Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de outubro de 2020

Quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Podemos ter chegado ao ponto sem retorno da desigualdade. Ainda pensámos que a pandemia nos faria recuar no caminho. Sucedeu a inversa: acelerou o passo.

Daqui para a frente está instituída até na lei, por obra e graça de governos democráticos aflitos ou oportunistas. Já não se trata da igualdade económica ou de oportunidades: trata-se de um conjunto de diferenciadores económicos, políticos e legais tão vasto que torna impossível o retorno.

Para os revolucionários é fácil: estoire-se isto.

Como pode reagir um não-revolucionário? Bem: o Rendimento Básico Incondicional é uma primeira resposta. Assegura o mínimo dos mínimos como ponto de partida para todos. Sim: o RBI aceita e confirma a desigualdade, podendo perpetuá-la ao ponto da divisão em dois grupos de humanos, dentro de 2 gerações.

O ponto sem retorno é mais amplo. Olhem a saúde. Subitamente, mudou o tom do discurso dos que vêm promovendo a substituição do serviço público pela saúde orientada ao lucro. Das palavras de ordem ideológicas ao choque, passaram ao tom conciliatório.