Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

9 de junho de 2012

Três medidas para baixar o desemprego, com efeitos nos curto, médio e longo prazos

“Depois de os mandar emigrar, Passos Coelho hoje mandou os jovens para a agricultura. Onde terão um imenso futuro, assim consigam trabalhar mais barato que as máquinas. Esta gente não faz a mínima ideia do que anda a fazer no governo. Era bom começarmos a pensar nisso.”

Postei isto ontem no Facebook (aqui). Motivou alguma conversa. Ótimo. Decidi listar aqui no blog — onde, ao contrário do Facebook, os arquivos ficam pesquisáveis — três medidas que baixariam o desemprego, com efeitos imediatos e também nos médio e longo prazos. Para quando quiserem começar a pensar nisso a sério.

Occupy jobs - March 6, 2012

Desempregados fazem fila para obter da pujante agricultura portuguesa um emprego a conduzir debulhadoras no Alentejo ou empunhar moto-serras no distrito de Coimbra. Não empurrem, dá para todos!

Três medidas

1. Diminuir o horário de trabalho semanal. Uma forma natural de dividir o pouco trabalho que vai havendo por mais pessoas, sem esforçar demasiado nenhum dos lados, empregador e empregado.

2. Mudar radicalmente a política de subsídios do Estado e acabar com o salário mínimo. Instituir subsídio mínimo de sobrevivência para todos. Definir uma escala de complementos a esse subsídio com base em objetivos que interessem ao Estado e à sociedade e assegure níveis de dignidade social e capacidade motivadora aos desafortunados. Exemplos básicos: horas de trabalho em centros comunitários, lares de terceira idade, etc; limpeza de matas e caminhos; monitorização de recreios escolares; ausência de tabagismo.

3. Modernizar a política fiscal, adequando-a ao novo paradigma de valorização do capital e do conhecimento e desvalorização do trabalho. Criar impostos sobre a economia financeira. Aumentar as taxas sobre as transações financeiras e os produtos virtuais. Encontrar forma de taxar as compras e vendas internacionais através da Internet. Incentivar o investimento no setor produtivo da economia através de impostos dissuasores no setor financeiro e de alívio da carga fiscal — no todo ou em parte ou gradual — na indústria, serviços e setores com maior exposição ao trabalho.