Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de julho de 2008

Os feeds, as estatísticas e o Google também se engana

Bruno Amaral está a desenvolver o tema das métricas nos blogues (e na web, links abaixo). Curiosamente, há pouco saiu-me esta fava no bolo rei do Google Reader:

Traduzindo: os algoritmos do Google sugeriram-me que adicionasse o feed do Blasfémias antigo, que acabou há 6 ou 7 meses no endereço do blogspot, passando para o seu próprio site. Pior: segundo o Google (e para o caso não há melhor fonte) aquele feed tem 127 seguidores — que continuam a sê-lo apesar da mudança e de, consequentemente, o feed não ser actualizado desde Janeiro.

O defeito estará na forma como o Google define um subscriber, que é a designação oficial para quem adiciona um feed no seu leitor? Ou estará na medição propriamente dita?

Ou não há defeito?

Não sei. É certo que um assinante do feed tem um valor especial, diferente do de um leitor web: ao contrário deste, que não é dado como certo (existem leitores fiéis, esporádicos, one-timers, e por aí fora), aquele manifesta uma intenção clara de leitura, de acompanhamento.

Mas — como sugere o deslize do Google que desencadeou este artigo — tomar o número e leitores por RSS literalmente é prestar um mau serviço à métrica. O impulso da intenção e a facilidade e gratuitidade de adicionar é, em alguns casos (quantos?), inconsequente. Acredito que daqueles 127 leitores a maioria terá assinado logo o novo feed — mas estou a operar no campo da fé, ou do wishful thinking: na verdade, continuar com o anterior subscrito pode também ser interpretado como sinal de descuido na gestão dos feeds.

Online, há medidas para todos os gostos é o primeiro artigo da série a que aludi, no blogue Relações Públicas, seguindo-se O segundo nível de métricas. Valem a pena. E aguardo a publicação do próximo, para o qual Bruno Amaral promete discorrer sobre modelos em que um blog não é avaliado individualmente, mas como parte de um contexto e tendo em conta o seu potencial de comunicação relativo a um determinado tema e objectivos.

Os links são determinantes quer para perceber o contexto, quer para avaliar o impacto de comunicação.

Mas também os links não são tudo… Ando a explorar uma ideia e os resultados preliminares, sujeitos a confirmação, sugerem que a quantidade de links para notícias do Público aumentou em determinada altura — para bem do jornal em qualquer caso, mas a razão (sujeita a confirmação estatística, voltarei a isto) não se encaixaria (encaixará) num modelo que aproveita a economia dos links para estabelecer o valor de uma página ou conjunto. Admito que nalguns casos até possa funcionar em choque com outras avaliações, como a avaliação semântica (reacções negativas, ou iradas, podem adicionar valor, mas também podem subtrair, e já que falamos nisso, reacções bajulantes acrescentam ou subtraem valor — ou neither nor?).

A rematar: os meios conversacionais são mais sofisticados, na suas interrelações e interacções, que os meios dirigidos (rádio, jornais, televisão); logo, os sistemas métricos terão de seguir o padrão de sofisticação.

Logo, o assunto fica muito interessante de seguir! Porque estamos de tal modo formatados nas métricas pão-pão, queijo-queijo que campearam no século passado, sujeitando o jornalismo, o entretenimento e a cultura a uma mesma bitola férrea, que temos algumas dificuldades agora em aceitar o novo.

Zemanta Pixie