Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de maio de 2008

Jornalismo e media online: mixed feelings

Os sentimentos contraditórios, mixed feelings, relativamente ao jornalismo e media online continuam na ordem do dia.

De um lado temos o erro puro, o desespero, o mau caminho, as vistas curtas:

Revista regional online, precisa de colaboradores jornalistas.

Condições: Não remunerado

Exige-se: Conhecimento em jornalismo regional

(via O Lago).

O Alexandre Gamela limita-se a dizer: vão gozar com outro. Eu digo um pouco mais (também tenho idade para isso).

O que vai na cabeça do dirigente/empresário que coloca um anúncio destes?

Aviar uma publicação online com o menor custo possível, não interessando rigorosamente nada a qualidade do que lá se mete, pois o anunciante local vai pagar na mesma, independentemente do que lá for publicado.

Com um pouco de sorte e as ligações certas, o empresário já teve, ou tem, perspectivas de sacar uns cobres dos dinheiros públicos para investimento em conteúdos online. Como sabemos, as estruturas que canalizam as verbas não possuem condições de fiscalização posterior, por um lado, e por outro a colossal quantidade de verbas que ainda vêm da União é propícia a que encolham os ombros.

Tudo isto só funciona porque à oferta abundante de mão de obra nesta área se juntou cuidadosamente a falsa ideia de que o user-generated content substitui o conteúdo criado por pessoas treinadas ou vocacionadas, criam-se as condições para que aquela “revista regional online” consiga os colaboradores de que necessita.

Pela amostra, qual será o valor daquela “revista regional online”?

Os jovens, na mira de fazer currículo, vão aceitar uma posição que não lhes dará nada para além da experiência — de valor discutível — de lidar com uma estrutura que trata o produto jornalístico como estrume e as pessoas que o fazem como zeros à esquerda.

Mais valia aos jovens abrirem um blogue. Retorno zero por retorno zero, aprendiam infinitamente mais durante três meses a fazer um blogue, do que a trabalhar como escravos de uma “revista regional online” que os trata como gado. Aprendiam com a audiência, aprendiam com as fontes, aprendiam com o mercado. E funciona na mesma como currículo, sendo que é muito mais valioso. E com as ideias no lugar, faziam uma publicação capaz de obter 10 vezes as audiências da “revista regional online”, podendo mais tarde pensar na monetização.

Não é de todo em todo aceitável ver os jovens a penar neste mercado de trabalho onde podem entrar pela sua própria mão, não têm mais de depender dos produtos para anúncios de costureiras, barbeiros e tipografias que passam por “jornais” e “revistas”, que é o que mais abunda na imprensa regional.

Do outro lado do mundo as coisas são bem diferentes e avolumam-se os sinais de que a imprensa já viu que a saída é subir na escala de valor, não é descer. Reproduzo sem mais comentários o início do press-release:

washingtonpost.com Adds TechCrunch to Technology Section

Thursday May 8, 9:29 am ET

First News Site to Syndicate TechCrunch Content

WASHINGTON, DC–(MARKET WIRE)–May 8, 2008 — washingtonpost.com, an award-winning news and information Web site, today announces it will include coverage from TechCrunch in its technology section.

TechCrunch will provide washingtonpost.com readers concentrated and continuously updated insights into cutting-edge start-ups, products and other online ventures. This addition rounds out the Technology section, which already provides in-depth reporting on the latest news and trends affecting every aspect of the technology industry, from medical innovations to the evolutions in global media policy, personal technology to issues of security.