Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de setembro de 2009

Ao fim do dia de ontem, balanço objectivo da suspensão do Jornal Nacional

mmg

Ao fim do dia de ontem podemos fazer um balanço objectivo da suspensão do Jornal Nacional. Uma decisão que, recordo, foi justificada pela administração da TVI por razões económicas, as quais uma parte significativa do país eleitoraleiro preferiu ignorar.

Financeiramente:

1. A Impresa, rival da Prisa, foi a principal beneficiada com a decisão. As suas acções no mercado de capitais registaram ontem, depois da notícia da suspensão, uma valorização de 10%.

2. A decisão da Prisa foi penalizada pelo mercado: a Media Capital perdeu 15% do seu valor.

3. A Ongoing, onde pontifica o marido de Manuela Moura Guedes e ex-director-geral da TVI, saiu a ganhar duplamente com a suspensão do Jornal Nacional: directamente, porque encaixou o seu quinhão de valor na subida da Impresa, onde detêm uma fatia considerável; indirectamente, por sair fragilizado um dos seus objectivos.

Politicamente:

4. O PSD, partido que concorre contra o PS de José Sócrates, foi o beneficiado, politicamente, com a suspensão do referido jornal.

5. O PS e o Governo foram os mais prejudicados com a decisão de suspender o jornal televisivo que lhes era mais crítico.

E um balanço subjectivo?

1. Os comentaristas (que eu li) ficaram-se a debater os aspectos irracionais do caso e, alguns, muito alegremente, quiseram fazer pender para o Governo a responsabilidade de uma decisão que objectivamente só prejudica este. Compreendam-nos: foram possuídos pel’A Verdade.

2. Ninguém se lembrou de Pina Moura e da sua recente aproximação ao PSD.

3. Ninguém quis seguir a pista do dinheiro. O JN foi a (tímida) excepção.

Pergunta:

1. Se a suspensão tivesse origem no Governo, o dia tinha sido diferente?

Sim. Tal significaria que a TVI obtinha algum tipo de vantagem do Governo, como uma promessa de licença, favores nalgum negócio ou empreendimento, ou outro. O mercado de capitais recompensaria a acção, na perspectiva de que o valor da Prisa subiria por força dessa vantagem. As acções da Prisa subiam e as do grupo rival provavelmente desciam, na proporção.

Cenário:

O caro leitor dirige 1 empresa cotada em bolsa, depois de ter saído o director-geral. Este saiu há 1 mês para um grupo rival, que quer comprar e controlar a sua empresa. Deixou na sua empresa a mulher, num cargo de chefia onde tem acesso a informação classificada. Você:

1. despede-a na primeira ocasião;

2. deixa-a ficar, correndo o risco de passar informação ao seu ameaçador rival.

Não se coiba, leitor amigo. Diga-me nos comentários o que fazia.