Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de novembro de 2020

Terça-feira, 3 de novembro de 2020

EUA. Ficarei surpreendido, sim, se não se verificar uma escalada de violência nos Estados Unidos da América nas próximas semanas. Meses. Trump não conta como causa: está entre as consequências. Há diversas batalhas: progressistas contra conservadores, rurais contra citadinos, pretos contra brancos, ‘supremacistas’ brancos contra não-brancos — e, se lhes tocar a oportunidade, deserdados, pobres, párias e outras dezenas de milhões de invisíveis das ruas contra quem calhar. Pior: há armas à venda ao lado dos cereais nas prateleiras dos supermercados. Só por sorte os EUA não rebentam desta vez.

É falsa a simetria entre Chega e BE/PCP. Daniel Oliveira explica: “Na “geringonça”, BE e PCP apresentaram a sua agenda social e exigiram o recuo em medidas da troika. Não puseram em causa a natureza do regime constitucional. Nos Açores, o Chega exigiu logo uma revisão constitucional. Vejam como Trump se prepara para reagir à possibilidade de uma derrota e percebam de onde vem o perigo. Quem o tente normalizar é cúmplice. Se Rui Rio negociar com o Chega abrirá a porta à destruição do seu partido”.

Concordo que a simetria é falsa, é mais uma das falsidades com que os media procuram controlar e direcionar o pensamento comum. E desmonta-se com as três frases que o Daniel usou.

Já não estou certo que se trate de abrir a porta à destruição do PSD. O PSD não escapa à mutação em curso no sistema partidário. Na verdade, o PSD é um mutante ideológico: em quase meio século mudou mais vezes de orientação ideológica do que eu mudei de carro. Cada líder apanha do ar dos tempos o que estiver à mão e que sirva os seus propósitos de conquista do poder.

O problema de negociar é outro. É o risco de ficar demasiado encostado à extrema da direita, já a cair para fora do Estado de Direito, tão encostado que não colhe nem votos nem simpatia no centro. E sem pelo menos a simpatia do centro não há governação. Democrática, I mean.

De qualquer forma: está negociado. Pelo que o problema já nem sequer é esse. É este: Portugal tem oficialmente um dos governos do mundo apoiados pela extrema-direita, usando a expressão de Raquel Varela. A extrema-direita passou a contar decisivamente, o que é um corte epistemológico na política portuguesa, escreve o Público em editorial assinado por Ana Sá Lopes.

Bocejo: gifs animados. Entusiasmo: estereogramas.

“O jornalismo de soluções é uma abordagem que acrescenta uma metodologia muito simples a uma história. Certificamo-nos de que explicamos claramente o problema, depois trabalhamos explicando as soluções, apresentando as provas do que funciona e do que não funciona. E por último, dá aos leitores um caminho para verem como as soluções poderiam aplicar-se às suas vidas tornando-se uma coisa realmente positiva. A peça funciona examinando as opções em torno de um problema específico.” . Jemima Kiss

Opiniões

Gustavo Cardoso sobre desinformação: EUA em Novembro, Portugal em Janeiro. publico.pt

José Soeiro aborda um assunto do dia, pandemia: “Precisas mais de ler e andar nas nuvens/ ou de alimentar o éter da tua cloud?”. esquerda.net

Domingos Lopes sobre Marcelo: Que surpresa — nem parecia o Marcelo das selfies. publico.pt

Dalibor Rohac sobre relações EUA-EU: If Biden wins tonight, this is what EU can expect. EUObserver

Knut Dethlefsen sobre relações EUA-EU: A new start for transatlantic social democracy? SocialEurope