Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de janeiro de 2021

Sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Pandemia. Portugal conheceu esta quinta-feira os piores números até agora, com 303 mortos e 16.432 casos novos num só dia.

A síntese que faço após ler as minhas fontes é esta.

O Índice de Perceção de Corrupção da Transparency International pinta um quadro sombrio do estado de corrupção em todo o mundo. A maioria dos países fez poucos ou nenhuns progressos no combate à corrupção em quase uma década. Mais de dois terços dos países têm uma pontuação inferior a 50.

Os dados e análise da mostram que a corrupção não só mina a resposta global de saúde à COVID-19, como também contribui para uma crise contínua da democracia, diz a TI. Especialmente má é a evolução negativa dos líderes do índice.

O 33º lugar de Portugal não é bom nem mau, antes pelo contrário. Baixar duas posições nos últimos 8 anos é o dado mais saliente — sendo que não tem nenhum significado, por muito que uma pessoa se esforce por encontrar algo que justifique o aumento da pressão até níveis incríveis pela Imprensa e pelas televisões cavalgando a palavra “corrupção”. Em termos europeus estamos ao lado de Espanha e França, um pouco melhor que Itália e Polónia, um pouco pior que Reino Unido e Alemanha e Dinamarca (o país menos corrupto do índice).

Boaventura Sousa Santos debruçou-se sobre as presidenciais e sobretudo acrescenta valor à análise do crescimento da extrema-direita. Copio o quarto dos cinco pontos em que enfia o assunto (no resto fala de vencedores e vencidos, entre estes Rui e as esquerdas).

Quarto, o papel dos media e das redes sociais. A relação da extrema-direita com os media convencionais tem seguido o mesmo padrão em todo o mundo: um período inicial de deslumbramento seguido de hostilização e recurso predominante às redes sociais. Este processo eleitoral ocorreu todo quase até final na lógica do deslumbramento. Muitos terão ficado chocados com a nova geração de entrevistadores-inquisidores que tudo fizeram para centrar os “debates” na afirmação/negação da presença de AV, e não no conteúdo propositivo dessa presença. O deslumbramento só começou a vacilar quando os jornalistas passaram a ser insultados como inimigos e houve limpa-brisas partidos.” Em O fim do sonho português?

O caso GameStop é tudo menos claro. Quem são os bons e os maus desta fita? O Pedro Fonseca traduziu um artigo de Cory Doctorow que coloca o assunto em perspetiva como nenhum outro que eu tenha lido. “Não faltam opiniões sobre o que está a acontecer com a GameStop (e outras acções em alta [na bolsa norte-americana]), a Robinhood e o [subgrupo] r/wallstreetbets do Reddit, muitas delas contraditórias — pelo menos na aparência. Mas acho que a maioria dessas opiniões pode estar certa.” Ler em Perceber o r/wallstreetbets e o GameSpot no mercado bolsista (ou de apostas?)

A infografia acima vem do Statista, onde Felix Richter escreve: “So the saga continues. And while it’s yet unclear how the story will play out in the long term, it is almost certain to serve as a cautionary tale for years to come as it exposed the holes in a financial system usually dominated by big Wall Street firms.” Ler em Reddit vs. Wall Street: The GameStop Saga.

E ainda Vicente Ferreira nos Ladrões de Bicicletas: “A ação dos pequenos investidores traduziu-se num crescimento meteórico do valor das ações da GameStop — as ações fecharam ontem a um preço unitário de $347,51, face aos $3,25 que se registavam em Abril do ano passado — causando uma enorme dor de cabeça para os fundos de investimento.” Ler em GameStop: quando a especulação se vira contra os especuladores.