Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

20 de novembro de 2008

O Twitter como o barómetro de conteúdo

Este é um guest post da autoria de Ricardo Valfreixo (*) .

Já foi dito que a blogosfera está moribunda. Não vamos “bater mais no ceguinho”. Sim, concordo, subscrevo, até comprei a t-shirt. Mas será que irá acabar? Numa simples palavra: Não!

Os jornais impressos sentiram um sério embate com a massificação da informação disponível online. Mas isso não os impediu (pelo menos uma parte deles) de se manterem a funcionar. Alguns mesmo são referências incontornáveis quando se fala de acesso à informação. E, agora que se massifica o micro-blogging, não pense que o blog na sua forma tradicional está para acabar. Muito pelo contrário. As referências são incontornáveis nem que seja pelo facto de que o micro-blogging é efémero. Ou seja, a mensagem é escrita e fica perdida algures na timeline. É impensável irmos ler todas as mensagens de um determinado utilizador durante o passado ano. Por outro lado, o blogging tradicional cria conteúdo persistente. Mesmo que os editor abandonem o blog, esse conteúdo fica e permanece, indexado, pesquisável e acessível, para referência futura.

Mas o micro-blogging surge-nos como mais uma ferramenta de edição e de análise. Esta, em tempo real. Muitos são os editores que se dedicaram a serviços de micro-blogging como o Twitter. Estes serviços complementam a informação online com um componente de tempo real. E novas utilidades surgem a cada dia que passa. Mas o Twitter funciona como um verdadeiro barómetro de conteúdo. Isto é: um editor coloca um novo artigo sobre um qualquer assunto. Imediatamente, anuncia no Twitter esse novo conteúdo e imediatamente, os seus subscritores (ou followers na terminologia do Twitter) começam a deslocar-se ao blog (ou site) e lêem o artigo. Se gostam, utilizam a técnica de retweet – que é uma espécie de forward, em analogia ao e-mail. A quantidade de retweets revela a qualidade do conteúdo. Rapidamente e de uma forma directa, o editor tem logo a percepção se a sua mensagem está a passar ou não.

Da mesma forma, frequentemente os comentário de um qualquer artigo passam para o Twitter num tom de amena cavaqueira. Dessa troca de mensagens chegam-nos todo o tipo de informação principalmente a quantidade de conteúdo assimilado. Uma boa ideia é estar com atenção a essa desenrolar de ideias (até mesmo fomentá-lo) e criar posts de followup a complementar o post original. Dessa conversa surge até mesmo temas para novos artigos. Fica o Twitter a funcionar também como um gerador de memes.

Mas um dos maiores potenciais do Twitter é o crowdsourcing. Este termo é um neologismo que significa atribuir uma tarefa a um conjunto indefinido de pessoas. Isto dito assim é muito vago, deixe-me dar um ou dois exemplos para ilustrar melhor esta ideia. A melhor das formas de o mostrar é a recente eleição para a presidência dos Estados Unidos da América. Todas as pessoas falavam sobre a eleição. A informação chovia em catadupa e seria muito difícil lê-la toda sem uma espécie de agregador. Aqui, os criadores do Twitter criaram uma outra funcionalidade que tem tanto de simples como de brilhante. Aquilo que se chamam as hash words. Ou seja, basta num qualquer comentário do Twitter colocar uma palavra marcada com um cardinal (#eleicaoUSA por exemplo) para ser simples de criar um indexador que pegue em todas as informações dispersas e as agrupe e catalogue num único repositório de dados. Basta apenas espalhar a palavra para se usar essa hash word para que todo e qualquer utilizador do Twitter passe a ser um contribuinte para este repositório de informação. Simples, directo e extremamente poderoso.

O Twitter é muito útil e extremamente valioso para todos os que criam conteúdo e utilizam a Internet como seu veículo de trabalho. Serve de barómetro, fonte de inspiração e de ferramenta de networking. Todos os dias surgem utilizações novas para esta ferramenta. Das mais convencionais às mais estranhas e arrojadas, muitas são as aplicações deste serviço. Eu acredito que o Twitter e outros serviços de igual filosofia estão a mudar a face da Internet. Até onde a irão mudar, só o tempo o dirá.

Autor Ricardo Valfreixo é um web developer e produtor de conteúdo para Internet. Trabalha nesta área desde 1995. Recentemente optou por trabalhar como freelancer no mercado nacional e internacional. Actualmente gere um projecto pessoal chamado minimalistic studios.