Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de junho de 2008

A ascensão dos media sociais

O consultor francês Fred Cavazza acha que o termo web 2.0 está em desuso. Prefere falar já em media sociais. E efectuou um trabalho de tipificação destes que é de grande utilidade, um verdadeiro guia sobretudo para quem ainda não interiorizou a mudança de paradigma.

Os meios de comunicação de massas deixaram de comandar os gostos e dominar os gestos dos consumidores, devolvidos ao papel de cidadãos. E agora à procura de formas de organização da informação e do conhecimento que substituam os esquemas de pirâmide, com o poder de influência concentrado no vértice superior, por formas reticulares eficientes.

O quadro seguinte faz luz sobre a organização reticular hoje, não apenas nos Estados Unidos mas também na Europa e na Ásia.

Cavazza propõe a seguinte tipificação (ver fonte):

Já testei uma boa parte destes. Algumas das classificações, não sou muito concordante. Mas no geral é uma aproximação bastante boa.

Nas ferramentas de edição o Blogger é o mais simples e o melhor foi esquecido: o WordPress. Aos espaços de jornalismo participativo posso acrescentar o DoMelhor, que é português (declaração de interesses: sou co-fundador). As atenções estão mais voltadas para o Wikio e o Digg é um sucesso comercial, sobretudo.

Quanto à partilha, tenho conta no YouTube, ressuscitei esta semana a conta no del.icio.us e já testei o Flickr e o Slideshare.

Nas ferramentas de debate saliento o Seesmic, uma aplicação inovadora, que permite comentar através de video de uma forma estupidamente simples: carregar num botão e falar para a webcam. Skype e Google Talk são essenciais.

No campo das redes sociais, os portugueses são grandes consumidores do Hi5 e do MySpace, os brasileiros preferem o Orkut — mas eu, com conta em todas, limito-me a tolerar o MySpace e sou adepto do Facebook. As generalistas dizem-me pouco. Já a LinkedIn, que é uma rede social profissional, é prática e dá resultados.

Na micropublicação, que é um termo redutor, o Twitter parece, infelizmente, não conseguir suportar o peso do extraordinário sucesso e entrou em quebra técnica. Não uso os outros, mas uso — e recomendo! — o FriendFeed: todas as semanas me espanto com a capacidade criativa e inovadora. O serviço substitui em parte a necessidade dos foruns e ao mesmo tempo leva longe o conceito de lifestream: tudo o que eu publico e partilho em vários sítios se encontra em http://friendfeed.com/pauloquerido.

No livecast dou os primeiros passos com o UStream e um dia experimentei o Qik, mas depois mudei de telemóvel.

Os universos virtuais e jogos não são o meu forte. Acompanho as tendências e sei que o Second Life está em queda (a empresa que o gere é muito estranha, num dia dá, no outro exige de volta) e os MMORPG estão em alta. Para mim, o maior interesse destes ambientes virtuais reside nas possibilidades vastas aque abrem em muitos campos, do jogo à alienação, do story-telling à realização cinematográfica. Vi alguns filmes feitos com o auxílio dos motores de RV disponíveis e são francamente bons. Mas isso fica para outra altura.

Paulo Querido, jornalista