Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de julho de 2010

Quanto custa o kilo de pageviews, Fernando?

Publiquei no blog do Correio da Manhã, o Ondas na Rede, um artigo intitulado Contas feitas, ó jornalista, sabes quanto vales, sabes, sabes, sabes? 14% que teve bastante leitura, o que me surprendeu.

Uma das reacções veio do Fernando Soares, que conheço vai para cima de 25 anos, que foi jornalista sem mim e comigo em vários sítios, e que é, desde há algum tempo, responsável técnico do IOL. no seu Facebook o Fernando dá os seus cinco cêntimos sobre o assunto. Gosto de 4 dos cêntimos, mas no 5º diz o Fernando que é mentira uma coisa que eu escrevi. Pelo que decidi responder-lhe com umas perguntas para saber onde estou errado:

Fernando, não sou ninguém para te contradizer. Por isso aproveito para te fazer umas perguntas: a informática não escala custos? Como fazem então negócio os operadores (como o teu)?

É que essa é a única resposta lógica que encontro para harmonizar o que tu afirmas — que é mentira que a informática seja estupidamente barata para quem possua mais do que um blog com meia dúzia de pageviews.

Digo isto para tentar adivinhar quando é que vou ser chamado para ajudar a resolver o próximo problema de crescimento numa publicação que debita desprezíveis 3,5 milhões de pageviews por mês — entrava para o top 30 do clube Netscope se estivesse disposto a desembolsar uma jóia de 700 euro por domínio para poder medir o tamanho com os outros, mas penso que o editor prefere medir o seu (in)sucesso com o Analytics, que fica mais em conta (é grátis) e faz o mesmo ou mais.

Essa publicação tem custos com informática e tráfego abaixo dos 2.000 euro anuais. Um pouco abaixo dos 200 dólares mensais. Eu sei porque fui eu quem lhe recomendou o alojamento. Que, aliás, é partilhado com mais uns 10 sites, um dos quais tem uns picos giros sempre que o dono espicaça os membros registados, que são alguns 30.000.

Ah, espera… Conheço outra publicação que também entrava para o top 30 e que tem números muito parecidos — apesar de ser radicalmente diferente quer nos conteúdos, quer no software utilizado.

Ups… Recebi ali um mail com mais uns exemplos semelhantes.

O que digo a estes intrépidos e entusiasmados editores, Fernando? Digo-lhes que em informática, quanto mais pageviews, mais estes custam à unidade? Que o melhor é não passarem dos 3.5 milhões mensais que as actuais infraestruturas de 200 dólares aguentam? Que quando passarem para os 35 milhões (um milhão por dia) não vão pagar 2 ou 3 vezes mais, como eles esperam de um negócio que ouviram dizer que escala, nem sequer 10 vezes mais, o que significaria um preço ao kilo não alterado, mas umas 50 vezes mais?

Quantas vezes mais, Fernando?

E qual é a fasquia seguinte? A como fica o kilo de pageviews quando entramos na Liga do top 10 do Netscope?

Digo-lhes que o que faturam em publicidade online não dá para o negócio? É um bocado risível… Os 2 que conheço ganham mais por mês com a publicidade, e depois de cobertos os custos com a informática, a infraestrutura e o tráfego, do que eu alguma vez tirei nos jornais de papel para os quais trabalhei e trabalho e que, como sabes, são a nata, meças pelo prestígio ou pela rentabilidade.

E eu trabalhava a tempo inteiro e aquilo para eles é um hóbi — 3 a 4 horas por dia, se tanto.

Sabes o que eu adorava? Adorava fazer uma folha de cálculo no Docs do Google, partilhada contigo, com 4 colunas: uma com o custo da infraestrutura (tráfego incluído para simplificar), outra com o custo editorial, a terceira com o número de gente a editar e a quarta com a receita de publicidade. Dava uns cálculos engraçados sobre isso dos “investimentos” e o custo de cada pageview, por publicação. Isto para os 50 mais cá da terrinha, fartávamo-nos de rir, tu e eu.