Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de setembro de 2008

Da narrativa televisiva e do seu efeito marcante sobre o jornalismo

É absolutamente imprescindível a leitura de na onda, um artigo de Daniel Oliveira no Arrastão que desencanta a narrativa televisiva que hoje passa por jornalismo, sobre o qual exerce um efeito tão marcante quanto funesto.

Um excerto:

O jornalismo televisivo vive, antes de mais, segundo as regras da televisão e só depois segundo as regras do jornalismo. Tem o ritmo frenético da televisão e aproxima-se o mais que pode da ficção das telenovelas. Precisa de criar narrativas próprias. E, como as telenovelas, para ter mercado cria mercado. Cria necessidade e ansiedade. E quando submerge o país na sua própria narrativa, dá as pessoas mais do mesmo até esgotar o filão. Depois, o consumo será, como é quase sempre, compulsivo: se as pessoas estão com medo, dá-se-lhes pânico (é o que se fez com a criminalidade), se as pessoas estão animadas dá-se-lhe euforia (foi o que se fez com o Euro 2004 ou Expo), se as pessoas estão desanimadas dá-se-lhe a depressão (foi o que se começou por fazer com os Jogos Olímpicos). E assim cria uma sociedade maníaco-depressiva, que salta da euforia para o desânimo absoluto.

Não é apenas um artigo. É também um trabalho de investigação, em que Daniel Oliveira contou com a colaboração de Pedro Sales, que ilustra a tese: um apanhado do que foram os noticiários televisivos num Verão sem a habitual espectacularidade dos incêndios.