Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Foi rápido: hoje já se sentiu o efeito centrípeto da figura de Carlos Moedas, com CDS e IL a renderem-se e o Chega fora do palco. Também explico a cultura do semáforo e o efeito pernicioso do jornalismo na democracia. Ah: e um correio dos leitores super interessante.

E de repente André Ventura quase cai fora do palco mediático. Ficou preso por uma notícia dos Açores. O extremismo é prejudicado gravemente pelo efeito centrípeto do anúncio da candidato do PSD a Lisboa: Carlos Moedas.

O CDS emendou o discurso, procura regressar à mesa dos crescidos. Depois de ter votado a favor do Estado de Emergência, alterando a sua posição histórica, o CDS-PP diz que Carlos Moedas é “um nome forte” para liderar uma “coligação de centro-direita” em Lisboa e recebeu-o com “alegria e entusiasmo”.

Só pela devolução da expressão “centro-direita” aos títulos de imprensa os portugueses deviam agradecer a Moedas e a Rui Rio. Já temos uma certa normalização discursiva, um tema tratável para dar o que fazer aos colunistas. O resto logo se vê.

Cansados: cancel culture. Ligados: greenlight culture.

Em duas décadas o jornalismo passou de baluarte “indispensável” da democracia a um dos seus problemas. Na edição do Certamente! de segunda, 22 tratei os eventos na Austrália, com a lei pedida por Rupert Murdoch para sacar à má fila uns cobres à Google e a Facebook, e ameacei com dois capítulos mais. Este é o segundo capítulo: o problema que os governos criam para si próprios ao irem nesta cantiga do bandido de Rupert Murdoch e dos grupos de media, junto com o efeito nefasto que o jornalismo passou a ter sobre a democracia.

Listo três vectores para essa nefasta transição:

  • a concentração no setor dos media atingiu o ponto crítico a partir do qual os concentrados passam a deter um poder de influência inapelável
  • as respostas dos gestores dos media ao nascimento de concorrência no mercado da publicidade destruíram o delicado equilíbrio entre aquela e as notícias, soltando a franga da economia da raiva, que substituiu a estímulo da busca da verdade pela produção de narrativas de ódio
  • sem vontade nem capacidade para enfrentar o problema da globalização económica, que arrasou o sistema de impostos, governos e parlamentos movem-se erraticamente entre poderes fácticos na esperança de cravar uma esmola às “multinacionais naturais” que nasceram da informática e das redes a partir de meados da década de 1990.

Sabias que quatro pessoas quatro, ou melhor, quatro homens brancos poderosos quatro, controlam 75% da imprensa britânica? E que em Portugal três grupos controlam 80% dos títulos de media e talvez mais das audiências? Em Espanha a mesma coisa e em mais países o cenário é similar. E o que estes números não dizem é que o alinhamento ideológico dos grupos ainda é mais afunilado e na prática perseguem os mesmos objetivos, com as ligeiras variações dos interesses de cada grupo, geralmente sectoriais.

O poder dessas pessoas torna-se supremo e omnipresente. Não é só no plano da ideologia que impõe ao espaço público uma determinada narrativa e cosmovisão: vai desde a reunião em pessoa com os ministros até à escolha dos colunistas com acesso aos púlpitos da televisão, rádio e Internet. Por exemplo: a cultura do semáforo foi o instrumento na redefinição do tecido jornalístico português ocorrido nos últimos 15 anos. (Só agora, graças às brechas que a tecnologia proporciona, começa a ser aflorada essa cultura da green-light mencionada supra.)

Desde o momento em que Boris Johnson se tornou primeiro-ministro em Julho de 2019 até ao final de Setembro de 2020, três proprietários de imprensa, e os seus representantes, tiveram mais reuniões com ministros do que todos os outros meios de comunicação social do Reino Unido juntos. Só a News Corp, de Rupert Murdoch, teve 40 reuniões. Não há actas, os britânicos não fazem a menor ideia do que se passou nelas. Vão tentando debater o problema da concentração. Não passam disso.

Se a concentração é um assunto em trânsito desde muito antes da Internet ter vindo ajudar à descontinuidade do negócio fortemente protegido da comunicação social, esta descontinuidade provocou duas tragédias. Por um lado expôs a impreparação da gestão dos grupos de media, que identificou erradamente todas as ameaças e oportunidades, confiante em excesso na sua alavancagem sobre o poder político.

Por outro, criou os monstros tecnológicos: Google e Facebook, agora na mira, mas também a Amazon, a Apple e a Microsoft, que atuam no palco secundário, com menos holofotes. Estes construíram os sus negócios calmamente em cima das audiências dos media, proporcionando-lhes toda a gama de soluções para o novo ambiente reticular a que os media nunca se adaptaram e sempre combateram.

Os media nunca recuperaram da perda das receitas fáceis da publicidade. E o que fizeram no desespero de as esticar até ao limite, vá, é só mais este trimestre — a frenética corrida ao pageview, ao click a qualquer custo — teve um efeito secundário que é uma bomba atómica no espaço público onde se constrói a democracia: a substituição da ponderação intelectual pela manipulação dos instintos básicos. Sintetizando o excelente artigo de Murtaza Hussain em The Intercept (vê as fontes abaixo), “infelizmente para a sociedade como um todo, uma das melhores formas de rentabilizar o envolvimento na Internet é gerando raiva”.

Num ambiente propício à propagação de mentiras, falsidades e propaganda no que se especializaram os jornalistas? No congelador? Na travagem dessa propagação? Não. Na fogueira. Acelerador em vez de travão — é o pecado do setor, e escrevo setor de propósito pois que iliba os poucos dissonantes que procuraram remar contra esta maré.

(Se só tiveres tempo para ler um artigo, lê o da Intercept — é o que te transporta mais depressa mais à frente neste assunto.)

E finalmente: o que têm feito os políticos? É preciso ser ou destravado ou ingénuo para não antever qual seria o lance da Facebook: depois da dramatização, regressar a jogo para obter precisamente o que queria em primeiro lugar. E o que queria é muito simples: queria manter o controlo sobre o SEU negócio. Não se tratava de dinheiro. Dinheiro é o que a Facebook tem a mais, de sobra, de fonte inesgotável a perder de vista. Tratava-se de manter o controlo do que construiu.

O acordo saído do dramatismo é eloquente. O novo texto da lei em rota de aprovação transforma numa possibilidade dentro das circunstâncias aquilo que estava escrito como uma obrigação indiscutível. Ou seja: é uma retumbante vitória da Facebook. E uma clamorosa derrota de quem tomou as dores da News Corp: o governo australiano. A Facebook saiu por cima, com o seu poder intocado e até reforçado, agora com a News Corp no bolso de trás dos jeans. Os agora best friends Murdoch e Zuckerberg ficaram com ainda maior poder sobre as instituições democráticas da Austrália.

Há um problema, e dos muito graves, com “as plataformas”: têm um poder desmesurado sobre o espaço público, são opacas e não retribuem a quantidade esperada, e justa, do valor económico que agregam. A construção legal do mundo protege-as. As leis em que se fundou a atual globalização são as malhas em que se movem com toda a legitimidade. Agora, este é um tipo de problema que não se enfrenta com os arranhões imaginários que a Austrália acredita ter feito à Facebook.

Espero que no Canadá como na União Europeia os políticos que aguardavam o alento da Austrália emendem o percurso. Não se caçam leões com fisga, não se tratam cancros com paracetamol.

Fontes:

Correio dos leitores (algum com atraso… amanhã há mais)

Em primeiro lugar, que bom que é ler este correio diário. Muitos parabéns.
Sempre lidas e muito apreciadas. Excelente trabalho o seu
Um abraço e continuação, gosto do registo, dos caminhos e das inquietações. Das pistas.
Tem sido um imenso prazer ler a sua newsletter.
Obrigado pela perspetiva lúcida e bastante isenta dos acontecimentos atuais.

I.T.A., A.R., A.A., A.M.C.R., E.R. e tant@s leitor@s mais que só nas duas últimas semanas me apaparicaram com palavras deste género. A tod@s, obrigado. Considero-me estimulado para fazer melhor.

Btw: O que achou da entrevista/conversa do Luís Osório à Graça Fonseca? Confesso-lhe que nunca li nenhum livro dele, embora o considere talentoso na orgia das palavras. Mas soube-me a pouco. Mas acho que a ministra esteve pior. Alguém com Phd deve ter cuidado redobrado na utilização de palavras como sempre e nunca — isto a propósito das raspadinhas” — P.F.

Conheço mal o Osório, ainda me cruzei com ele numa rádio mas por pouco tempo e eu era um mero colaborador. Fiquei na altura com uma má impressão. Contudo, li algum trabalho bom dele, em entrevista e em análise. Sigo-o no Facebook e já tenho partilhado alguma coisa. Mas são mais as vezes em que discordo, ou acho que ele errou o alvo. Graça Fonseca saiu-se bem como Secretária de Estado, tem-se saído menos bem como ministra. Tem sido com cada fora verbal… E em termos políticos não se lhe conhece nada de particular. A melhor coisa que fez foi chamar o Nuno Artur Silva para Secretário de Estado, ao menos ele apresenta trabalho (mesmo nem sempre concordando, nomeadamente nas políticas para o serviço público).

Para os mais jovens as oportunidades de trabalho vão reduzir-se drasticamente. Estou a falar dos trabalhos à disposição dos mais jovens: no mercado HORECA, no comércio, por aí fora. Trabalho que não exige grandes qualificações e mal pago. Será que vai recuperar depois de passada a crise pandémica? Vai, mas ao fim de quantos anos? Quantas unidades HORECA, quantos pequenos comércios vão continuar fechados? As medidas de combate à pandemia têm efeitos colaterais muitíssimo mais graves do que aparentam, mas esses efeitos só se vão verdadeiramente sentir a médio prazo e nessa altura já ninguém vai verdadeiramente pôr me causa aquilo que está agora a ser feito. (…) O que está ser feito, a destruição maciça de sistemas de vida dos mais novos, está a ser feito em nome dos mais velhos, é de uma injustiça intergeracional enorme. Não nos podemos esquecer que os mais velhos são a geração que teve as melhores condições de vida desde que Portugal é um estado de direito, quer dizer, nos últimos dois séculos. A geração dos velhos é a nossa geração de ouro que viveu nesse longo ciclo que se iniciou com boom económico salazarista e se prolongou no estado democrático. Este longo ciclo teve altos e baixos, mas foi no seu todo o melhor período para se estar vivo neste país de que há memória. E o que se sabe já é que não vai continuar — e nem é por causa da pandemia que vai acabar, as causas são outras, a pandemia apenas as acentuou. Quer dizer, os velhos tiveram a melhor vida que alguma vez se viveu neste país, e querem ter a melhor morte. Quem vem a seguir que apague a luz” — S.M.

A conversa com S.M. tem sido profícua. Já deu assunto para vários diários e ainda tenho mais na calha, como a análise à extrema-direita e, agora, esta questão da injustiça intergeracional. É capaz de ser o mais bicudo problema. E em grande medida pode pressionar para a saída de políticas tipo Rendimento Básico Universal, que não sendo seguramente as melhores, são as possíveis.

Sim: o emprego HORECA, que entre nós é importante, vai levar anos a recuperar quantidade (talvez recupere alguma qualidade mais depressa, mas a qualidade não resolve o emprego porque é sempre numericamente pequena). Mas os mais jovens são também mais adaptáveis. Eu tenho dias de algum otimismo, mas são mais os dias em que vejo isto com olhos pessimistas.

Desta vez a newsletter foi enviada na happy hour? “pague“ uma, receba duas!!” — M.F.L.
Ontem recebi o Certamente! duas vezes…” — J.C.

Eheheh… Ainda bem que levaste com humor, M.F.L.. Há uma razão para isto: a primeira edição do diário continha um bloco ainda em modo rascunho, do qual me esqueci, e que não devia ter saído. Alterei logo e fiz a segunda edição em menos de 10 minutos, na esperança de que abrissem a segunda, por sobreposição lógica.

E pronto. Ficaram quatro conversas de fora, saem amanhã.

Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Hoje damos uma volta pela diplomacia das vacinas. Parecia interessante, mas é um tanto boring: os países fazem o que se esperava. Inesperada é a “vacina” Carlos Moedas com que Rio bloqueia os vírus internos do PSD e desafia Medina.

As vacinas tornaram-se num instrumento geo-político. Era de esperar. O que pode surpreender é a rapidez e o descaramento das pressões e alavancagens, mais do que os alinhamentos de países e blocos, que seguem as tendências esperadas. Portugal, por exemplo, segue as regras da boa diplomacia com os PALOP e Timor, prometendo-lhes um milhão de vacinas, ou seja, 5% do total adquirido.

Na diplomacia das vacinas, o caso que mais irritação provoca é o de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi o que melhor aproveitou a pandemia em todo o mundo. Investiu brutalmente na aquisição, o que lhe permitiu um plano de vacinação muito rápido e sair desta fase em grande. Agora prometeu vacinas à República Checa a troco desta abrir representação diplomática em Jerusalém. E também à Guatemala, que já abriu a sua embaixada em Jerusalém, e às Honduras, que planeiam fazê-lo. Netanyahu foi criticado internamente por ter tomado as decisões sozinho. E já hoje surgiram notícias de que, por causa da dúvida sobre a legalidade das suas decisões, Israel tem de suspender o envio de vacinas para o estrangeiro.

Países como a Índia, a China ou os Emirados Árabes Unidos estão a doar doses de vacinas a outros países, numa tentativa de poder, de alguma forma, controlá-los. Em alguns casos, enviam milhares de vacinas para outras nações, apesar de também continuarem a precisar de satisfazer as suas próprias carências e necessidades no que diz respeito à vacinação e à sua situação epidemiológica.

Rui Rio sacou um coelho da cartola e o país deve agradecer. A escolha de Carlos Moedas para candidato à Câmara de Lisboa tem, entre outras vantagens para o líder do PSD, três componentes que valorizam a vida pública portuguesa:

  • eleva a fasquia das autárquicas em geral e a corrida à capital em particular: Moedas não é Cristas e não será um passeio para Fernando Medina. O PS terá de se empenhar seriamente em fazer melhor
  • reduz o ruído interno do PSD que os megafones da SIC e da TVI ampliam para mal dos nossos ouvidos
  • relança os valores (ou as pessoas e suas ideias) centristas e pragmáticos da área do PSD e com isso tira o tapete que se prepara(va) para o regresso do passismo, com o próprio a falar pela sua voz ou através de um dos seus bonecos.

O homem que deu Beja ao PSD e foi de Secretário de Estado para Comissário Europeu é em primeiro lugar um forte candidato à Câmara de Lisboa. Carlos Moedas é em segundo lugar um tampão à extrema-direita, desde logo dentro do PSD, mas com capacidade de impermeabilização também no CDS. Que, metido na coligação para Lisboa, terá de se recentrar.

Aos 50 anos de idade, desde hoje que tudo fica em aberto para Carlos Moedas. Câmara, partido, governo — todas as possibilidades para a melhor moeda do seu partido. Só tem a ganhar com esta corrida, ele e o PSD, conquistem ou não Lisboa a Medina.

Uma lateralidade da cena macaca do PDF falso distribuído por um colunista do site que poucos minutos volvidos fez um fact-check ao documento cujo URL afirma o contrário da conclusão e que foi imediatamente noticiado por outro site que é dirigido por um antigo diretor do site do colunista, colunista que foi logo entrevistado por outro site para o qual também escreveu umas coisas, desta vez para explicar que tinha as melhores intenções com a bomba de FUD que lançou: deu para perceber que um link tem um grande valor, um valor inestimável para o espaço público, para a verdade.

Uma afirmação mentirosa, como um documento falso, podem ser repassados por todo o ecossistema reticular, sejam grupos invisíveis no WhatsApp ou perfis públicos no Facebook e Twitter, sem que haja qualquer verificação de autenticidade e veracidade. Um link, um simples link, basta a existência de um link, para qualquer pessoa poder confirmar com o raio de UM clique a autenticidade do documento ou a veracidade da autoria.

Um link chega.

Tesourada de Ockham nisso! Há link? É provável que seja verdade, deixa ver. Não há link? É provável que seja mentira, vê lá.

Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O assunto do dia é o Plano de Recuperação e Resiliência. Todos gostavam que os €14.000 milhões fossem o seu Plano Poupança Reforma, mas não. Foco na transição digital, que é um embaraçante flop.

Amanhã logo escrevo sobre vacinas: o plano mas também os resultados e ainda, ou sobretudo, a sua weaponization pelos Estados, com o mau exemplo de Israel.

Quando António Costa pede a participação na discussão pública do Plano de Recuperação e Resiliência, não somos nós, cidadãos em nome individual, que temos a obrigação de intervir — embora possamos fazê-lo e há bons exemplos, como o que citarei a seguir. O nosso papel é pugnar por estar bem informados sobre a evolução da discussão. A discussão tem de envolver as pessoas coletivas: associações empresariais e culturais, grupos políticos, autárquicos, clusters regionais ou sectoriais. Todos os que têm um interesse direto na distribuição do guito, portanto, e desculpa ser tão cru, mas não há mal nenhum nisso (nem em ser cru, nem em defender os interesses), pelo contrário.

Não li o plano. Ainda não li, gostava de arrumar tempo, mas se não encontrar, paciência. Uma coisa faço: vou seguindo, vou lendo as reações e as exigências, e isso já me dá uma leitura do que esperar do plano. Abaixo deixo uma coleção de artigos e pistas. Antes de lá chegares, uma chamada de atenção em particular: o artigo de Arlindo Oliveira. Valorizo as palavras do professor do Técnico porque está mais perto da minha realidade: “É na dimensão da transição digital, mais próxima da minha área de trabalho, que noto, desde logo, limitações severas. Em primeiro lugar porque a única medida significativa dirigida aos mais jovens é a chamada transição digital na educação”.

Arlindo Oliveira sublinha que o orçamento de €500 milhões está totalmente focada nas infraestruturas, o que é uma fotografia nítida da pobreza que é Portugal, onde não há computadores sequer. OK, atirem-se milhões para aí. Mas não se desprotejam os que têm computador: “não é menos importante a educação dos jovens, e dos seus formadores, no digital”.

E a estocada certa: “Não me refiro aqui a ensinar os jovens a usar folhas de cálculo ou processadores de texto, algo que é praticamente inútil. Refiro-me a formá-los de uma forma sólida na área da computação, essencial para preparar as novas gerações para o mundo que já existe e para um futuro onde o papel dos computadores, programas e aplicações será determinante, a todos os níveis. O ensino da computação nos seus aspetos fundamentais (e não só tecnológicos) deve ser encarado como uma componente formativa base, semelhante à da matemática ou da língua mãe”.

Sem isto, chapéu: é só queimar dinheiro.

Aprofundar:

Ainda a Big Media versus Big Tech, desenvolvimentos. Começo por relembrar que é um assunto que passa ao lado da imensa maioria das pessoas. Apesar de afetar sobremaneira a forma como vivem. Mas as coisas são como são.

Os desenvolvimentos:

  • na sequência do finca-pé da Facebook, o texto foi alterado e desapareceu a obrigatoriedade de aceitação da decisão arbitral, ou seja, a lei foi castrada e passou a mera carta de intenções; o código não é aplicável caso a plataforma demonstre ter feito “um contributo significativo para a sustentabilidade do setor noticioso australiano
  • esta versão alterada já passou no Senado australiano e segue para a House of Representatives para aprovação final enquanto lei.

A montanha pariu um rato — eis um ditado popular que classifica o desfecho final. Facebook e Google farão acordos que de qualquer maneira já estavam na calha para manter seus os seus negócios e calar os barulhentos, a Big Media salva a face e o bónus trimestral enquanto mantém a trajetória de empobrecimento e desvalorização a longo prazo, os governos vêem o poder das plataformas sair reforçado, ficando mais distante o dia em que as consigam fazer pagar impostos, o jornalismo fica mais asfixiado e dependente. Just another day at the office.

O que fica por pensar? O consumo das notícias num mundo pós-Facebook. .o0(ui, aqui terei de meter McLuhan ao barulho com “o meio é a mensagem”, quando falar dos tiktoks que aí vêm; e quando for os deep fakes? Melhor não pensar nisso ainda)0o.

Aprofundar:

  • Facebook vs publishers: What is really going on? And why is it bad?It’s not Facebook who is undermining democracy. It’s Murdoch and every single newspaper who has joined his destruction of linking. But the worst part of this is that this crusade by old media companies is based on lies and misconceptions”. Thomas Baekdal
  • The Real Story of What Happened With News on Facebook in Australia. “There are legitimate concerns to be addressed about the size and power of tech companies, just as there are serious issues about the disruption the internet has caused to the news industry. These need to be solved in a way that holds tech companies accountable and keeps journalism sustainable. But a new settlement needs to be based on the facts of how value is derived from news online, not an upside-down portrayal of how news and information flows on the internet” Nick Clegg, VP of Global Affairs da Facebook.
  • Facebook got everything it wanted out of Australia by being willing to do what the other guy wouldn’t. “If there were suddenly a law that says Google has to pay for some kinds of information in its search index — or that Facebook has to pay to have some kinds of information in News Feed — that core element of their model would be at risk. Suddenly, instead of being a toll road that commuters pay to use, you have to pay drivers for the privilege of using you? That’s the unthinkable”. Joshua Benton, Nieman Lab
  • Competition watchdog expects Google and Facebook to strike deal with small publishers. News media bargaining code passes Senate after government reaches 11th-hour agreement with Facebook. The Guardian

Terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Hoje felicito PR e PM por darem cedo sinais de que não há pão para chalupas e aguardo um plano faseado de abertura. Há um jornal novo em Lisboa. E estás a ver a “responsabilidade social”? Saiu das keywords do corporate, a nova bs é a “sustentabilidade”. Ah: e explico aquela zona nova no fim da mensagem. É só tua.

Amanhã escrevo sobre o Plano de Recuperação e Resiliência.

Que cena: voltámos a ser “os melhores” no campeonato mundial da covid. Se não fosse triste era ridícula esta nossa obsessão com a competição, os pódios, o triunfo. A pandemia não é um campeonato das nações nem das regiões.

Estando contente com os números porque representam menos famílias a chorar mortos e um alívio da pressão nos hospitais, fico em guarda. Felizmente até aqui só temos ouvido propostas decentes por pessoas e associações normais; mas quanto tempo mais até regressarem às televisões os chefs, a chalupagem e os negacionistas do sétimo dia? Que arrastam os políticos oportunistas que arrasam o espaço público.

Para já, louvo que PR e PM pareçam menos dispostos desta vez a ouvir os chalupas. Mas aguardo, por enquanto sem ansiedade, que António Costa engendre um plano faseado de abertura que recuse as pressas e leve em conta as boas propostas.

Arranca com uma reportagem bastante útil da autoria de Frederico Raposo: O Martim Moniz está outra vez em debate. E sim, é possível fazer ali um jardim. Chama-se Mensagem de Lisboa e é o mais recente jornal local e digital em Portugal. É também o projeto de Ferreira Fernandes e Catarina Carvalho (que assume a direção), deixado no ar pouco depois de terem saído do Diário de Notícias.

Quem se interesse por Lisboa (como tu, querida filha) e nela viva tem neste jornal uma esperança. Desde logo porque a equipa é composta por jornalistas sólidos. Também porque o projeto diz que aposta na proximidade com os cidadãos.

(Vou seguir com alguma atenção. Quero ver se a equipa é capaz, e como, de encurtar a distância para os leitores, que tem sido uma das barreiras à continuidade do jornalismo. Tenho muitas dúvidas sobre a viabilidade de marcas de jornalismo local em geografias como as portuguesas, mas parece-me que há ali um esforço competente na escolha e arrumação do financiamento.)

Sustentabilidade” é a nova “responsabilidade social” na habitual lista de bs que vem do marketing do mundo corporate?

Vamos lá ser francos. O objetivo das empresas é darem lucro aos accionistas ou proprietários. Para exercerem atividade sujeitam-se a um quadro legal e regulatório, do qual fazem parte o cumprimento de obrigações sociais como o pagamento de impostos e os contratos de trabalho. Às empresas não se lhes pede, muito menos exige, que tenham responsabilidade social. Isso é que era bom! Pensa por 15 segundos em quantas empresas ficavam abertas se a responsabilidade social fosse um requisito.

1 … 2 … 3 … 4 … 5 … 6 … 7 … 8 … 9 … 10 … 11 … 12 … 13 … 14 … 15.

Pois.

A conversa da “responsabilidade social” não passa de uma ação de marketing & relações públicas. É assim que é encara por quem manda e é assim que é encara por nós, o povo. O resto no meio é um conjunto de profissionais a venderem o seu esforço. Louvável e ainda bem para eles que têm emprego, mas nada altera a realidade: a “responsabilidade social” das empresas é genericamente bs.

Pensa por 15 segundos no que sucederia à pirâmide de classes sociais se a “responsabilidade social” não fosse bs.

1 … 2 … 3 … 4 … 5 … 6 … 7 … 8 … 9 … 10 … 11 … 12 … 13 … 14 … 15.

Pois: as classes médias eram maiores e com maior poder de compra, os miúdos iam para colégios privados e vivíamos em casas melhores e nos supermercados não havia vinho de pacote. O pior é que não havia Banco Alimentar, mas não se pode ter tudo.

Claro que há exceções. Que, como o homem que morde o cão, são notícia nos económicos da vida, o que ajuda à operação de relações públicas mas não fazem a regra. São outliers. Como Rui Nabeiro, um clássico, o oásis no deserto, o justo poster boy da “responsabilidade social” ‘tuga, que só tem um para amostra.

Mas a “responsabilidade social” já está gasta. Agora o que está trending é a “sustentabilidade”. Já chegou a um dos setores que mais dinheiro gasta em bs: a indústria da moda. Ora lê Sustainability is in fashion.

Seja qual for o dicionário em que procuramos por “sustentabilidade”, a resposta não sai disto: o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras (esta veio da Wikipedia). Ou seja, e vou sintetizar porque realmente é muito simples: a sustentabilidade é incompatível com o modelo económico capitalista. Não há volta a dar. Pode ser aplicado num setor específico, como é nas florestas para produção de madeira. Mas lá está: confundir a árvore com a floresta leva-te a conclusões irreais.

A palavra não significa nada no mundo corporate. No mundo da comunicação, significa artifício. E no mundo da política pode significar o sinal de que é preciso dirigir a atividade económica numa rota de maximização dos recursos de forma a procurar que eventualmente com sorte dentro de algumas décadas o nível do mar tenha só subido 4 em vez de 8 centímetros e/ou tenhamos substituído o carbono por uma fonte que queima os recursos mais devagar. Percebeste? E pode, depende. Em geral não. Em geral é uma palavra alienígena. Pronto: marciana, que também está trend.

Scrolla um pouco até ao fundo de mensagem e verás algo parecido com isto:

Conforme expliquei na edição de quarta 17, passei a recolher uma resposta que é importante para gerir e melhorar o diário: abres ou não cada edição? Essa resposta é obtida através das imagens presentes na mensagem. Só me diz se a mensagem foi aberta e quando o foi pela primeira vez. Para obter dados relacionados com a leitura e a usabilidade, terei de usar outros métodos. Como o melhor deles: perguntar-te diretamente ;)

Esta informação individual passou desde ontem a estar incluída nessa zona final da mensagem, depois do conteúdo. Que diários abriste nos últimos sete dias? Basta descer até ao rodapé para saber. É uma informação que só tu e eu é que sabemos. Será uma experiência inovadora dentro de outra que é esta espécie de newsletter experimentalista da informação um para um.

Reitero: ninguém, a não ser eu, tem ou terá alguma vez acesso a nenhuma informação, a começar pelos endereços de email que recebem o diário e a terminar nos dados de abertura. Este é o meu compromisso contigo. Para distribuir o diário não uso serviços comerciais de newsletters também para que te possa dar esta garantia. Uma garantia que não tens de nenhum dos meios de comunicação cujas newsletters subscrevas nem das newsletters em geral.

Esta zona ganhará importância à medida que o diário se for tornando mais completo. É provável que o diário venha a ter uma gama de serviços de informação associados, ainda em estudo. Depois falamos!

Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

O desemprego está a aumentar e há ideias mas não há soluções para o resolver nos anos mais próximos. Mas hoje o grande tema é o hacking que a News Corp. fez ao regulador australiano para abocanhar um quinhão (minúsculo embora) das receitas da Google. Sofre a democracia e sofre o jornalismo. Logo, sofres tu.

As medidas de alívio do emprego são, sabemos, uma bomba ao retardador. Os dados do desemprego hoje divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional mostram que nos aproximamos da explosão. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 32,4% face a janeiro do ano passado (taxa homóloga) e 5,5% face a dezembro.

A restauração é o principal fornecedor de desemprego, consequência direta e inescapável do confinamento. Permite acalentar a esperança de retoma rápida dentro de um prazo curto — três meses eu diria. Mas não será de certeza uma retoma total. Assumindo que essa virá, creio que devemos esperar dois anos pelo menos. Em parte associada à restauração estão as atividades imobiliárias, segundo fornecedor de desempregados.

A bazucada não virá resolver nada disto. Ou seja: o sofrimento do desemprego vai estar presente na sociedade portuguesa por algum tempo, mesmo depois da pandemia. Vamos precisar de outra aproximação — e não vejo nem no PS, nem no PSD, uma ideia que seja capaz de inflingir uma dose de esperança.

Murdevil contra Googbook com a democracia, o jornalismo e as audiências a pagarem o bilhete, as pipocas, o ringue e os salários bilionários dos contendores.

Calma, não enlouqueci (ainda). Apenas fui capaz de sintetizar na frase que acabaste de ler com pasmo a deveras complexa situação a decorrer na Austrália, onde o governo elaborou um código de conduta obrigatório para pretensamente “resolver os desequilíbrios de poder de negociação entre as empresas australianas de comunicação social e as plataformas digitais, especificamente o Google e o Facebook” (cito o documento oficial, ver links abaixo).

Na realidade, o governo australiano mais não está a ser do que o testa de ferro de Rupert Murdoch, cabeça do império de media News Corp, que manda em vários governos e parlamentos em dois continentes. O Murdevil está a usar a sua imensa alavancagem para evitar a morte engolindo uma fração das receitas da Google e da Facebook, a Googbook que na transição da Galáxia Gutenberg para a Galáxia Reticular ficou com tudo o que interessa (no sentido em que se pode converter em lucro) no negócio do jornalismo e do entretenimento mediático: os olhos e as ações dos consumidores.

Ou, como escreveu Jeff Jarvis, “assim como quebrou a democracia, Rupert Murdoch tenta quebrar a Internet com a sua legislação proteccionista na Austrália para forçar as plataformas a “negociar” e pagar aos editores de notícias pelo privilégio de se ligarem a eles, dando-lhes marketing e audiência gratuitos”.

O passado desta história é uma lista de abusos pelos media, que não tiveram outra resposta para enfrentar um novo ciclo económico caracterizado pela inovação que não a chantagem sobre governos, parlamentos, leitores e empresas alheias, usando a força ainda considerável do seu monopólio de facto e em fim de vida nos setores da comunicação de massas e da interferência na vida política. Recapitulo o passado em poucos parágrafos com uma intenção: desmascarar o nível de mentiras acumuladas que se tornaram na fundamentação dos grupos de media responsáveis por este assalto legal.

Os serviços de apontadores primeiro (Altavista, Sapo), e depois os motores de pesquisa (Google) chegaram para resolver os problemas da comunicação em rede, construindo os seus negócios em torno do serviço prestado: filtrar o colossal caos das imensas quantidades de informação produzidas. Imprensa, rádio e televisão, como outros agregadores de informação em vias de obsolescência, não souberam ou não puderam adaptar os seus modelos de operação e negócio.

Quando as primeiras fricções surgiram, as empresas novas apontaram a solução universal: bastava (e ainda basta) uma simples linha com meia dúzia de caracteres para os sites de media não serem indexados. Ninguém é obrigado a estar pesquisável na Google nem em qualquer outro motor de pesquisa ou agregador. A tecnologia está bem concebida no sentido da total liberdade.

Os grupos de media não quiseram fazê-lo. Nenhum optou por não alimentar o negócio da Google. Todos quiseram aproveitar a oportunidade de terem leitores com zero custo de aquisição.

[ Em países como Portugal a preguiça e comodismo, para não lhes chamar outra coisa, atingiram proporções épicas: praticamente todos os títulos de imprensa e rádio estiveram ou ainda estão subalternizados ao negócio da marca Sapo, à qual cederam o seu prestígio, conteúdos, experiência e ligações comerciais a troco de infraestruturas cujo preço cai para metade de dois em dois anos. Não consigo levar a sério, por muito que queira, os decisores que tomaram esta medida quando agora reclamam um quinhão nas receitas dos outros. ]

Mais tarde vieram o Twitter e o Facebook, que facilitaram o lado social das dezenas de milhões de utilizadores da Internet, que antes desses serviços eram nós passivos: buscavam a informação. Com eles pudemos passar a nós ativos, publicando e divulgando num espaço comum que é do tamanho do quintal e do mundo ao mesmo tempo e com o mesmo esforço.

O que fizeram os decisores das empresas de media? Preguiçosos e comodistas, a pensar nos bónus da maximização dos resultados trimestrais, continua(ra)m a poupar-se ao esforço de pensar em soluções para a diminuição das receitas de publicidade com que lidavam já há décadas sem nenhum sucesso; todos quiseram aproveitar a oportunidade de terem ainda mais leitores, numa escala nunca antes pensada ou sequer ao seu alcance, e com zero custo de aquisição.

Chegados aqui: não há nenhum ataque ao jornalismo, na Austrália como no resto do mundo, por parte da Googlebook. Com ou sem pesquisa e redes sociais, as marcas da News Corp e as notícias e conteúdos produzidos por elas existem, estão na Internet. As marcas de media têm os seus websites, apps e newsletters. As pessoas podem visitá-los — e visitam-nos e usam as aplicações e recebem as newsletters.

O que mais há na imprensa é um conjunto de falsidades e distorções com o claro objetivo de iludir os leitores. Um exemplo de distorção: os jornalistas escreverem que a Facebook “proibiu as notícias de meios de comunicação legítimos na plataforma”, deixando implícito no sub-texto que os meios têm o direito de publicar as suas notícias no Facebook. Ora, não se trata de um direito: trata-se de um privilégio concedido de forma graciosa por uma empresa privada a outras empresas e indivíduos. Os meios de comunicação não possuem nenhum direito sobre as páginas e espaços no domínio facebook.com. A Facebook não tem nenhum contrato de serviço público.

O que realmente sucedeu foi que a empresa acabou com a partilha gratuita de links para os meios de comunicação australianos. Os meios continuaram a podem partilhar links para as notícias nos seus websites comprando espaço ao Facebook.

Ou seja: a medida tomada pelo Facebook é correta por todos os ângulos, a começar nas práticas comuns à atividade económica e incluindo o cumprimento do código em questão! Não aceitamos pagar, portanto retiramos-te dos nossos espaços. As simple and legit as that.

Reforço a ideia de que tudo isto não passa de uma utilização abusiva do poder legislativo por parte dos grupos de media liderados pela News Corp, que cometem o sacrilégio de levar a exploração do jornalismo para lá da aceitável exploração comercial: como arma de infantaria na guerra da Big Media contra a Big Tech. Usando as palavras de Casey Newton, “falta qualquer coisa em quase todos os artigos que li sobre o código de negociação, que é explicar como é que irá beneficiar o jornalismo. Na verdade, com base na minha leitura do código, não há qualquer exigência de que qualquer subsídio dado pelas plataformas aos editores seja gasto na recolha de notícias” (ver link abaixo).

Tu, não sei, mas eu, neste combate entre Murdevil e Googbook, meto as minhas fichas no pugilista da Big Tech. Já sabemos quem perde: o jornalismo, os leitores e a democracia. Quem ganha?

Em primeiro lugar, a Google é a grande vencedora. Pelo equivalente a uma gorjeta miserável ao almoço, a empresa que em 2020 faturou 181.690 milhões de dólares (lê-se: cento e oitenta e um mil seiscentos e noventa milhões e por extenso escreve-se 181 690 000 000) resolveu a comichão de Relações Públicas provocada pela autoridade australiana da concorrência. Os acordos assinados com os três grupos de media estão incluídos num plano de parcerias mundial e de longo prazo dotado com mil milhões de dólares, escreve-se 1 000 000 000 e equivale a ligeiramente mais de meio por cento da faturação num ano.

Tirando os dólares, as marcas de jornalismo ficam de mãos a abanar: o controlo da publicidade é da Google, os dados dos leitores são da Google, a audiência é a que a Google quiser, a tecnologia é da Google, com um controlo perfeito, muito mais perfeito do que os links nos resultados das pesquisas — uma torneira.

Ou seja: as publicações assumem a sua posição secundária e de dependência, passando na prática a vender conteúdos que a Google incluirá numa moldura HTML com o pomposo nome de “Google News Showcase”.

Nota: acho este um acordo menos mau para esses grupos e as suas marcas, dentro da lógica de curto prazo que comanda as suas decisões. Mas a prazo é bastante mauzito.

O grande perdedor é o Estado, a começar pelo australiano. A Google fica ainda maior e mais poderosa, com controlo adicional sobre mais um setor da comunicação — o que é precisamente o oposto do que diz a narrativa dos políticos envolvidos neste hacking do interesse público.

Incógnita é, por enquanto, a Facebook. A primeira reação foi ótima. Mas Mark Zuckerberg é suscetível. Ao contrário da Google, que faz parte de uma empresa dirigida em função do lucro e impermeável a devaneios pessoais, a Facebook vai para onde o accionista de referência disser que vai. E Zuckerberg adora os corredores do poder político. É provável que venha a abrir os links para ganhar alavancagem geo-política, e não apenas os conteúdos e os favores da imprensa.

Nos próximos dias abordarei outras duas perspectivas: o problema que os governos criam para si próprios ao irem nesta cantiga do bandido da Murdevil, junto com o efeito nefasto que o jornalismo passou a ter sobre a democracia; e onde estão a surgir as oportunidades para os jornalistas voltarem a fazer As Coisas Bem Feitas fora do círculo viciado em que as empresas tornaram o setor.

Para aprofundar:

Domingo, 21 de fevereiro de 2021

Hoje temos no cardápio as candidaturas independentes. São fixes. Se não contarmos a perda de escrutínio, a diluição de responsabilidade e o populismo, claro está.

As candidaturas independentes às autarquias estão entre aqueles assuntos que à primeira vista são um no-brainer. E neste caso a pitada de adoçante certo, como “ai os maraus dos partidos grandes que legislaram a seu favor”, passa o assunto a apetitoso rebuçado. Eu que o diga: engoli mesmo antes do açúcar.

Engoli e engulo: a minha opinião mantém-se a favor da facilitação das candidaturas não partidárias. Mas não tenho ilusões sobre o que ganhamos e o que arriscamos com o que também pode ser visto como a diminuição do controlo sobre a lisura do processo eleitoral.

Uso as palavras da diretora do Jornal de Notícias, Inês Cardoso, para reportar o que ganhamos com o desaparecimento de entraves. “Num sistema político em que o peso dos partidos é tremendo, e em que tanto nos queixamos do défice de participação cívica e de interesse da comunidade pela vida pública, é imoral (e o Tribunal Constitucional dirá se antidemocrático) que se criem entraves a candidaturas independentes. Nas últimas autárquicas, subiu de 13 para 17 o número de câmaras conquistadas por estes movimentos e nas freguesias representam já a terceira força eleitoral. O que prova que há política a acontecer fora dos partidos”.

O remate do artigo é sacarina jornalística e começa a fazer tocar a campainha do risco: “quer estes gostem ou não, pensar fora da formatação que tentam impor é possível. E, espera-se, um movimento imparável”.

‘amoláver: lá porque estamos cansados do nosso sistema partidário e agastados com o corropio de tropelias nos partidos que governam (e nunca nos outros, curioso), não é caso para jogar fora os partidos. Na verdade, a democracia vive dessas organizações, que são tanto agregadores de vontades e propostas como filtros de egos desvairados. Acredito mais na renovação do sistema, seja pelo curso normal dentro de cada partido, seja pelo surgimento de novos partidos com visões, perguntas e propostas que acompanhem a evolução, do que no enfraquecimento do sistema partidário.

É com melhores, e não com menos partidos, que se enriquece a democracia.

Vou agora recorrer às palavras de Carlos Esperança no seu blogue Ponte Europa para vincar os riscos que os independentes importam para dentro dos processos democráticos. A perda de escrutínio (que devia aliás ser um argumento para os jornalistas, que mais depressa o trocam por açúcar sintático): “O escrutínio do poder autárquico, exceto nas grandes cidades, praticamente não existe. Os jornais e emissoras de rádio locais raramente subsistem sem os apoios da autarquia e são, quase sempre, o eco dos interesses de quem as ocupa. Aliás, é difícil saber o que é isso de independentes. De quê e de quem? Habitualmente, são os preteridos pelos partidos onde militam e cuja ânsia de poder é mais forte do que a fidelidade e as convicções ideológicas.

A diluição de responsabilidade (um artifício muito comum no empreendedorismo e visível na complexidade estrutural das empresas com operações nos bens de consumo): “Quando são eleitos sob sigla partidária, ainda que designados independentes, podem os eleitores julgar o partido que os integrou, pela gestão ou eventuais desmandos do elenco municipal, o que não sucede com os autodesignados independentes. No Porto, a provarem-se os benefícios com uma bolsa valiosa de terrenos adquirida por usucapião, e nebulosamente caída na família do autarca e dele próprio, que partido pode o eleitorado punir nas próximas eleições?

E o remate do artigo é uma vacina contra o populismo: “os independentes políticos querem parecer filhos de pais incógnitos. Ignora-se a superioridade ética que os recomende”.

Murdevil contra Googbook com a democracia, o jornalismo e as audiências a pagarem o bilhete, as pipocas, o ringue e os salários bilionários dos contendores. Calma, não enlouqueci (ainda). Este é o início do texto a publicar amanhã, ou terça, dependendo do tempo, sobre o complexo de equívocos que se esconde atrás da lei que a Austrália quer aprovar para beneficiar o império de Murdoch. É o primeiro de três textos em que espreito o futuro do jornalismo (oh não, outra vez! 🤮 ). O segundo abordará o excitante tema “como o jornalismo se tornou numa ameaça para a democracia, que tem um índice de negacionismo fabuloso entre jornalistas. O terceiro mostra as oportunidades que se abrirão aos jornalistas quando a Austrália fizer o frete a Murdoch e abrir o caminho que tornará os grupos de media em satélites dependentes da Google.

Sábado, 20 de fevereiro de 2021

Hoje faço uma espécie de ponto de situação da pandemia. Ciência OK, saúde no bom caminho, economia aguenta-te paraduncha mais um pouco, o pior é a política: como efeito colateral, caminhamos para um período de desigualdade de direitos. Péssimo, péssimo.

Não tarda, começam as pressões sobre António Costa para reabrir os cabeleireiros, oficinas, pastelarias e restaurantes — as micro e pequenas empresas que são a seiva da economia portuguesa, tanto pelo lado do emprego como pelo lado dos impostos. Os números estão a ficar bons: o que é mau para os negócios dos jornais, das televisões, do Chega, do CDS e da IL, é bom para o país. Mas o que me ocupa não são estes detalhes. São os efeitos maiores da Covid-19 e seu combate na sociedade e suas regras, isto é, no nosso futuro. Os sinais são muito preocupantes.

Com alguns efeitos colaterais aceitáveis, a ciência resolveu depressa a questão sanitária, até porque os incentivos financeiros eram (são, serão) brutais. Mas não tem o mesmo incentivo para resolver os efeitos colaterais do combate, isto é, do confinamento e da vacinação. Por outras palavras, é tremendo e até disruptivo o custo da pandemia no agravamento das desigualdades (todas elas: Norte/Sul, ricos/pobres, desenvolvidos/atrasados, elites/comuns) e na caminhada para uma sociedade de castas em vez de classes, através da diferenciação nos direitos dos cidadãos.

E nem falo dos pequenos e evidentes sinais de desigualdade, como os cidadãos endinheirados terem o privilégio de poderem transportar a Covid-19 livremente entre Brasil e Portugal (um aspeto que não vi referenciado no episódio da meia tonelada de cocaína em que foi protagonista acidental João Loureiro).

Falo dos parlamentos e governos em diferentes países da União Europeia e fora dela que já avançaram (Grécia e Israel) e se propõem avançar com os “passaportes covid”, nos quais o lóbi das companhias aéreas coloca um grande esforço, não sendo o único.

“Passaportes” é pouco. O que Israel também já fez foi transpor para os cidadãos israelitas as políticas de segregação amplamente testadas, e com bons resultados do ponto de vista do Estado israelita, nos cidadãos palestinianos. O “green badge” a envergar orgulhosamente pelos cidadãos vacinados permitir-lhes-á o privilégio de visitar museus e jantar em restaurantes que está inacessível a quem não tiver o distintivo.

Claro que, como a estrela em fundo amarelo, está a ser vendido pelas melhores razões. But of course. “Ser vacinado é um dever moral. É parte da nossa responsabilidade mútua”, diz o ministro da Saúde de Israel. Yuli Edelstein avança com o novo mantra: “quem não for vacinado, será deixado para trás”.

As questões éticas são levantadas na peça do NYT (ver links abaixo). E até João Vieira Pereira, no Expresso, se mostra escandalizado: “Daqui é um salto para a cria­ção de medidas de exclusão, guetos e grupos de privilegia­dos. Daqui é um salto para existirem viagens só para vacinados, restaurantes, lojas, cinemas, espetáculos, festivais de música, hotéis e, quem sabe, praias. Daqui é um salto para um retrocesso civilizacional inaceitável. Andamos há décadas a lutar por uma sociedade mais igualitária, onde a raça, o sexo, a religião ou as crenças deixem de ser motivo de segregação, para tudo ser colocado em causa por causa da cura para um vírus”.

Os antecedentes das medidas e políticas “de exceção” e “pontuais” são péssimos e fazem soar o alarme. Independentemente de entregarem ou não o que propuseram resolver, a regra é tais medidas tornarem-se perenes.

E estas medidas o que fazem é consolidar a ideia de direitos desiguais. Ou seja, o que até aqui tem sido uma pedra de toque das sociedades avançadas, pelo menos teórico, mas em qualquer caso oficial, que é a narrativa dos cidadãos terem os mesmos direitos, está em vias de ficar para trás. A diferenciação social deixa de ser possível apenas fora da lei — diferenciação de recursos financeiros, género, cor de pele — e é transposta para dentro dela. Esse caminho conduz a uma sociedade com castas em vez de classes. E eu não estou certo de gostar dela, digamos assim.

Para aprofundar:

Ainda a Covid-19 e a disrupção: não percas a entrevista da coordenadora do projeto Pandemic Risk and Emergency Management, Máire Connolly, ao Público. O título não é o que parece, não te afastes quando lá chegares. A especialista em saúde pública lida com pandemias há mais de 25 anos e foi uma das cientistas que alertava em 2017 para a iminência de uma pandemia. Mas nunca previu que chegássemos a este ponto: “Agora vejo que mesmo o nosso pior cenário não previa este nível de disrupção social e económica.

Um dos entregáveis do projeto é um dashboard para seguir eventos desta escala em tempo real. Dados de laboratórios, hospitais, dados sobre a mortalidade, de rastreamento de contactos, sobre a mobilidade (de operadoras móveis, por exemplo), das redes sociais. “O que estamos a fazer é coligir tudo isso para ser apresentado num dashboard. Esperamos ter um protótipo nestes primeiros três meses e depois continuaremos a desenvolver estas bases de dados para analisar que indicadores são necessários. Temos de ter em atenção que isto é feito para futuras pandemias. Estamos a desenvolver estas ferramentas para preparar melhor a Europa para futuras pandemias — e até para as prevenir ou diminuir o seu impacto”.

E ainda a Covid-19: estamos de regresso a níveis de outubro, ora espreita o gráfico copiado do Público. Do ponto de vista sanitário, é animador. Valha-nos isso, pois precisamos de sinais positivos para re-orientar o ânimo e os recursos.

Hoje foi dia de responder a algum correio atrasado. No diário de amanhã faço um apanhado do correio dos leitores. Tenho alguns assuntos atrasados e a atrasarem-se: o consenso e a ciência, como o jornalismo se tornou numa ameaça para a democracia, a situação na Austrália com Facebook e Google a divergirem na resposta ao hacking legislativo perpetrado pelos donos dos grupos de media, e ainda a extrema-direita (uma sondagem de agora confirma a estagnação do Chega). Um bom pretexto para me dizeres qual a tua prioridade e sugerires perspectivas: clica no botão de responder.

2021/02/26

Legal Pot Doesn’t Seem To Increase Teen Use or Addiction. Two studies published in November found that legalization has not been associated with increases in adolescent marijuana use or addiction (dica de L.G.) @Reason Reason

«Islamo-gauchisme»: raison garder. L’anathème reflète l’inconscient politique contemporain : la pensée semble avoir déserté le politique. Pourtant, à l’heure des crises sanitaire, économique, et écologique, le plus nécessaire serait de réfléchir. @Libération (€) Libération (€)

7 Years Ahead of Schedule, Maersk Will Deploy World's First Carbon-Neutral Shipping Liner in 2023. Maersk is deploying their first carbon-neutral shipping liner that incorporates e-methanol or bio-methanol as fuel @Good News Network Good News Network

Economic Stimulus Is an Environmental Disaster Waiting to Happen. A public jobs guarantee is the only way to provide economic recovery without endangering the climate. @Foreign Policy Foreign Policy

The EU Has a New Heavyweight. As Germany’s September vote is set to bring down the curtain for Angela Merkel and Emmanuel Macron gears up for a tough election in France, Italy’s Mario Draghi is stepping into the spotlight. @Bloomberg Bloomberg

Words matter: how New Zealand's clear messaging helped beat Covid. One year on from the nation’s first case of coronavirus, Aotearoa has largely eliminated the virus - communications played a key part in its success @The Guardian The Guardian

The future of the middle class depends on student loan forgiveness. Canceling debt is what’s needed to ensure a solid, equitable middle class. @Vox Vox

2021/02/25

Winners and Losers in the Digital Transformation of Work. Many worried that reduced demand for human labor would lead to permanently high unemployment. But that didn’t happen. Instead, rising productivity and incomes bolstered demand, and thus economic activity. Over time, labor markets adapted in terms of skills, and eventually working hours declined, as the income-leisure balance shifted. @Michael Spence, Project Syndicate Michael Spence, Project Syndicate

A federal judge ruled that California can for the first time enforce its tough net neutrality law, clearing the way for the state to ban internet providers from slowing down or blocking access to websites and applications that don't pay for premium service. @ABC30 (via L.G.) ABC30 (via L.G.)

House Democrats plan to pass the $1.9 trillion coronavirus relief bill by Friday, setting up the Senate to approve the bill with a simple majority, and send it to Biden before March 14, when several unemployment programs expire. @CNN CNN

Evitar os impostos quando se pagam horas extraordinárias é particularmente importante na segurança privada porque toda a gente faz horas extraordinárias. Seja para reduzir o pessoal necessário num posto, ou para evitar pagar um subsídio de alimentação, é prática comum ter turnos diários de doze horas ou mais num posto de vigilância. @Fumaça, Série "Exército de Precários" Fumaça, Série "Exército de Precários"

One of the worst barriers to preserving the planet in a state suitable for human habitation is the Energy Charter Treaty, an obscure 1994 treaty with 50+ signatories that allows energy companies to sue governments over environmental protection laws. The ECT has just been invoked by the German polluter RWE, which is suing the Dutch government for €1.4b over a law that bans coal plants by 2030. @Investigate Europe Investigate Europe

Is religion dead in Europe? Nowadays, we tend to turn to science for answers rather than to religion, yet we are seeing conservative politicians build their views on religious beliefs, we are having discussions about the relationship between religion and politics, and we are seeking spirituality through yoga and meditation. What is the status of religion in Europe? @Are We Europe Are We Europe

We have all been affected by the Covid-19 pandemic, but women, in general, have felt its effects more than men. A report written by the United Nations, states that “calls to helplines have increased five-fold in some countries, as rates of reported intimate partner violence increase because of the COVID-19 pandemic”. As if this wasn’t enough, women are also experiencing the worst of the detrimental effects that the pandemic has on the labour market. @VoxEurop VoxEurop

United States is only one to two years ahead of China in developing artificial intelligence, as Beijing remains “relentlessly focused” on achieving dominance across the broad spectrum of high technologies. Eric Schmidt, former chairman of Google, said the United States needs to maintain a five to 10-year advantage over its “pacing competitor” in AI and other high technology fields like quantum computing. @USNI News USNI News

The colonisation of space. The early era of space exploration was dominated by romantic ideas of universal connectedness. But the increasingly privatised nature of the space industry has obscured that vision. Today, Ceridwen Dovey on the new space industry entrepreneurs, and why we should be worried about what they’re planning.@ 7am (podcast) 7am (podcast)

2021/02/24

China’s food security at core of Beijing’s new five-year rural-revitalisation plan @ South China Morning Post South China Morning Post

How do digital nomads pay their taxes? Almost all software developers are being asked to work fully remote, and many companies are moving to keep this arrangement permanent. This raises a lot of new questions around taxes, legal liabilities, and compensation. aStack Overflow Blog stackoverflow.blog

Why Mars Matters @Christopher E. Mason, Project Syndicate Christopher E. Mason, Project Syndicate

Los CEO de 61 empresas se comprometen con la reducción de la desigualdad en España @Ethic Ethic

PAN propõe que eleitores em confinamento possam votar na véspera 24.sapo.pt

As empresas que controlam as nossas identidades secretas @Pedro Fonseca, TICtank Pedro Fonseca, TICtank

Primeiro-Ministro formalizou apoio à recandidatura de António Guterres como secretário-geral e Presidente da República transmitiu “o seu caloroso apoio” a um novo mandato tsf.pt

1.500 estão na calha para despedimento no Novo Banco, diz Comissão de Trabalhadores 24.sapo.pt

Clubhouse goes global. The buzzy audio app is most frequently associated with Silicon Valley, but it’s taking off everywhere from Japan to Nigeria. @Rest of World Rest of World

Computer model shows that preventing extortion is more efficient than fighting it @R&I World R&I World

2021/02/23

Lawrence Ferlinghetti morreu aos 101 anos em São Francisco, Estados Unidos. Doença pulmonar. Poeta e editor, lançou Jack Kerouac, Allen Ginsberg e outros escritores da geração beat. nytimes.com

Facebook recua no bloqueio às notícias na Austrália. Em resultado de uma aparente ronda de negociações de última hora, optou por não agravar o conflito com o governo australiano e diz que foram feitas alterações e garantias @Aberto até de Madrugada Aberto até de Madrugada

Las peticiones de libertad para Pablo Hasél llegan a Bruselas @Público Público

How Vietnam successfully handled the coronavirus pandemic: its contact tracing was so good it barely had to lock down @Business Insider Business Insider

The China Media Project is a terrific resource for understanding PRC politics and how they are reflected in trends in CCP propaganda. Every year the CMP produces a report on the top trends of the previous year, and I am pleased to be able to publish the 2020 report @Sinocism Sinocism

The future of electric cars isn’t Tesla. It’s golf carts. Millions of people in China are embracing tiny, off-brand competitors. @Rest of World Rest of World

TAP: ajuda estimada até 2024 terá impacto na economia 2 a 3 vezes superior até 2030, prevê Miguel Frasquilho 24.sapo.pt

€4.600 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência são para as empresas rtp.pt

Presidente do Partido de Renovação Social, Benedito Daniel, disse que a sua formação política está disponível a conjugar esforços com demais forças da oposição para remover o MPLA do poder nas próximas eleições @DW DW

The appearance of robots affects our perception of the morality of their decisions. The findings indicate that humans do not find robots making moral decisions a strange idea, since the decisions made by a human and a traditional robot were seen as equally acceptable. Instead, the appearance of the robot makes a difference to evaluating their morality. @University of Helsinki University of Helsinki

There is a debate raging on LinkedIn. Should we all go back to the office one day? I say no freaking way. Working from the office is my least favorite way to work. I’m not going to go easily, you hear me? @The Ascent / Medium The Ascent / Medium

2021/02/22

Carla Antonelli: «La realidad de las personas trans está en la calle y no detrás de un ordenador» @Raquel Nogueira, Ethic Raquel Nogueira, Ethic

The main lesson from the elections to the Catalan Parliament that took place on the 14 February is that the wish for independence in Catalonia is not temporary or something that will simply vanish into thin air. On the contrary, it is a resilient, deep-rooted aspiration able to slowly grow even under very difficult circumstances, such as years of legal persecution, with politicians in prison or exile, or amid a pandemic, the fight against which has been led in Catalonia by the two main pro-independence parties forming the coalition government. @Jordi Solé, EU Observer Jordi Solé, EU Observer

The BBC is a great place to start this discussion. The lessons we can learn address the key questions: How and why do we value our public institutions, and how can we strengthen them, rather than constantly questioning their very existence? @Mariana Mazzucato, Project Syndicate Mariana Mazzucato, Project Syndicate

Dossier: As feridas abertas da Guerra Colonial. Durou mais do dobro da Segunda Guerra Mundial e fez milhares de mortos portugueses e africanos. Urge quebrar o silêncio e desconstruir os mitos em torno deste conflito e do passado colonialista de Portugal. Assim como é imperativo dar visibilidade e garantir direitos às suas vítimas.@Esquerda Esquerda

Impacto do Coronavírus e da crise pandémica no sistema mediático (Versão III – Fevereiro 2021) @ Obercom Obercom

2021/02/21

Aires Pereira, da Póvoa de Varzim, também tem “muitas dúvidas” em relação ao adiamento para dezembro, não só por causa do que já se conhece da incidência do novo coronavírus no inverno, mas devido ao “grande constrangimento” que causará à aprovação dos orçamentos municipais “num ano em que chegará a ‘bazuca’” de fundos comunitários. “Atrasar as eleições significa atrasar novos investimentos, numa altura em que o país tanto precisa face ao impacto da pandemia”, diz o social-democrata, que prevê derrapagens nos investimentos para março ou abril se a ida às urnas deslizar para dezembro. “Se alguém pensa que vai ganhar eleições por causa do adia­mento de dois meses, está redondamente enganado”, avisa. @Expresso Expresso

Technocracy is back in Italy – but with a different agenda. Italy’s new Prime Minister Mario Draghi’s economic plans mark a break from neoliberal orthodoxy. Will progressives seize the opportunity? @Al Jazeera Al Jazeera

As with her compatriot, mentor and supporter Angela Merkel, nicknamed the Klimakanzlerin, Ursula von der Leyen needs to become Europe’s ‘climate president’ for the ambition at the heart of her mission—to lead the biggest European transformation since the industrial revolution—to succeed. Yet while Merkel’s political acumen earned her the title which now sees German taxpayers funding her energy transition, von der Leyen is still to deliver on her promise of a defining moment for Europe. @Michael Davies-Venn, Social Europe Michael Davies-Venn, Social Europe

NASA's Perseverance robotic rover has the most AI tech and capabilities of any Mars rover yet. This includes its AI-enabled Terrain Relative Navigation system, which helped navigate its touchdown, and the Autonomous Exploration for Gathering Increased Science system, allowing engineers to aim and control the rover's chemistry camera. @EnterpriseAI EnterpriseAI

U.S. Customs and Border Protection scanned more than 23 million people in public places with facial recognition technology in 2020. Feds caught zero imposters @OneZero OneZero

Arturo Di Modica morreu dia 19 na sua Sicília natal. Tinha 8o anos. Esculpiu o Charging Bull, símbolo de Wall Street e dos mercados financeiros. en.wikipedia.org

The rise of populism in the past two decades has motivated much work on its drivers, but less is known about its economic and political consequences. This column uses a comprehensive cross-country database on populism dating back to 1900 to offer a historical, long-run perspective. It shows that populism has a long history and is serial in nature – if countries have been governed by a populist once, they are much more likely to see another populist coming to office in the future; populist leadership is economically costly, with a notable long-run decline in consumption and output; and populism is politically disruptive, fostering instability and institutional decay. The analysis suggests that populism is here to stay. @Manuel Funke, Moritz Schularick, Christoph Trebesch Manuel Funke, Moritz Schularick, Christoph Trebesch

há 3 meses

O destino do jornalismo tornou-se-me indiferente

Uma vez jornalista, sempre jornalista”. “O jornalismo é sacerdócio”. “Podes deixar de praticar, mas não deixas de ser jornalista”.

Ao longo da vida sempre ouvi estas frases. Talvez por isso, quando os jornais deixaram de querer os meus serviços, por volta de 2013-14, tive problemas para estabelecer uma bioline. “Ex-jornalista” ia contra o cânone segundo o qual tu nunca deixas de ser jornalista. “Antigo jornalista” idem, além de soar pior. Usei ambos, sentindo-me sempre desconfortável.

Até que deixei de invocar o jornalismo; está no CV, aí permanecerá para sempre, foram 30 e tal anos, uma vida, quase toda a minha vida produtiva, mas faz já algum tempo que não é mais invocável no meu dia a dia. Ter sido jornalista não me confere qualquer grau, prestígio ou estatuto especial. Amig@s e leitor@s podem achar que sim, mas eu sei que não. Outros jornalistas no ativo, em pousio ou na reforma podem achar que sim e cada um falará por si, as vidas são diferentes.

Falo disto porque numa conversa que não vem ao caso com o Pedro Fonseca saí-me com esta frase: “o jornalismo é um campo que já não abarco de forma intensa e, confesso, o seu destino tornou-se-me indiferente”.

há 4 meses

Portugal tem menos oposição do que precisa e a culpa é, inteirinha, do PSD

Portugal tem menos PSD do que devia, tem menos oposição do que precisa. E nada disso é assacável a um PS enfraquecido e asfixiado sob o peso da responsabilidade da gestão dos fundos comunitários. A nulidade política da direita portuguesa é para a conta, inteirinha, dela própria. Resulta da deserção de Rui Rio do espaço público onde se negoceiam entendimentos sobre os temas da década.

há 5 meses

01. O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem facilitar, mas é cedo para escolher

O apoio do LIVRE a Ana Gomes vem tornar a minha escolha menos difícil. Mas é cedo para escolher.

Creio que a melhor coisa a fazer pelos eleitores como eu, que votam sempre e só à esquerda mas não se sentem, ou nunca ficaram, obrigados a um partido, é ver como evoluem a pré-campanha e a campanha — naturalmente, com maior ou menor envolvimento enquanto cidadãos interessados.

Nesse sentido, e como sucedeu nas últimas legislativas, distribuirei pelas redes o que achar pertinente tenha origem na campanha de Ana Gomes, na campanha de Marisa Matias ou na campanha de João Ferreira.

Ou seja: estou apoiante destas 3 candidaturas até ao momento em que decidir o meu voto (e enquanto elas existirem).

há 5 meses

17 anos depois, o relançamento

17 anos passam num instante? Não. Demoram. E 20 anos — que é o tempo de vida deste domínio? E 31 anos, que é o tempo que levo a publicar coisas na Internet? São milhares de artigos e páginas e posts por todo o lado. Quando queres consolidar um arquivo destes, é preciso coragem para ganhar balanço. E se queres relançar a publicação pessoal? Escreves uma aplicação que faça a coisa exatamente como a queres.