Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

26 de junho de 2008

O que as revistas ainda não perceberam sobre a web

A recente conversa sobre o excelente artigo de Nick Carr na The Atlantic (Is Google Making Us Stupid?) merece atenção. Desde logo, o artigo. Depois, uma não menos excelente reacção de Scott Karp no Publishing 2.0, (What Magazines Still Don’t Understand About The Web), que é leitura obrigatória (um estudo de caso!) para os jornalistas que se interessam e para os editores, chefes de redacção e directores, interessem-se ou não.

E é da leitura deste, mais propriamente dos comentários, que me assalta uma ideia com potencial. Em vez de fechar a edição na web para preservar (?) os leitores do papel, não seria melhor estimular o interesse pela edição papel usando a discussão prévia na web?

(O Expresso fez uma primeira aproximação a este formato. Não sei ainda os resultados, estou curioso, mas sei uma coisa: algumas pessoas sentem a falta de ler a história (em vez do teaser que recebem por e-mail) e de a poder linkar; têm-me falado disso). Talvez por isso participem menos, é a ideia que me fica dos e-mails que recebi.

A ideia não me caiu propriamente do céu. Está longe de ser nova. Na edição de livros ela já foi usada com grande sucesso. Tanto o best-seller Wikinomics como o não menos campeão de vendas The Long Tail venderam-se a um público ávido, já previamente titilado pelas longas conversas acerca dos livros. O mesmo tipo de sucesso se pode prever desde já para o próximo título de Chris Anderson, Free, que será publicado em 2009 e já foi anunciado num artigo da Wired (Free! Why $0.00 Is the Future of Business). Lembro-m bem das críticas a Anderson, quando ele usava o blogue para a recolha do material e sua refinação (grande parte dos números e quadros foram revistos por leitores do blogue), que insistiam no “risco” de colocar todo o conteúdo, ou mesmo parte do conteúdo, do livro, na web: isso iria fazer com que ninguém tivesse interesse em adquirir o livro de papel.

Passou-se precisamente o contrário. E mais: os ganhos em publicidade viral foram extraordinários, dando ao livro uma dimensão global.

Criar buzz em torno de um assunto que vai sair na próxima edição — eis uma função realmente à medida dos blogues.

Como diz um velho amigo, “tirar da web”, não “pôr na web”. Há aqui mais a tirar do que a pôr. É preciso apenas descobrir o caminho.