Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de junho de 2008

O fascínio da imitação

Carlos Coelho acha que lhe bastava chegar e dizer yes we can. Infelizmente, não é a frase a chave da vitória de Obama. É Obama.

Carlos Coelho leu O Segredo e acredita. Ainda bem.

Para ele.

Querer resolver, ou pensar que se resolve, um colectivo como um país, uma economia, uma cultura, ou mesmo um mundo, com receitas adequadas à estimular a iniciativa individual dos indecisos, é um erro típico de quem se treina para fazer a vida a debitar frases.

É fundamental a um líder ter frases. Mas o gajo que lhas escreve é apenas o gajo que lhas escreve: não é o gajo que lidera. Não é o gajo que inspira e mexe. É somente o gajo que escreve frases bonitas.

Aqui e ali um dos gajos que escreve frases bonitas sobressai da comunidade e passa a viver de ser um modelo para os gajos cuja missão é escrever frases bonitas e precisam, também eles, das frases bonitas de alguém para se motivarem (ao contrário do que “o povo” pensa, é uma profissão desengraçada e dura, essa de procurar as frases bonitas).

O resultado, invariavelmente, é esse gajo ascender a uma espécie de olimpo dos gajos que escrevem frases bonitas e este é o mecanismo que permite a milhões de gajos que pretendem escrever frases bonitas continuarem a suportar as suas existências. Se não acreditassem no Sonho Do Sucesso Ao Alcance De Si, a coisa ficava insuportável para eles.