Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de dezembro de 2011

Notação governamental: revisão em alta e notas diferentes para Passos e Portas

Notação governamental: à entrada de 2012 revejo em alta o prazo de validade deste governo: da última avaliação, em Novembro salvo erro, de 18-24 meses, passa para os 24-36 meses.

Motivos maiores:

o crescente desinteresse dos portugueses pelas ações dos políticos e governantes, considerados (erradamente, digo eu numa declaração de voto de vencido) “todos iguais”;

o bom desempenho de quem trata da comunicação do governo, que depois de ter começado por passar a mensagem de que não existia, passou a trabalhar no que realmente devia;

e a macieza geral da opinião filtrada pelos meios de comunicação de massas, unificados num projeto de sociedade partilhado com os partidos do governo, disfarçando a escassez de pluralismo com o crescendo das picardias entre marcas e a farsa dos egos.

Motivos de segunda: o eclipse total das oposições de combate & mossa e o eclipse parcial da oposição alternativa de governo.

A manter-se o atual cenário, e sendo de esperar o reforço qualitativo das Relações Públicas e a consagração do género panegírico, ensaiado com amplo sucesso nos hossanas de Dezembro, o outlook é favorável ao governo e espero mesmo poder aumentar o prazo de validade para a faixa dos 36-48 meses. Sim: a possibilidade de termos de gramar uma legislatura completa passou a ser real.

Para o outlook favorável basto contribui a percepção de que 2012 será o ano da Grande Desilusão com as redes sociais, quando o povoléu perceber que o botão de like a única mudança que provoca é a mudança para o Facebook do que era da Google. Não esfreguem os partidos as suas mãos escanzeladas: tal desilusão será capitalizada, sim, mas pelas estações privadas de televisão. Do mal o menos, salvam-se alguns empregos nas indústrias culturais e os jornalistas estagiários poderão comer fruta.

Notas: 11 valores para Passos Coelho, pela gestão do ciclo político. Concentrar as políticas impopulares nos primeiros tempos procurando obter uma folga para os anos eleitorais está no manual. Para melhorar a nota faltou-lhe ir além da demonstração de ter entendido o que está escrito na primeira página do sumário da compilação do opúsculo de introdução ao curso. Mesmo avaliando pela bitola de tempo antiga, e fechando os olhos ao copianço da bloga ultra-liberal, que tem o road map pronto e repronto, 6 meses parecem suficientes para juntar duas frases a propósito — ou mesmo a despropósito, vá.

20 valores para Paulo Portas: justa recompensa pelo esforço no combate político nas duas legislaturas anteriores e pela sua extenuante campanha eleitoral de seis anos, obteve o papel que lhe permite sair de cena e deixar todo o palco para Passos Coelho se estender; poupa-se a sofrer desgaste ou erosão, garantindo em paz e tranquilidade os meses para refletir sobre o seu próximo objetivo (idealmente um salto para algum poleiro estrangeiro, sendo o plano B a continuidade em Portugal para desesperar Marcelo Rebelo de Sousa na corrida ao único cargo a que ambos ainda podem aspirar). E ainda pode brilhar nuns coros quando a Passos faltar a voz. Impecável, nota máxima.

Um agradecimento: para felicidade geral interrompeu-se a Paulo Portas o débito constante, permanente e tonitruante, de manhã, à tarde, à noite, na televisão, jornais, rádio, edições web e timeline do Facebook. Em meu nome pessoal, e no de tantos concidadãos reconhecidos pelo silêncio, obrigado, muito obrigado, sincero e do fundo do coração, aos eleitores que possibilitaram este verdadeiro milagre, este autêntico 25 de Abril na comunicação social portuguesa. O eleitor mostrou novamente que é sábio (a última vez que me presenteara com a sua Grande Sabedoria foi quando deportou Paulo Rangel para Bruxelas: graças à distância, já só consegue aparecer-me à frente nas repetições de madrugada).