Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de outubro de 2020

Quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Um número para o dia: apenas 12% dos estudantes portugueses de TIC são raparigas (O fosso digital é a nova discriminação de género do século XXI, eurodeputada PSD/EPP Maria da Graça Carvalho no Público)

Se escrevo, é público — não sei fugir disto. Uma newsletter é um embrulho com uma dose de formalismo. Um produto informativo fixado no tempo. A versão email deste diário não encaixa perfeitamente nesse modelo. Desde logo porque tem um tom intimista. Começou por ser eu a escrever para mim. O linklog cumpre a função de minha bookmark. Tornar o diário público tem a ver com tiques antigos: a criança que arrancava a admiração com as redações da escola primária, o o jovem que encarou a possibilidade de se tornar escritor, o jornalista de 30 anos e quilómetros de prosa articulada. Se escrevo, é público — não sei fugir disto.

Foge ao modelo também porque sai com o meu próprio endereço de correio eletrónico, em vez de um endereço formal, sem capacidade de resposta, impessoal. Ou seja: exponho-me também aí. E com um propósito: encurtar a distância para quem me lê aqui. Alguma coisa a dizer, a acrescentar, a criticar, a sugerir, é só carregar no botão de responder.

Contudo, o diário também não é uma mailing-list porque emana de mim, não de um grupo de interesses. Mas o email é um canal de duas vias. Ou seja: é um canal conversacional como as redes sociais são e como os blogs foram.

Os privados da saúde vão sair por cima. Durante anos os militares e as populações de França e Reino Unido combateram os nazis. Anos. Milhões de mortes. Sacrifícios imensos. Os soviéticos enterraram 26 milhões dos quais 10 milhões de soldados que morreram a desgastar a Alemanha e o Japão. Quem ficou com os louros da vitória na II Guerra Mundial? Os Estados Unidos. Porquê? Porque surgiram no momento certo para desferir o golpe final. A Europa, grata, pagou a dívida com juros leoninos durante 50 anos e os americanos pavonearam os seus tanques e porta-aviões pelo mundo até Trump decidir que o dinheiro dos impostos ficava melhor aplicado nos negócios dele.

Substituir soldados franceses, ingleses e soviéticos por médicos, enfermeiros e técnicos do Serviço Nacional de Saúde e EUA por setor privado. O plano está em curso. O dia D está marcado para novembro. Uns dão a vida pela causa, outros ficam com os louros. E os lucros. Não saímos disto. Nem queremos: só queremos que morram menos pessoas de COVID-19.

Mariana Mortágua. A entrevista ao Público (link de acesso pago) é sobretudo técnica. Politicamente cautelosa. E nada convincente para quem esperava por justificações do calibre bomba-atómica que o Bloco empregou com o chumbo ao Orçamento.