Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de outubro de 2008

A barata tonta

Em 2001 uma pesquisa pelo meu nome no Google dava como 1º resultado um artigo intitulado Top 5% WebZine: Paulo Querido. Em poucas palavras: tendo em conta a minha fértil produtividade em matéria de edição web por esses anos (como se vê, o defeito vem de longe), foi criada nesse webzine uma secção com o meu nome, com o louvável intuito de me denegrir.

Puxo do tema volvidos 7 para 8 anos por duas razões e para uma lição.

As razões.

A primeira, a forma que a Google encontrou para celebrar o seu 10º aniversário. Uma edição especial sobre si própria — como qualquer jornal faz, coo qualquer empresa faz. 10 anos são sempre motivo de orgulho.

A diferença é que a Google é uma empresa especializada em pesquisa. Deu-nos, portanto, como eram as pesquisas em 2001 (não conseguiram recuar mais no tempo, lá nos arquivos da casa). O que traz momentos de puro delírio, com toda a gente a ir googlar o seu nome :)

A segunda razão é uma razão pessoal. Fazendo jus à designação, a “barata tonta do jornalismo online na web portuguesa” — isto é: eu — sobreviveu e continua a mexer-se, relativamente bem, no jornalismo online na web portuguesa.

Infelizmente, o mesmo não poderá dizer a camarada que me mimou com tanta doçura. Enquanto os meus projectos deram resultado ou deixaram sementes, o Top 5% Webzine desapareceu sem deixar legado, os seus autores mudaram de ramo e dos seus nomes não reza o jornalismo online e a web — a menos que a Google faça dez anos, o que não acontece com muita frequência.

A lição

A lição é uma lição para as empresas e os indivíduos preocupados com o que “de negativo” se escreve sobre eles na web.

Há 7 anos, uma pesquisa pelo meu nome continha nos primeiros 10 resultados do Google menções e links para locais que me eram hostis ou desagradáveis. Hoje, a mesma pesquisa devolve não 10, mas os primeiros 30 ou 40 resultados não-hostis. E a maioria é ou neutra, ou positiva. Melhor. A maior parte deles são directa ou indirectamente controlados por mim.

Os primeiros 3 são sites com o meu nome. Este, paulo.querido.pt, e o pauloquerido.com. Os 2 seguintes são os meus perfis pessoais em sítios de grande prestígio na web social (Wikipedia e LinkedIn), daí estarem tão alto nos resultados. Os 5 seguintes são entrevistas ou notícias comigo.

Nenhum dos links de há 7 anos sobreviveu no top 10 de resultados do Google.

É preciso “descer” à segunda dezena para lá encontrar duas menções dignas de nota: o primeiro link sobrevivente da primeira página de resultados de há 7 anos (uma página do Centro Atlântico, onde a barata tonta publicou 3 livros) e o primeiro resultado que não tem a ver comigo (há uma letra de Antonio Carlos Jobim que fala “Paulo, Querido, mamãe vai agora”).

Quer isto dizer que eu sou um mago da optimização para motores de busca?

Deixem-me rir. Não, não sou. Sei alguma coisa, sei o bê-á-bá, não cheguei, sequer, ao fim do abecedário.

Quer dizer que sou um gajo porreiro, pá, não tenho anti-corpos nem caluniadores na net?

LOL! Não sou nenhum Sousa Tavares, é certo, mas tenho sobre ele uma (des)vantagem. Enquanto os seus detractores são quase todos do mesmo grau de conhecimento da rede que ele, que é baixo, a minha pequena legião é tecno-sabida, oh se é.

Trabalho

Na verdade, isto quer apenas dizer que a Google fez o seu trabalho bem feito ao longo destes 7 anos. Essa é a primeira conclusão a retirar — e não é propriamente uma grande novidade…

Só isso?

Eheh, também não diria.

O que houve, da minha parte, foi muito trabalho. Esse muito trabalho reflecte-se numa ocupação do espaço. É tão simples que até confrange ouvir certas teorias muito elaboradas com que alguns consultores ganham a vida. É assim: tá ali um espaço, topas? Se tu não ocupares o espaço que consideras teu, alguém o vai ocupar.

Tirá-lo depois de lá, é mais caro do que teria sido ocupá-lo.

Há designações mais complicadas, utilizadas por quem faz disto ciência, e recomendo a leitura atenta das suas reflexões. Aqui, limitei-me a descrever um exemplo prático, que conheço bem, de forma muito simplificada.

Não é tão fácil assim ocupar o espaço, posso ser levado a admitir.

Uma ideia

Aqui há tempos, numa acção de formação numa multinacional, deparei com um problema. Todos os formandos abriram um blogue e um wiki e naturalmente fizeram-no em nome pessoal. O problema foi que o delegado principal (o cargo tem outro nome, claro, mas eu não desejo revelar pormenores de identificação) e outra pessoa já não puderam registar os respectivos nomes: estavam tomados. Bem como algumas das derivações habituais, como a inicial seguida do nome de família.

Ocorreu-me uma ideia, que depois sugeri a duas pessoas. As pessoas erradas, certamente. Ou o mercado das empresas ainda está demasiado longe “disto”. Há uns dias registei, a benefício de inventário, que um membro desse mercado teve o mesmo eureka!. E sorri, como calculam, quando ele me sugeriu que eu montasse uma empresa para gestão de nomes na Internet.

Era a ideia que eu tivera em Março.

E provavelmente mais alguém teve. Algures.

(As ideias são assim, andam no ar; em Agosto vi uma empresa holandesa a comercializar um produto que fora desenhado por mim, para uma empresa a quem presto muito ocasionalmente serviços, há 2 anos; a empresa não avançou, nem me traiu, nada. Eu, aliás sugeri mais tarde a sua execução, adaptada, a um conhecido que tenho noutra multinacional, com um belo cargo em Londres. Não. O que se passou, simplesmente: a empresa teve a mesma ideia. Incrível. Nos detalhes. Era rigorosamente a mesma coisa, nem mais, nem menos. Não me importei nada. Por um lado, não acredito em direitos de propriedade industrial. Isso não existe: é um conjunto de regras que uns gajos pagaram a outros, com a muito legítima finalidade de proteger os seus negócios. Por outro lado, e aqui só para nós: não é grande ideia. Esgota-se em doze meses. A menos que se encave um contrato com uma Grande Empresa, é fogo fátuo. Só a desenhei porque o meu amigo tinha aquilo em mente. Mas fiquei contente pelos holandeses terem ido até ao mercado com ela. Sempre foram mais longe do que eu.)

A ideia que eu tivera em Março consistia nisto: um serviço que analise os nomes e marcas do cliente e em seguida as registe nos webservices que valem a pena, como o Blogspot, alguns domínios de topo, o Twitter, etc.

Fiquem atentos: em breve aparecerá alguém a fazer isto por cá. E talvez já alguém faça nos EUA (a pequena prospecção que fiz em Março revelou 2 empresas pequenas a fazer algo semelhante, apenas. Mas Março foi há, deixa ver, seis meses).

Não, não tenho nenhum problema em “dar” uma ideia. Problema tive quando a tentei “vender”. Por outro lado… não contei o “segredo” que fará funcionar essa ideia :)

Descobrir esses “segredos” não está ao alcance de qualquer pessoa. Não por ser reservada a mentes superiores. Não. É prosaico. É precisa experiência para os descobrir.