Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de janeiro de 2012

Aos 80 anos, Umberto Eco ainda constrói pilares como este: “conhecer é filtrar”

A revista Época entrevistou Umberto Eco em Milão. Notável, o estado do cérebro do escritor. Quem me dera chegar aos 80 anos naquela forma. Farei por isso! Um excerto a que acho particular interesse:

ÉPOCA – Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?

Eco – Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

ÉPOCA – Há uma solução para o problema do excesso de informação?

Eco – Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

Ler original: Umberto Eco: “O excesso de informação provoca amnésia”