Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de fevereiro de 2012

O que torna o jornalismo português tão, mas tão especial?

Vire-me para onde me virar, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, América Latina vá, noto um padrão. Jornalistas & interessados no jornalismo passaram a discutir avidamente, publicamente, interessadamente, acaloradamente, o futuro da profissão, o futuro das notícias, o futuro deles, o presente dos social media e o impacto da relação de proximidade, de cumplicidade, entre leitor e produtor das notícias, as mudanças da tecnologia, a importância dos dados, a importância da transparência, a importância do open, o futuro das empresas que lhes pagam, o long form journalism, o churnalism — tudo em grande e dando o peito às balas, uns dos outros e de todos os outros, sim, horror, envolvendo no debate as audiências. Isto para simplificar e resumir.

Ele é hashtags no Twitter, uma das quais tem anos de regularidade semanal que impressiona, condensados em blogs que seguem avidamente toda esta explosão, toda esta gente que saiu do armário e vem para o espaço público debater, corajosamente, o que tem de debater. Esperando vislumbrar a centelha no meio de tanta criatividade. Debates mensais, mesas redondas, painéis cruzados, encontros, retiros espirituais, blogs, blogs, blogs, blogs individuais, blogs coletivos, blogs dos próprios jornais a abrirem-se ao mundo, a exporem-se, a mostrarem, a orgulharem-se, a darem exemplos, a perguntarem aos leitores — e uns aos outros — se gostam, do que gostam.

Ah, mas o jornalismo português não desce a esse patamar… Não. O jornalismo português é tão, mas tão especial. Em Portugal os jornalistas fecham-se em grupos do Facebook onde discutem lá o que lhes importa discutir, que é muito naturalmente (ups, não posso dizer, senão deixa de ser segredo).

E, como prova da sua pluralidade, pululam — pululamos, pois eu também faço parte destes illuminati — entre dois grupos fechados dois.

Que orgulho que eu tenho de pertencer ao jornalismo mais adiantado do planeta, um jornalismo que não tem dúvidas, raramente se engana e tem um Grandioso e Risonho Futuro pela frente, enquadrado pelos Mais Maravilhosos E Infalíveis grupos de media que o planeta jamais conheceu.