Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de fevereiro de 2009

A carruagem a cavalo do século XXI

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Há muito quem participe, com variados graus empenho, em grupos que ambicionam a salvação dos jornais. Embora nutra pela ideia um romântico olhar, não posso deixar de manter algum realismo: querer salvar os jornais da “ameaça” da Internet equivale a querer defender da “ameaça” do automóvel as carruagens puxadas por cavalos.

Responderam-me no Facebook que querem verdadeiramente salvar é o dinheiro, não o objecto jornal. Pior um pouco, nesse caso. É que o jornal enquanto objecto sobreviverá ao jornal enquanto gerador de receita. Em determinadas circunstâncias continuamos a andar em elegantes (embora mal cheirosas) carruagens puxadas por cavalos. Como leremos jornais e papéis e livros em determinadas circunstâncias, um dia qualquer no futuro. Ninguém viaja mais em carruagens. Muito em breve, ninguém se informará pelos jornais (e já há gerações que nunca compraram um jornal).

O jornalismo com suporte informático está na fase pré-Ford T. Sabemos que a mudança de paradigma já se deu, mas ainda não temos um modelo que possa pagar qualquer salário, desde que seja razoável. Quando surgirem as novas formas de comercializar o produto de uma função, o jornalismo, adaptadas às tecnologias dominantes, a indústria da distribuição de notícias em papel terá terminado de vez. É uma questão de tempo e resta pouco.

Ford T

(Foto: Ford model T por Steven Tom)