Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

22 de novembro de 2020

Domingo, 22 de novembro de 2020

Hoje:
ūüé• Westworld
ūüė∑ Governo e pandemia e restaurantes
ūüáĶūüáĻ Marcelo e Costa, Lda
‚ƮԳŹ¬†opini√Ķes

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Comecei a ver Westworld (IMDB) no HBO. Qualquer coisa que tenha aquele cast prende-me a atenção. O quê?, Anthony Hopkins, Ed Harris, Jeffrey Wright e Thandie Newton logo no episódio 1? Quero!

Bem, depois do primeiro epis√≥dio estou apenas expectante, moderadamente expectante. O tema √© complicado e muito americano no sentido cultural, isto √©, n√£o √© um tema assim u√°u para quem tenha nascido fora dos EUA. O contraponto que me ocorre para termo comparativo √© Cowboys & Aliens (IMDB), que tem Daniel Craig e Harrison Ford. A mistura de fic√ß√£o cient√≠fica com o far west tem tudo para correr mal e se tornar numa pepineira. Cowboys & Aliens escapa √† justa‚Ää‚ÄĒ‚Äädigo eu porque, como sou f√£ de fc, tenho sempre um voucher para descontar, mas se tu disseres que √© um flop, eu aceito. Como escrevi, √© complicado de gerir. Fico na expectativa. E vou admirando os¬†d√©cors.

UPDATE UPDATE: vi os epis√≥dios 2 e 3 e pronto, estou hooked. ‚ÄúTudo neste mundo √© magia, exceto para o ilusionista‚ÄĚ. Agora imagina a frase dita por Anthony Hopkins (que d√° corpo ao personagem Dr. Robert¬†Ford).

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Pandemia. O Governo decidiu medidas ligeiramente abaixo do que eu acho adequado. Ant√≥nio Costa, honra lhe presto, tem sempre mantido um equil√≠brio imposs√≠vel entre a sa√ļde e a economia. Desta vez comunicou bem. E, como sempre, Primeiro Ministro e Presidente da Rep√ļblica complementaram as mensagens.

Vamol√°ver: n√£o critico as medidas. Pelo que temos lido c√° em casa (e lemos muito), s√£o adequadas. A maioria n√£o entende porque a maioria n√£o tem uma vis√£o hol√≠stica da situa√ß√£o. Tomemos como exemplo a violenta corda em torno da restaura√ß√£o. O resultado direto na diminui√ß√£o da propaga√ß√£o pode ser amendoins estat√≠sticos (n√£o creio, mas admito), mas a medida tem um impacto importante no ecossistema: menos gente a mexer-se para ir e vir ao restaurante, menos contactos interm√©dios nessas viagens e sobretudo nas interrup√ß√Ķes delas (ah, temos tempo at√© √†s 20, vamos ali √† Bertrand), contactos desencorajados. Todas as medidas se relacionam.

A medida teve, no entanto, um custo pol√≠tico tremendo. Mas daqui envio o meu min√ļsculo sinal a Costa: mais vale pagar e manter os restaurantes estrangulados. Aos restaurantes, envio o meu sinal todos os dias: substitu√≠mos as idas aos restaurantes por take away e entregas. Talvez at√© tenhamos aumentado a quantidade de refei√ß√Ķes que compramos aos restaurantes pr√≥ximos.

O que critico? Em primeiro lugar, o timing. Tudo isto estava certo h√° um m√™s e h√° um m√™s que se sabia que v√≠nhamos aqui parar. Porque n√£o foram as medidas tomadas mais cedo? √Č a minha pergunta para a confer√™ncia de Imprensa, na qual mais uma vez n√£o me senti representado por uma classe que repetiu e repetiu e repetiu e repetiu a mesma pergunta est√ļpida e j√° respondida e j√° respondida e j√° respondida sobre o congresso do PCP. Quanto tempo desperdi√ßado (isto √© eu a ser fofinho com os jornalistas).

Em segundo lugar, e esta seria a segunda pergunta: porque falh√°mos tanto na identifica√ß√£o dos cont√°gios? 80% de ‚Äún√£o sabemos‚ÄĚ √© uma percentagem muito elevada. A app foi um fiasco, sabia-se que iria ser um fiasco, podiam e deviam ter sido accionados outros mecanismos de registo de movimentos em locais e redes suspeitos.

Ainda a restauração. Porque é este setor mais fustigado que outros? Porque o Governo o odeia? Não. Basta olhar para o custo político das medidas para o setor para perceber que quem dera a Costa nunca ter ido por aí.

√Č porque tem uma grande dispers√£o e uma grande alavancagem financeira. S√£o dezenas de milhar de pessoas que se endividaram para abrir o tasco, pagam presta√ß√Ķes e pagam juros e pagam rendas. Os restaurantes mais antigos e s√≥lidos aguentam-se melhor. J√° pagaram as presta√ß√Ķes, s√≥ os sal√°rios s√£o preocupa√ß√£o de tirar o sono. ‚ÄúVamos √† luta‚ÄĚ, tem sido a resposta invari√°vel de um dos meus restaurantes pr√≥ximos. N√£o se queixa: trabalha, vende para fora, donos e empregados calcorreiam as cercanias a entregar cozido √† portuguesa, bacalhau na brasa e arroz de marisco. Todos os empregados l√° est√£o, todos os dias, a fazer o seu melhor. Para metade dos clientes de antigamente.

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E por falar na pandemia: nunca √© demais sublinhar a concerta√ß√£o de esfor√ßos entre o Presidente da Rep√ļblica e o Primeiro Ministro. Como cidad√£o, fico contente e aliviado por ter esta Presid√™ncia alinhada com este Governo e vice-versa. N√£o votei nem votarei em Marcelo, n√£o votei desta vez no PS e n√£o estou certo que vote da pr√≥xima. Mas isto n√£o quer dizer que n√£o aplauda o comportamento institucional impec√°vel. Aplaudo. Nem quer dizer que os ache infal√≠veis: Marcelo fala demais (as usual) e o Governo teve falhas pr√≥prias, isto √©, que n√£o decorrem da complexidade da pandemia. Mas aplaudo a combina√ß√£o de esfor√ßos. E a incansabilidade, j√°¬†agora.

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Canseira: podcasts. Excitação: blogs

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Opini√Ķes

In√™s Cardoso escreve sobre medidas e Congresso do PCP: Um congresso legal, mas pouco moral. JornalDeNot√≠cias ūüĎČ

Carlos Esperan√ßa escreve sobre democracia e PCP: Quando O Sil√™ncio √Č Uma Forma De Cumplicidade. PonteEuropa ūüĎČ

V√≠tor Belanciano escreve sobre passado e Portugal: A ideologia neoliberal tamb√©m mata. P√ļblico¬†ūüĎČ

Joana Mort√°gua escreve sobre direita: JMT, Liberal sem princ√≠pio. Esquerda¬†ūüĎČ

Paulo Baldaia escreve sobre Rui Rio: Rio√≠sta me desconfesso. Di√°rioDeNot√≠cias ūüĎČ

Fernanda C√Ęncio escreve sobre morte e Ihor Homeniuk: N√£o, o pior n√£o √© a diretora do SEF: √© o SEF. E a nossa indiferen√ßa. Di√°rioDeNot√≠cias ūüĎČ

Teresa de Sousa escreve sobre membros e Uni√£o Europeia: O que fazer com os populistas? De Bruxelas a Lisboa. P√ļblico¬†ūüí≤