nem a sua capacidade de modelar o curso da História.

Acresce que os deepfakes (como as “fake news”) são íntimos, são pessoais, são instantâneos e sem esforço: estão colados a nós nos telemóveis, chegaram d@ amig@ de confiança. Ao contrário do consumo de revistas, cartazes e cinema, que é feito em campo aberto, em campo social, com a responsabilização permanente do eu exposto, fatores que servem de blindagem, que nos colocam os sentidos em alerta.

O deepfake tem um potencial destrutivo muito acima de qualquer técnica de comunicação maléfica produzida até hoje.

Vamos falar de automação, desemprego, dos Censos e o raio?

Raramente falo do meu emprego. Trabalho numa empresa fantástica, que tem crescido disparatadamente, que teve um bom 2020, que tem um futuro pela frente. Menciono hoje a GoContact por uma razão: estou satisfeito, finalizei o esqueleto do agente autónomo que vai ajudar as pessoas durante os Censos 2021, respondendo a questões, resolvendo problemas e encaminhando-as para agentes humanos mais aptos para certas tarefas. Isto enquanto ainda ando às voltas com os dois agentes autónomos que atenderão centenas de milhar de chamadas para serviços do Estado atualmente agrupados nas lojas do cidadão. Já estão operacionais, mas ainda com uma carga limitada que nos permita coligir a informação sobre os diálogos necessária para decidir os fluxos.

O meu primeiro agente está em operação numa empresa espanhola há quase três anos. O segundo, és bem capaz de já ter interagido com ele, se foste ou és cliente da Tranquilidade nos últimos dois anos. Já atendeu, número por alto, mais de dois milhões de chamadas. É o meu favorito. Temos feito todo um percurso de aprendizagem, aumentando a sua autonomia, e hoje resolve sozinho uma maior percentagem das chamadas. Essa aprendizagem é metade do meu trabalho e do trabalho da equipa da seguradora. E do meu gozo, em especial a parte que me toca diretamente, que é a linguagem natural e o diálogo entre máquina e humano.

Sei no que estás a pensar. Que estou a contribuir para o desemprego, substituindo operadores de call center por espertos atendedores de silício e fibra de vidro. A resposta é complexa. No fim do caminho é verdade que as máquinas eliminam a necessidade do trabalho humano. Não há como escapar. Mas essa verdade filosófica não tem propriamente atirado as pessoas para o desemprego. O que sucede é a substituição do tipo de trabalho. Nem vale a pena dar o exemplo clássico da agricultura, que em 200 anos passou da maioria da população para 2% ou menos. Há turbulência social nos processos de migração de emprego, pois claro que há. Acredito que estamos num processo dos piores por uma razão: em nenhum período passado uma tecnologia impactou tantos e tão diversos setores de atividade como a automação digital. Mas…

…mas para já o que tem sucedido nos setores mais perto do que eu faço são quatro coisas que não mexem negativamente no emprego:

  • aumento da capacidade produtiva: muito mais chamadas são atendidas com a automação
  • melhoria da eficiência, medida na redução brutal dos tempos de espera e da duração da chamada
  • sofisticação de funções, com o trabalhador humano a ser deslocado para os processos de monitorização e melhoria, onde passa a estar o valor acrescentado
  • recrutamento para novas áreas

O primeiro agente autónomo de voz da GoContact foi elaborado por uma equipa de uma única pessoa (durante dois anos o quadradinho no organigrama da empresa só tinha um nome dentro, o meu): quase sozinho, montei a tubagem entre os componentes de telefonia, serviços de transcrição e processamento de linguagem, escrevi o software essencial, tratei dos diálogos em linguagem natural e produzi as vozes sintéticas.

O segundo agente, em 2019, já teve duas pessoas envolvidas e um programador a dar apoio.

Os agentes atuais envolvem uma equipa multidisciplinar de três serviços — e estou a falar só da parte técnica.

Aliás, a empresa está a recrutar para a minha equipa.

Por falar em automação: nos tempos livres tenho melhorado o Cecil, o ente digital que faz parte do trabalho do meu diário. Criei finalmente um algoritmo capaz de interpretar, valorizar e hierarquizar noticiário — no caso, o fluxo de notícias sobre as eleições autárquicas deste ano. Estamos em testes e se correrem bem o passo seguinte é a integração no diário: sem sobrecarregar nem alterar a newsletter, mas permitir que possas interagir com o Cecil no contexto das autárquicas e obter essa filtragem eficaz e cómoda.

Quinta-feira, 4 de março de 2021

Hoje o dia foi das florestas, simbolizadas pelo bonsai que Costa ofereceu a Marcelo. E fica ciente de que é provável que venhamos a ter vacinas em excesso, o que não é uma Coisa Má.

Mais que possível, é provável que venhamos a ter superabundância de vacinas para a Covid-19 dentro de pouco tempo. Estamos a falar dos Estados Unidos, mas…

O presidente Joe Biden disse há dias que haverá doses de vacinas suficientes para cada adulto nos EUA até ao final de Maio; ora, no final da Primavera ou início do Verão, poderá haver um excesso de oferta, de acordo com uma nota de Michael Yee. O analista da Jefferies explica:

  • a soma das várias vacinas ascenderá nessa altura a 380 milhões
  • apenas 185 milhões de americanos deverão ser elegíveis para a inoculação
  • espera um excesso de oferta de 200 milhões de doses

Prevemos que o mercado passará de não termos o suficiente para termos um bom excesso de oferta até ao Verão (não é mau para o país)”, escreveu Yee.

… Mas a situação poderá ocorrer noutras latitudes. Incluindo na União Europeia. Por um lado, a pressão para a produção é elevadíssima por razões sanitárias e económicas, levando muitos países a comprarem muito mais doses tanto para se despacharem como para cobrir as falhas de entrega que têm surgido. As farmacêuticas multiplicaram esforços e dentro de pouco tempo a produção cobrirá a procura.

Por outro lado, começa a perceber-se que dentro de menos de um ano poderemos precisar de uma nova vacina adaptada às mutações do vírus — o que manterá a pressão produtiva contribuindo para a abundância.

Por exemplo, Portugal vai comprar no total cerca de 38 milhões de vacinas. Uma grande parte do excesso acabará por ser distribuído por outras geografias onde as vacinas ainda mal chegaram.

Considero a probabilidade não só normal como um descanso. Este não é o tempo para colocar no topo das prioridades a gestão financeira e a racionalidade absoluta. Que vão para o lixo — tudo menos faltarem.

Um carvalho bonsai é uma bela prenda. António Costa teve um gesto simbólico carregado de significado ao oferecê-lo a Marcelo Rebelo de Sousa no dia em que o Presidente da República presidiu ao Conselho de Ministros dedicado ao tema das florestas. Mais do que a pandemia, as florestas têm sido o eixo principal da relação entre os dois. A pandemia não é um problema nosso da mesma maneira que a ordenação florestal e os incêndios.

Costa e Marcelo tiveram de se haver com o maior trauma na sociedade portuguesa nas últimas duas décadas: a tragédia dos incêndios de 2017, a que se somaram épocas de incêndios particularmente más.

De resto, o primeiro-ministro salientou a “cooperação estratégica” entre Governo e Presidente da República. Marcelo será mesmo “o garante da continuidade” da reforma da floresta após o fim da atual legislatura em 2023, entende (e bem) Costa. Não me recordo de ver um esforço tão sério como o que saiu dessa cooperação. A atual estratégia é de longo fôlego, prolongando-se até 2030, e envolve não apenas legislação nas áreas do ordenamento do território como a gestão integrada dos incêndios florestais.

Recordando a tragédia dos incêndios em 2017, Marcelo sublinhou que desde aí a estratégia do Governo não foi apenas combater, mas prevenir os fogos florestais, através de uma “visão conjunta” envolvendo todos os ministérios intervenção sobre o território. “Neste Conselho de Ministros foram apreciados vários diplomas mas sobretudo foi apreciada uma estratégia nacional que visa prevenir muito mais do que combater os fogos florestais, mas intervir no que é decisivo”.

Aprofundar:

  • Costa salienta cooperação estratégica e afirma Marcelo é garante da reforma da floresta, Lusa
  • Incêndios: Governo indica que arrendamento forçado vai ser aprovado “em breve para situações muito concretas”, Jornal Económico
  • Governo aprova Programa Nacional de Ação do Plano de Gestão de Fogos Rurais, RTP
  • Governo aprova prémio bianual de 50 mil euros para incentivar boas práticas florestais. O prémio, no valor de 50 mil euros, será atribuído de dois em dois anos e terá “um júri plural, muito focado na ciência e na divulgação”. TSF

Quarta-feira, 3 de março de 2021

Hoje Rui Rio voltou a demonstrar porque está o PSD nas lonas: apenas três mulheres em cem candidatos autárquicos. Nas lonas está a democracia. E o jornalismo: mais um tiro no pé. Ainda o segundo aeroporto de Lisboa, o passaporte das vacinas e a barreira das 105 edições do diário (isto da RTP pega-se).

O PSD apresentou hoje a primeira centena, mais ou menos, de candidatos a presidentes de câmara. Como dirá o pivô da RTP, o PSD quebrou a barreira dos 100 candidatos 😂

OK, agora é para chorar. Sabes quantas candidatAs? Três. Em cem. Três. Em. Cem. Todas por belíssimas câmaras, das mais prestigiadas do país: Cantanhede (Maria Helena Oliveira), Penedono (Cristina Ferreira mas não é essa) e — não é piada — Freixo de Espada à Cinta (Maria do Céu Quintas).

Três mulheres para quase cem homens. Onde vais Rio que eu canto.

A TSF dá a notícia e a lista, sem tocar no assunto mulheres.

O PSD tem de ter muiiiitas mulheres nos dois terços de candidatos ainda por apresentar para pelo menos igualar a percentagem de mulheres nas últimas autárquicas, em 2017 (menos de 15%). Para já, ainda nem chegou perto da percentagem de 2013 (6%). (Tens dados e análise dessas duas eleições no Coisas de género.)

A democracia terá mesmo os dias contados, ou esta fase de regressão é pontual? Esta é a pergunta que me assalta hoje ao ler o relatório da Freedom House sobre a liberdade no mundo em 2021. O quadro abaixo diz tudo.

Como uma pandemia letal, insegurança económica e física, e conflitos violentos devastaram o mundo, os defensores da democracia sofreram novas e pesadas perdas na sua luta contra inimigos autoritários, alterando o equilíbrio internacional em favor da tirania. Relatório aqui.

O segundo aeroporto de Lisboa tem mesmo de avançar, sabes porquê? Porque já está pago na entrega da ANA à Vinci, que ficou obrigada a construí-lo — se bem que só pistas e edifícios, não as acessibilidades nem todos os outros custos indiretos. O PS e o PSD encomendarão quantos estudos forem precisos e alterarão a lei de propósito, se tiver de ser. Rui Rio foi a correr contradizer-se, para que não haja ondas.

Sou contra e acho que a Assembleia devia era votar uma lei que revogasse o contrato com a ANA no clausulado relativo ao novo aeroporto. Aceito que quando se começou a discutir o segundo aeroporto para a capital este fosse visto como necessário em função do crescimento do tráfego aéreo. Estávamos no início do boom das lowcost, fomos renovando o cartaz turístico lisboeta para aproveitar os efeitos do terrorismo em economias concorrentes, os estudos sorriam à hotelaria e à restauração de Lisboa. Esse cenário idílico já tinha críticos, não apenas os ambientais e os conservadores dos municípios que vão pagar uma elevadíssima fatura da qualidade de vida, mas também os que prenunciavam que talvez o tráfego aéreo viesse a crescer muito menos ou até regredir na década 2020.

Mas a pandemia veio alterar tudo. Há incerteza sobre o futuro do turismo e sobre o futuro da aviação. O sensato agora era pelo menos congelar o plano do segundo aeroporto.

Aprofundar:

Passaporte de vacinação, sim ou não? Resposta rápida: não. Mas é uma decisão pouco firme, eu diria 55% não vs. 45% sim, o que deixa muita margem de discussão.

Argumentos pelo não:

  • não resolve nenhum problema
  • cria mais um perigoso controlo dos Estados sobre os cidadãos
  • é inutilizado pela natureza mutante do vírus
  • sendo digital, é facilmente falsificável ou, para o não ser, ficará estupidamente caro

Argumentos pelo sim:

  • no médio e longo prazo não tem efeitos, mas permite abrir o turismo no curto prazo
  • certificados de vacinação e profilaxia de doenças já existem nalguns países
  • o argumento da privacidade é irrelevante anyway: os teus dados estão em todo o lado disponíveis para toda a gente que os pague ou pirateie.

O jornalismo tuga voltou a ser alvo de (mais) uma vaga de críticas. Como diria um pivô da RTP a gesticular, o número de críticas ao jornalismo passou a barreira das 100 por semana!

Eu já nem digo nada. Desisti. Limitei-me a fechar a porcaria do televisor no dia do aniversário da pandemia, depois de louváveis esforços com o telecomando a percorrer em saltos de poucos segundos os primeiros minutos — nos quais antigamente se esperava que estivessem as notícias do dia — da RTP, da SIC e da TVI. Se comentasse alguma coisa, seria para dizer que os editores deviam ir presos por atentado terrorista à sanidade mental dos portugueses. Mas não comento. Como disse acima, desisti.

Uso a mais branda das frases de Carlos Esperança: “Tem faltado compostura na referência ao número de mortos e a internados nos cuidados intensivos, serenidade na informação e respeito pelos convidados especializados quando divergem do catastrofismo que o jornalista de turno deseja”. Podes sempre ler o texto que descreve o estado da desgraça.

Pior, muito pior, foi a denúncia de Pedro Tadeu (um jornalista) sobre as práticas que se tornaram correntes no jornalismo português. O título do artigo de opinião no DN também é brando: O jornalismo sobre a covid-19 é corrupto? Tadeu descreve a procura de jornalistas por anúncio. A descrição é a de um repetido ultraje, nas margens da ilegalidade.

Não vou citar os pontos, teria de citar o artigo todo, vai lá ler que é aberto, embora tenha a barreira (termo empregue à antiga, não no sentido modernizado pelos pivôs da RTP) do Nónio. À hora que escrevo este parágrafo, 18:47, o Sindicato dos Jornalistas não se pronunciou. Deixo-te apenas com a conclusão: “Portanto, ao que parece, está montado um sistema de contratação, por entidades estranhas ao jornalismo, de jornalistas que estejam a trabalhar em redações para impingir nos seus jornais, rádios ou televisões matérias que, embora sejam baseadas na realidade (ninguém pediu para mentir), fossem capazes de alterar a linha editorial desses órgãos de informação”. Se és jornalista ou te interessas, e ainda não leste, é obrigatório ler: https://www.dn.pt/opiniao/o-jornalismo-sobre-a-covid-19-e-corrupto-13411040.html

Graças ao João Ribeiro e ao Pedro Fonseca, reproduzo imagem do anúncio em causa. Lê o artigo de Pedro Tadeu para saberes qual o objetivo do contratante.

Bem, a brincar, a brincar, esta é a 105ª entrada no meu diário distribuído como newsletter com o nome Certamente! Falando em quantidade, tenho um objetivo: escrever 1.001 entradas. Não que pretenda parar nesse dia… Este não é o único objetivo. Já só faltam 896 🙃

(Para efeito de arquivo: todas as edições estão em linha no meu site. As páginas de arquivo contém os meus textos mas não todo o corpo dos emails. Este só está disponível a partir da entrada do dia 2 de fevereiro.)

Segunda-feira, 1 de março de 2021

Hoje vai-te cair a queixada: eu a endossar Francisco Assis! Ah, a cultura da raspadinha… A boa notícia é o Chega a descer nas intenções de voto. Correspondência, opiniões e suculento linklog a rematar

Mais uma sondagem, mais um mês que passa com os dois blocos bem definidos na sua relação de forças, hirta como uma barra de ferro. A transferência de votos entre o bloco das esquerdas e o bloco das direitas é praticamente nula: não tem expressão fora da margem técnica de segurança. Em termos práticos, isto significa que se as eleições tivessem sido no fim de semana passado o PS tinha-as vencido confortavelmente e perto da maioria absoluta de deputados na Assembleia da República graças às continhas do milagreiro Hondt.

A Iniciativa Liberal confirma a trajetória ascendente. Apesar da subida nesta sondagem parecer incluir uma correção técnica da própria (aumento de quase 2/3 é anormal), os 5,7% estão alinhados com a tendência, tanto a curta como a longa: é o único partido que só subiu e nunca desceu nos últimos 2 anos.

Mas o que reputo de mais interessante nesta fase é o espaço de crescimento: ao contrário do Chega, a IL ainda não esgotou o combustível do apelo. Adivinha-se estar lá próximo apenas e só quando olhamos para a big picture das direitas, porque os dados disponíveis não permitem ver onde está o plateau dos liberais (falsos ou verdadeiros).

O BE, o PCP, o PAN e o Livre recuperam algumas intenções de voto, mas nos três primeiros casos é estatisticamente pouco significativo. O BE volta a terceiro partido mais votado, um elemento informativo inútil dados os valores em causa mas que tem impacto nos títulos de Imprensa: @s jornalistas adoram utilizar termos como “barreira”, que se pode referir a qualquer arbitrariedade, como se existisse um evereste a separar 499 de 500, e um “pódio”, então, tira-@s do sério.

[RTP em especial, onde este erro se está a tornar imagem de marca: se precisas mesmo de uma calçadeira, usa “marco” e não “barreira”. 500 casos é um marco, estamos habituados a marcos, não é uma barreira como por exemplo a do som, que marca a diferença entre ouvires ou não o estampido de um voo supersónico. (E mesmo este exemplo… Enfim, estou com pressa.)]

Confirma-se que o momentum da extrema-direita portuguesa já passou. É de salientar, e se segues o diário há tempo suficiente já aqui leste que a extrema-direita estava na antecâmara da regressão: o Chega confirmou o esgotamento pressentido nos últimos quatro meses, baixando um ponto percentual e regressando aos valores de outubro. Se a isto juntarmos o cansaço visível nos fabricantes de vapor mediático, com o número de notícias sobre o Chega e cada gesto do Futuro Grande Timoneiro Da Direita E Do País a diminuir de dia para dia, e a entrada de Carlos Moedas no palco principal da animação política, eu diria que a regressão se vai acentuar, devolvendo o Chega as intenções de voto emprestadas pelo PSD.

E o PS? Está igual em termos homólogos: regressou ao mesmo valor que tinha em março de 2020. Contudo, desceu dois pontos desde a última sondagem, em janeiro. Os 37,6% constituem a primeira vez num ano que o PS desce à casa dos 37. Importante? Não diria. Uma vez mais, dentro da flutuação técnica, pelo que até é arriscado, ainda que pareça lógico, atribuir tal perda ao janeiro negro da pandemia em Portugal. É uma probabilidade incomprovável sem outros estudos.

Quanto ao PSD, ainda não se viu nenhum efeito do facto político relevante do ano, até agora, que foi o lançamento de Carlos Moedas para Lisboa. Menos uma décima é nada. Nos últimos 18 meses o partido oscilou dentro de uma faixa de 3% — uma vez mais, cortando rente o cabelo das leituras.

Por último: confirma-se a irrelevância do CDS, no qual hoje votaria 1 em 100 eleitores. Caso para dizer: ainda bem que o partido rejeitou a mudança de líder, deixando Adolfo Mesquita Nunes livre para melhores projetos.

Disto não apanhas tu todos os dias, aproveita: eu a endossar Francisco Assis. “O Governo deveria reponderar o lançamento de uma nova lotaria instantânea (…) Se eu tivesse responsabilidades governativas esperaria, no mínimo, pelo estudo que o CES vai promover”, disse Francisco Assis à agência Lusa (cito a RTP). Não é aceitável pensar em financiar qualquer investimento à custa do empobrecimento de quem é viciado neste tipo de jogo, diz o presidente do Conselho Económico e Social. E digo eu.

É difícil de acreditar, eu sei, mas está inscrita no Orçamento do Estado para 2021 a criação de uma lotaria instantânea para financiar intervenções no património cultural do país. É o máximo, a cultura depender da raspadinha.

Correio dos leitores

L.G. e o artigo sobre a bullshit que envolve a “sustentabilidade”: “Uma coisa que me surpreendeu foi o impacto interno na retenção, principalmente de engenheiros informáticos (que é a área que me afectava directamente). Apercebi-me que, enquanto os da minha/nossa geração dão mais importância ao valor gerado pela empresa e ao salário e benefícios que recebem, a geração mais nova identifica-se e dá mais importância ao quanto “verde” e “sustentável” é a empresa e ao impacto social que causa (ou aparenta causar), e menos aos benefícios.

Estás então a dizer-me que os mais novos são mais suscetíveis ao corporate bs? Ou seja, que “responsabilidade social” e sobretudo “verde” e “sustentável” são tão ou mais dirigidos ao próprio universo do que aos clientes? Ou talvez a leitura seja de fazer na perspectiva contrária: de cá para lá. Explico-me: os mais novos perderam (ou nunca sequer adquiriram) as ilusões sobre os salários e benefícios, assumindo que o lucro é todo do patrão, ponto, pelo que se agarram às narrativas da importância social. Claro que é um tema controverso e sujeito aos viés ideológicos.

A.R. já há que tempos que me escreveu o seguinte (e tenho boas notícias para além da correspondência que então trocámos): “acabei de ler A Era do Capitalismo da Vigilância de Shoshana Zuboff e fiquei apreensivo e mesmo alarmado. Num dos seus próximos Certamente gostaria de conhecer a sua opinião e competentes conselhos.

A minha mulher fez-me uma surpresa e chegou-me cá a casa na sexta a edição portuguesa! Vou ler e é certo que tanto o livro como o tema serão assunto no diário — espero que algures em Março.

V.N. colocou uma questão pertinente sobre as vagas da pandemia Covid-19: “refere um gráfico do Público sobre a evolução em Portugal em agregado, mas se o separarmos por regiões deixa-me uma questão para a qual nenhum dos imensos especialistas que se tem pronunciado deixou uma pista. Porque é que as vagas no Norte são diferentes das restantes regiões?

Não tenho uma base científica. Há vários fatores, creio que os principais serão a concentração de pessoas combinada com a geografia, e a circulação. Quanto mais as pessoas circulam, seja para trabalhar ou não, mais condições existem para os vírus se propagarem. Depois há a questão das velocidades da propagação, que também ditam curvas diferentes.

Encontrei uma explicação que adensa melhor o que eu já pensava, embora referindo a diferença entre áreas urbanas e campo: Urban areas, especially megacities, have been hit hardest by Covid-19, although that pattern is shifting as outbreaks spread across countries. There are four main explanations linking urban areas and coronavirus, emphasising density; connectivity; crowded living conditions; and exposed occupations. There is evidence for each, but disentangling their effects is challenging. Link: https://www.economicsobservatory.com/why-has-coronavirus-affected-cities-more-rural-areas

A Nature tem um paper mais completo e próximo, porque relativo a Itália, mas também mais difícil de ler: https://www.nature.com/articles/s41467-020-18050-2

A.M.C.R. a propósito do PRR e do artigo de Arlindo Oliveira: “fico escandalizado quando vejo que o ensino profissional está a ser transformado num repositório de cursos sem qualquer lógica de futuro e dos alunos da ação social. Procurei no concelho e tirando a EPED com um curso de informática (mas mais numa lógica de gestão de redes e infraestrutura), não existe nada relacionado com a computação e robotização. Sei que seria um nível muito básico, mas seria uma forma de prepararmos as classes mais desfavorecidas para o futuro (são estas que frequentam maioritariamente os cursos profissionais) e em parte despertar o interesse nessas áreas. este PRR falha muito nesse aspecto”.

A oferta é de facto muito pouca. E ainda por cima é mal distribuída. Num nível superior, isto é, dirigido à investigação, há alguma coisa nos cursos científicos. Mas para formar programadores nas disciplinas relacionadas com automação não há nada. E é aí que há procura de pessoas. O mercado ainda está a absorver os self-taught programmers, felizmente há muita oferta de cursos online que não dão canudo e posições com bons salários altos e bons bónus anuais, mas dão alguma competência e salários médios.

P.F. levantou várias questões na sequência do texto sobre a burguesia do teletrabalho. Em duas respostas abarco a maior parte dos temas. “Como propõe aumentar a receita pública?

Não proponho. Em regra evito detalhar a minha cosmovisão. E em certos assuntos, como a economia, procuro ser cuidadoso na emissão do que é uma mera opinião. Se quer mesmo saber: proponho uma economia de não crescimento através, entre outras, da penalização do consumo de recursos naturais (sendo o cidadão um desses recursos). Uma vaga de não crescimento é a única forma de manter o oceano viável no longo prazo. Há demasiado capital acumulado. As economias avançadas podem “viver dos rendimentos”, por assim dizer, durante duas ou três gerações, se for preciso.

E para si, prezado Paulo Querido, como resolveria o fluxo (e stock que se vai amontoando) de dívida?

Rasgando as notas de dívida. A dívida não passa de um instrumento financeiro, tal como o dinheiro. Cumpridos — ou não — os propósitos que levaram à sua utilização, se o instrumento se tornou um problema para a continuidade da atividade, elimina-se o instrumento, não se paraliza a atividade. O princípio é simples. Pode ser alcançado de várias maneiras, ou fases. Difícil é vencer a inércia. Muitas vezes o reset é o melhor caminho.

2021/03/08

O líder do Volt, Tiago Matos Gomes, é o cabeça de lista do partido à Câmara Municipal de Lisboa. publico.pt

2021/03/07

The Frontiers Of Digital Democracy. Taiwan is reinventing the consent of the governed. Q: You are at the forefront of practicing online deliberative democracy in Taiwan. Would you explain how this has worked? Tang: First of all, I rarely use the words “deliberative democracy” because it has so many syllables to spill out of your mouth. I simply say that participation by citizens in such a process should be “fast, fun and fair.” Also, participation only works if there is a real effect on power. @NoeMa NoeMa

Bill Gates and wife Melinda’s modest parenting style: the Microsoft centibillionaire’s kids go to church and will inherit ‘only’ US$10 million each @South China Morning Post South China Morning Post

Ecocidio: justicia para las víctimas del crimen ambiental Los desastres ambientales causan millones de víctimas que pierden sus viviendas, territorio o documentación con consecuencias ecológicas y sociales que durarán generaciones. Reconocer el ecocidio como crimen ayudará a luchar por sus derechos @Margarita Trejo Poison, Ethic Margarita Trejo Poison, Ethic

Os anos que fizeram o século do PCP @Álvaro Vieira, Público Álvaro Vieira, Público

Portugal está acima da média da União Europeia na percentagem de mulheres que ocupam cargos nos governos nacionais e que têm assento nos respetivos parlamentos, 39% e 40%, respetivamente. @JornalDeNotícias JornalDeNotícias

Francisco Camacho foi eleito Presidente da Juventude Centrista expresso.pt

Presidência terá mais de 60% de mulheres no segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa rtp.pt

2021/03/05

La France peut et doit sortir de l’impasse nucléaire. La prolongation de la durée de vie des centrales récemment validée par l’Autorité de sûreté nucléaire s’accompagne d’une obligation de travaux que EDF n’aura sans doute pas les moyens de réaliser en temps et en heure. Pourquoi continuer à entretenir de vieux réacteurs alors qu’une France à 100 % d’énergies renouvelables est techniquement possible ? @Libération (€) Libération (€)

This afternoon, the Senate voted to take up the $1.9 trillion American Rescue Plan recently passed by the House. The vote was 51 to 50, with Vice President Kamala Harris casting the tie-breaking vote. @Heather Cox Richardson Heather Cox Richardson

China Is Outperforming The West, Politically And Economically @Jeffrey E. Thompson, Global Comment Jeffrey E. Thompson, Global Comment

A Reclaim Your Face é uma Iniciativa de Cidadania Europeia que quer proibir a vigilância abusiva com recurso a dados biométricos e sistemas de inteligência artificial, incluindo o reconhecimento facial e todos os outros sistemas que possam ser utilizados (voz, olhos, ou até a forma de caminhar, etc.) Precisa recolher pelo menos 1 milhão de assinaturas num mínimo de 7 estados-membros para obrigar a Comissão Europeia a abrir o debate no Parlamento Europeu. (dica L.G.)@Aberto até de Madrugada Aberto até de Madrugada

Marcelo Rebelo de Sousa é o vencedor do prémio da CPLP deste ano 24.sapo.pt

Clubhouse and TikTok Are the Antidote to Twitter's Rage. New social networks are carving off the best pieces of bigger platforms, though they still haven't figured out how to provide reliable news. @Bloomberg Bloomberg

Can Africa industrialize? I think it can. Afrofuturism is a fun and interesting subgenre of science fiction and philosophy:, but I kind of chuckle every time I see the word, because all futurism is actually Afrofuturism. Africa is literally the future of the entire world. @Noah Smith Noah Smith

PCP comemora 100 Anos. Cinco razões para explicar a sua longevidade publico.pt

Portugal tem cerca de 1,5 milhões de armas legais. A maioria são carabinas e espingardas destinadas à caça. 24.sapo.pt

2021/03/04

But there are two illiberal cultures swallowing up the country. In my America, the people who keep quiet don’t fear the wrath of Trump supporters. They fear the illiberal left. They are feminists who believe there are biological differences between men and women. Journalists who believe their job is to tell the truth about the world, even when it’s inconvenient. Doctors whose only creed is science. Lawyers who will not compromise on the principle of equal treatment under the law. Professors who seek the freedom to write and research without fear of being smeared. In short, they are centrists, libertarians, liberals and progressives who do not ascribe to every single aspect of the new far-left orthodoxy. @Deseret News Deseret News

Democrats Must Prepare for Democracy’s Last Stand. In over 43 states, legislatures have introduced over 250 bills designed to restrict voting rights, most notably in states Biden won. These bills restrict mail voting, impose burdensome voter ID, signature, and witness requirements, eliminate voter-registration expansions, and create allowances for voter-roll purges. If enacted, they will silence millions @Crooked Media Crooked Media

Les rédactions face au dilemme de la protection de leurs journalistes. Depuis la crise des gilets jaunes, les médias sont l’objet d’une défiance accrue. Dans les locales, les réticences à s’équiper de casques, de voitures banalisées ou à avoir recours à des agents de sécurité restent fortes. @Libération Libération

RIP Gold. Killed by Bitcoin @naked capitalism naked capitalism

Words of Comfort For The Eco-Anxious: how to overcome the climate anxiety of environmental doom @Are We Europe Are We Europe

According to the International Monetary Fund, Venezuela’s GDP in 2020 was over 75% below its 2013 level – a globally unprecedented peacetime collapse (and worse than the impact of most wars). Small wonder that over five million people, some 15% of the population, have left the country since 2015. With Trump out, President Joe Biden’s administration has announced a foreign policy centered around the defense of democracy. How should it deal with Venezuela, given that previous efforts to restore democracy and prosperity have not delivered either? @Ricardo Hausmann & José Ramon Morales-Arilla, Project Syndicate Ricardo Hausmann & José Ramon Morales-Arilla, Project Syndicate

La maldición de los recursos naturales Esta es la situación de la Venezuela actual, con unos niveles de renta y riqueza que no han parado de decrecer desde que Maduro fue investido presidente en 2013. La máquina de fabricar dinero ha sido su política macroeconómica principal, lo que ha llevado al colapso de la economía y a un retroceso en los niveles de desarrollo humano de los venezolanos sin precedentes, al punto de que en la actualidad ocupa el puesto 113 a nivel mundial. @Rubén Garrido-Yserte, Ethic Rubén Garrido-Yserte, Ethic

Faleceu no dia 3 a cantora fadista Maria José Valério, 87 anos. De Covid-19 pt.m.wikipedia.org

Carlos Moedas apresentou candidatura a Lisboa como uma "decisão de vida" emocional e racional visao.sapo.pt

Altice quer despedir 1.000 trabalhadores. Em 2019 saíram 816. expresso.pt

2021/03/03

The gender gap in European governments and parliaments. Italy has gone from having 9.9 percent female members of parliament in 2004 to 35.8 percent in 2019. This is an increase of 25.9 percentage points, the largest in Europe. Italy is followed, with increases of more than 20 points, by France and Portugal. @edjnet edjnet

Neuroprivacy as a Basic Human Right. The life of the mind is not as private as it used to be. Late last year, Chile’s parliament voted unanimously to adopt a new bill that enshrined “neuro-rights” for the country’s citizens by affording neuronal data the same status as donated organs, which are illegal to traffic or manipulate under the country’s constitution. This bill, the first of its kind anywhere in the world, could foreshadow a coming policy debate in the United States and elsewhere to tackle perhaps the most significant privacy and human rights question to arise since the dawn of the internet. @ Neo.life Neo.life

Warren Revives Wealth Tax, Citing Pandemic Inequalities. It would apply a 2 percent tax to individual net worth — including the value of stocks, houses, boats and anything else a person owns, after subtracting out any debts — above $50 million. It would add an additional 1 percent surcharge for net worth above $1 billion. It is co-sponsored in the House by two Democratic representatives, Pramila Jayapal of Washington, who leads the Congressional Progressive Caucus, and Brendan F. Boyle of Pennsylvania, a moderate. @The New York Times The New York Times

Right-wing misinformation on Facebook is more engaging than its left-wing counterpart, research finds. Accounts rated by outside media watchdogs as being far-right and frequent spreaders of misinformation are far more likely to generate likes, shares and other forms of engagement on their respective Facebook pages than right-wing sources of reliable information — which in turn are better at generating engagement than left-wing sources of misinformation. The results provide evidence that right-wing sources of misinformation are some of the most engaging content creators on Facebook, said Laura Edelson, a researcher at NYU's Cybersecurity for Democracy initiative. @CNN CNN

há 4 meses

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente

Uma vez jornalista, sempre jornalista”. “O jornalismo é sacerdócio”. “Podes deixar de praticar, mas não deixas de ser jornalista”.

Ao longo da vida sempre ouvi estas frases. Talvez por isso, quando os jornais deixaram de querer os meus serviços, por volta de 2013-14, tive problemas para estabelecer uma bioline. “Ex-jornalista” ia contra o cânone segundo o qual tu nunca deixas de ser jornalista. “Antigo jornalista” idem, além de soar pior. Usei ambos, sentindo-me sempre desconfortável.

Até que deixei de invocar o jornalismo; está no CV, aí permanecerá para sempre, foram 30 e tal anos, uma vida, quase toda a minha vida produtiva, mas faz já algum tempo que não é mais invocável no meu dia a dia. Ter sido jornalista não me confere qualquer grau, prestígio ou estatuto especial. Amig@s e leitor@s podem achar que sim, mas eu sei que não. Outros jornalistas no ativo, em pousio ou na reforma podem achar que sim e cada um falará por si, as vidas são diferentes.

Falo disto porque numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

há 5 meses

Portugal tem menos oposição do que precisa e a culpa é, inteirinha, do PSD

Portugal tem menos PSD do que devia, tem menos oposição do que precisa. E nada disso é assacável a um PS enfraquecido e asfixiado sob o peso da responsabilidade da gestão dos fundos comunitários. A nulidade política da direita portuguesa é para a conta, inteirinha, dela própria. Resulta da deserção de Rui Rio do espaço público onde se negoceiam entendimentos sobre os temas da década.

há 6 meses

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil. Mas é cedo para escolher.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

há 6 meses

17 anos depois, o relançamento

17 anos passam num instante? Não. Demoram. E 20 anos — que é o tempo de vida deste domínio? E 31 anos, que é o tempo que levo a publicar coisas na Internet? São milhares de artigos e páginas e posts por todo o lado. Quando queres consolidar um arquivo destes, é preciso coragem para ganhar balanço. E se queres relançar a publicação pessoal? Escreves uma aplicação que faça a coisa exatamente como a queres.