Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de abril de 2010

Cebrián: “cabe-nos perguntar é que tipo de jornalismo queremos ter na rede”

Não dá para resistir a republicar algumas frases de Juan Luis Cebrián sobre O jornalismo e o fim dos jornais, como aperitivo para a leitura atenta da entrevista que o Observatório da Imprensa brasileiro reproduz do Estado de S.Paulo, 17/4/2010; título original “As teclas de Juan Luis Cebrián, fundador do El País”.

Ah, a isenção!…

“O envolvimento da imprensa com a política é um fenômeno antigo. O que é novo é a instantaneidade, a globalidade e a capacidade de transmissão de dados que, por si só, configura um poder fabuloso.”

Lá como cá (e alguém devia reflectir sobre isso):

“Na Espanha, a rede está ocupada pela extrema direita, que é sempre muito cáustica. Os chamados confidenciales, pretensamente noticiosos, são blogs que mentem, caluniam, sabotam, sem qualquer apuração.”

Fim “destes” jornais:

Os jornais, tal como os conhecemos, se acabaram. Adiós… (diz em tom teatral, balançando no ar um exemplar do El País). Não significa dizer que deixarão de existir. Esse adiós resulta tão somente da constatação de que os impressos pertencem à sociedade industrial, e não estamos mais nela

Umbigo e ego? Pobre blogs, aprendizes de feitiçeiro…

Nós continuamos a fazer jornais como se fôssemos o centro do mundo. Obama ganhou as eleições porque teve dois ou três editoriais favoráveis no New York Times ou porque contou com uma avassaladora campanha na internet? Creio que já me livrei da dúvida de se a internet é uma ameaça ou uma oportunidade.

Sobre o acordo ortográfico:

Fez muito bem o Brasil em estabelecer um acordo ortográfico que unifica a língua, pois se há 190 milhões de brasileiros, há outros tantos milhões de falantes do português em lugares como Angola, Moçambique, Macau ou Portugal mesmo, totalizando um mercado linguístico imenso. Vejo como uma boa oportunidade o Brasil globalizar suas publicações não só para o mundo que fala português, mas estendendo também ao mundo que fala espanhol. Se temos alguma dificuldade para entender o que vocês falam, não temos para ler o que vocês escrevem. E há uma cultura em comum. Sempre digo que Portugal não se separou da Espanha, somente da Galícia. E fez bem (ri).

E a jóia da coroa:

Gastamos horas e horas de discussão para saber se devemos ou não cobrar por nossos conteúdos na internet ou oferecê-los de graça. A esta altura do jogo, me parece uma pergunta sem sentido. O que nos cabe perguntar é que tipo de jornalismo queremos ter na rede. Não está claro.

Areia:

Penso que avestruzes já só restam no quintal português. Ignorem-nas e leiam O jornalismo e o fim dos jornais.