Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de dezembro de 2020

Quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Hoje: vinho, loucura, desilusão, megalomania, websummit e Volt. E que dizer do início do declínio de Ventura? Atrevimento?

O vinho embebeda. O teu diário enlouquece”. Obrigado, tu enches-me de mimos. É gratificante saber que estás a gostar do diário. Eu divirto-me a fabricá-lo, tanto ou mais que a escrevê-lo. E quando, como foi o caso, um artigo da minha curadoria faz o seu caminho e inspira alguém, é uma satisfação.

Estava prometido mas falhei no dia. É hoje: a terceira temporada do Westworld é uma desilusão. Passei pela primeira temporada em terceira velocidade e saí dela em quinta, a voar baixinho, completamente rendido por aquele final (no spoiling), capaz de devorar a segunda temporada. Devorei, é e boa digestão. Mas a terceira… Não é a ausência de alguns personagens/atores, que os outros compensam; aliás, é o melhor da série. É o raio da história. A dispersão temática pode ser boa para fazer render o peixe, mas não todo o peixe. Aqui este peixe ainda tragou o desvio oriental, mas a incursão pela Alemanha da Segunda Guerra deu origem à indigestão. Parei de ver. Talvez quando a quarta temporada vier eu espreite.

A entrevista ao Público e Renascença é um atestado da incoerência política, da inabilidade política e da transitoriedade na vida pública de André Ventura. Creio que a entrevista marca o início do declínio do venturismo (mais que do cheguismo, pois admito que o partido lhe sobreviva, tem capital de descontentes para isso, é material que abunda no banco do capitalismo). Porquê?

André Ventura demonstra que não vive na realidade. A realidade diz que a direita não ganhou um único eleitor desde as últimas eleições. A realidade diz que seja num ano, em dois anos ou em três anos, mesmo na hipótese remota de o PS perder as eleições para o PSD, este nunca seria capaz de formar Governo sem fazer alianças à sua esquerda.

A realidade garante precisamente o contrário do que André Ventura afirma: é muito improvável que Rui Rio possa ser Primeiro Ministro se levar o Chega para o Governo.

Recordo, com ternura, o anterior episódio de megalomania à direita: quando Assunção Cristas disse estar pronta para ser primeira ministra.

Na entrevista Ventura fala não só para o seu público natural mas para os graúdos na sala. Sai dos temas que ressoam nos deserdados. Não está a falar dos ciganos: está a falar de estratégias pós-eleitorais. Achas que o público dele vai ler estas porcarias sistémicas? Não. Mas a malta do sistema, como tu e eu, lê. Porque isto é matéria de análise. E ele espalhou-se. É pior que Cristas — e Cristas já fora desligada e irreal.

Ao sair da sua zona de conforto, Ventura perdeu-se. Mostrou total incapacidade de leitura política. Mostra estar alheio à realidade. O umbigo tolda-lhe a visão. Não sabe matemática elementar. E ainda menos lógica negocial política.

Se esta entrevista não fizer o PSD e o CDS mudarem de estratégia em relação ao alimento da extrema-direita… Bem, os eleitores fazem e os outros partidos também.

E toda aquela dinheirama perdida na WebSummit? Que coisa. Sempre achei uma má aposta. A WebSummit foi hipervalorizada — em larga medida por culpa dos políticos e da sua atração pelos holofotes.

O único racional — e é recente, tem dois anos — é servir de palco para promover as serôdias políticas tecnológicas da União Europeia. Tema ao qual posso regressar lá para o primeiro semestre, aproveitando a presidência portuguesa.

Ainda não consta nada no site, mas aguardo que o Volt torne pública a sua posição em matéria de presidenciais. Pelo que vou sabendo, o assunto já foi alvo de conversas internas e o mais provável é não apoiar nenhuma candidatura oficialmente. Contudo, há vários volters envolvidos na campanha de Ana Gomes. Recordo-te que o Livre foi o primeiro partido a apoiar uma candidatura. Precisamente a de Ana Gomes. Que faz um bom caminho da esquerda para o centro.

Opiniões

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