Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de abril de 2008

Episódio do telemóvel: o péssimo e o bom

dameotelemovelruiunas.jpgSobre o episódio do telemóvel, vi hoje dois excelentes exemplos de tratamento do assunto, nos antípodas um do outro: o péssimo e o bom.

O péssimo é o insuportável video de Rui Unas para as Produções Fictícias. Se pensam (como eu) que as televisões já exploraram as imagens e o assunto muito para lá dos limites do aceitável, sobrepondo-os a qualquer tipo de debate útil, vejam isto e pensem outra vez.

A mim não provoca mais do que nojo do autor — já nada mais tenho por sentir em relação ao episódio.

O bom é o artigo de Leonel Moura para o Jornal de Negócios, Em defesa dos miúdos. Não concordo completamente com as conclusões dele, mas isso não me impede de recomendar a leitura: além de ser contra a corrente minimal repetitiva de “opinião” que regurgita dos meios por estes dias, só pode mesmo fazer-nos pensar. E perspectiva o assunto no lado correcto: o da sociedade que somos hoje e seremos amanhã, não o da sociedade do século passado, onde se formaram todos os que hoje opinam sobre o caso.

Um excerto (a questão da liberdade, mais que os saberes tecnológicos, um pilar do generation gap que hoje vivemos, e que pode ser bem mais aprofundada):

Este episódio, trivial em si mesmo e que deveria ter sido resolvido no contexto próprio, revela um evidente desfasamento entre aquilo que são alguns modelos e rotinas do passado e a realidade do presente. O Mundo mudou mais depressa do que a capacidade de adaptação de muita gente, em particular dos mais velhos. Daí que enquanto que estes imaginam ser possível agir com a cabeça no passado, enquanto que passeiam o corpo pelo presente, coisa que obviamente faz tropeçar, os mais novos vivem já totalmente mergulhados no século XXI. Uma das coisas que mais distingue estas duas posturas é precisamente a questão da liberdade.