Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de abril de 2009

Ttttttentações (e porque lhes resistir)

Eu gostava de ser o CEO da Twiter, Evan Williams, em dois momentos recentes. Quando disse “não” a propostas de aquisição por valores daqueles que levam as massas ao delírio. O primeiro momento-não aconteceu há semanas, resistindo à tentação de encaixar, já, 500 milhões de dólares, pagos sobretudo em acções pela Facebook. O segundo momento-não sucedeu mais recentemente, recusando a oferta da Google ela própria: 250 milhões em cash.

É mais fácil do que parece, resistir a este tipo de tentações. Mas deve dar um gozo do caraças dizer que não assim. Duas vezes.

Consta que Williams — sigam @ev no Twitter — pestanejou. Eu teria pestanejado, admito. E aguentado firme. Dinheiro é coisa que não falta para esta fase da empresa. E se precisar de, digamos, outros 30 milhões de dólares para mais maquinaria, engenheiros, testes, é só abrir a boca e uma dezenas de dedos se erguerão no ar, ansiosos por serem escolhidos para passar o cheque.

Assim, para quê correr atrás de foguetes? Se a Google acha que o Twitter vale 250 milhões de dólares é porque o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões para ela. E se o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões de dólares para a Google, Inc, então é porque vale três ou quatro vezes mais.

Os rumores seguintes falavam já de uma oferta de 1.000 milhões, o bilião dos americanos.

Muito dinheiro por uma start-up que tem menos de 20 milhões de utilizadores e cujo produto é grátis?

Depende da perspectiva. Na perspectiva da imensa maioria das pessoas, é demasiado dinheiro. Pois é, a imensa maioria das pessoas não possui dotes de imaginação capazes de ter uma ideia com poder de mudar uma indústria.

Para outros, contudo, é barato. Recue o leitor a 2002, quando a Google, Inc. era uma empresa privada que oferecia, a troco de nada, os melhores resultados da pesquisa na web e não tinha uma ideia concreta sobre que modelo de negócio abraçar (na verdade a Google nem sabia ainda onde se posicionar, se como empresa de media, de pesquisa, ou de publicidade, e tinha facturado 86 milhões de dólares no ano anterior a vender, além da publicidade no site… a sua tecnologia de pesquisa dentro de uma caixa amarela). Terry Semel, então CEO da Yahoo! (que era a empresa mais forte ao cimo da Internet), ofereceu 3.000 milhões para comprar a Google — estava mais ou menos convencido, ou consciente, do facto de a Google valer então, na verdade, 5.000 milhões.

O que teria o leitor pensado então? Que era uma pipa de massa, como diria Belmiro de Azevedo?

Por muito entusiasmado que o leitor fosse, o mais certo era, ainda assim, ter vistas curtas. Como a história confirmou, valia dez vezes isso. Nas calmas. As receitas no ano passado foram de 21.700 milhões (margem de 30% de lucro) e duplicam a cada dois anos, números oficiais.

Se recordo estes pornográficos números nesta altura, é para vincar que a oferta faz todo o sentido — e a recusa de Ev Williams faz ainda mais sentido. Tal como Brin, Page e Schmidt teriam perdido o seu sonho se tivessem aceite o conforto dos dólares do então incumbente Yahoo!, Jack Dorsey e Biz Stone perderão a hipótese de ver até onde pode ir o seu Twitter caso o vendam nesta altura. Nenhum empreendedor da web 2.0 cometeria semelhante disparate. Equivale a trocar uma viagem transatlântica num excitante caça experimental por uma cabina de luxo num cargueiro.

Existe uma verdadeira paranóia com os modelos de negócio na Internet. A precaução na hora de investir e as avaliações fizeram parte integrante, e essencial, da gestão de negócios no mundo físico mas não estou certo que sejam tão importantes no mundo digital em rede, para o qual aflui cada vez mais a criatividade humana. As maiores marcas web — todas as que me consigo lembrar, pelo menos — obedeceram ao mesmo um padrão evolutivo: arrancar e crescer, só decidindo qual o modelo de lucro mais tarde no percurso.

Anos mais tarde.

A Amazon deu prejuízo, enervando os accionistas durante anos e levando a Imprensa a fustigar o seu CEO, Jeff Bezos, sempre com a mesma questão sobre quando vinham as receitas.

A Google, Inc operou quase metade da sua curta vida de uma década sem ter modelo de negócio. Se o utilizadores só a conhecem nos últimos cinco ou seis anos, é natural que não o recordem. Mas esta amnésia colectiva dos media é preocupante.

Podia passar o resto do dia a dar exemplos redundantes. Não vamos perder o nosso tempo. O mundo mudou, em especial o mundo empresarial. Fica abaixo, isso sim, um apanhado das respostas dos leitores que me seguem no Twitter (@PauloQuerido). Coloquei a pergunta: o que acham que aconteceria se a Google, Inc comprasse o Twitter?

  1. Paulo Oliveirapaulooliv Acho que a questão da lentidão desapareceria
  2. Sofia Aroucamissquiz API expansion; live tweets with YouTube video; those little ads on the Twitter home page would quickly become Google ads…
  3. purdahcrisfbc Passava a beneficiar de uma estrutura com fôlego, talvez deixasse de ter problemas de agora, como panne diária a meio da tarde
  4. Vitor Mendesvitormendes77 Acho que teria ainda mais visibilidade, e se calhar mais funcionalidade interactiva… mas poderia perder alguma originalidade
  5. jcdjcaetanodias Faziam mais alguns milionários. O Google Tweet teria um sofisticado motor de busca. Poderíamos mandar tweets do Gmail.
  6. Vitor VieiraMentooriginal passariamos a ter menos caracteres disponíveis por mensagem (metade). O resto seriam links para publicidade do google :-)
  7. frohikyfrohiky o mesmo que aconteceu ao youtube….
  8. cmoreiracmoreira + integração c os serviços (ex:fburner,gmail, gtalk, calendar) Opção d adwords do próprio user.ads nos resultados das search
  9. Adriano Cerqueiraadrijobecq Apesar da ameaça de monopólio, o twitter ficaria mais eficiente, e permitiria uma maior interligação com outros widgets
  10. David Lopesdavidl07 O que é que aconteceu quando comprou o YouTube? Nada…
  11. Pedro Fernándezpafmax Em perpétua versão beta, claro! (o Gmail está em beta desde 2004… o que é que são 5 anos pa desenvolver software?!)
  12. Nuno MonteiroUnder Passava a usar o login do google :)
  13. Marco Dinis Santosmarcodinissanto se o Google comprasse o Twitter teríamos buscas integradas. E provavelmente os bots a ver o que twitamos para o adsense.
  14. Pedro Fernándezpafmax Google a comprar o Twitter?! AdTwits!!
  15. Ana Sofia Marquesigotshot Primeira mudança: ia ter publicidade.
  16. Jorge Oliveiracantodojo teria ad-sense.
  17. Paulo Pereirapaulozoom o mesmo q aconteceu ao youtube. fica “independente”, mas com ads. e os resultados da pesquisa integrados na do google.
  18. Jorge Filipe Orgejorge_orge ao twitter aconteceria o mesmo que aconteceu ao youtube
  19. JotaJoaoPe Caixa search ficava maior com Ads ao lado dos results. De resto ficava td + ou – na mesma. Mudava o search na internet
  20. Paulo FurtadoPauloFurtado contras: publicidade…? perda de alguma identidade própria? questões de privacidade? e todos os add-ons em volta do Twitter?
  21. Paulo FurtadoPauloFurtado prós: integração de serviços = gmail+twitter? pesquisa melhorada? etc

  22. Paulo FurtadoPauloFurtado os prós: injecção de dinheiro e recursos = menos “failwhale”, mais certeza de que permanece gratuito, melhor interface web

  23. David Brancodavidbranco A Baleia deixava de aparecer e haveria AdSense por todo o lado bem ao género do que aconteceu com o youtube :)
  24. Fernando Mateusfernandomateus teríamos text ads na barra lateral ou enfiados nos twits tal como se vê nos blogs.
  25. Mario Piresretorta anúncios contextuais na home e no perfil, eventualmente um serviço pro com funcionalidades extra (arquivo e triagem de fontes)
  26. wOwtakuwOwtaku Desejava que corrigisse alguns bugs, mas de resto, espero que não alterasse grande coisa (para já). http://twurl.nl/7ekkqx
  27. Filinto Meloesgravatar se forem inteligentes não mexem muito e impedem o crash de crescimento
  28. Daniel Luísdissidencias Seriamos transformados em gootwittles
  29. Vasco CardosoVascoCardoso 2º O Evan Williams e o Biz Stone ficariam livres para criar mais uma fantastica ferramenta web 2.0 :D
  30. Juliao Duartennduartenn melhoravam a performance de uma vez por todas

  31. João Tiagojptiago No mínimo, começamos a ter tweets de publicidade relacionada com as palavras usadas nos nossos próprios teets
  32. Fabio S.fabios O sistema de busca ficaria muito melhor com tradução imediata de “short URLs” e links para imagens.
  33. Em Meu NomeIdeiaDoCamandro Eu julgo que a baleia Guilherma ficaria em perigo de extinção. Um pequeno passo para nós, um grande passo para o twitter. :D
  34. Vasco CardosoVascoCardoso 1º A necessidade d twitter possuir 1 modelo d negocio tornar-se-ia redundante pois o seu search seria integrado no google
  35. AndréiaAzevedoSoaresBordadoIngles Teríamos anúncios a poluir o design do nosso perfil, bordado com tanto carinho
  36. filipe_murteirafilipe_murteiraNão achava nada de estranho :)
  37. Fernando Batistafernandobatista Sinceramente? Começaríamos a ter o Twitter com Google Ads. That’s it on a first moment
  38. Andreia MMonaLisagasosaAlguém ficaria podre de rico?! :)
  39. francisco silvafrancismata Ora vamos lá a pensar… mtos geeks, pelo menos, ficavam zangados!
  40. Ana MotaNocas_Mota Deixava de ser o nosso cantinho e passava a ser mais um…