Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de março de 2008

Optimização para motores de busca (SEO) e audiências: um equívoco

exploring.jpgNuma conversa que não vem ao caso, veio a lume um equívoco cada vez mais comum: a de que se conseguem grandes audiências com uma boa optimização para motores de busca, SEO (de Search Engine Optimization).

O exemplo referido é um magazine interactivo — um blogue, se preferem, mas neste caso eu não prefiro — que, dizia uma pessoa, conseguiu uma audiência impressionante graças a esse tipo de optimização e a, enfim, truques técnicos de um dos responsáveis.

Trata-se de um engano.

A optimização está para o blogger como um galerista está para os pintores: enquadrando-lhes as telas em exposições sistematizadas em função das audiências, potencia-lhes as audiências. Diz-se que alguns galeristas “fizeram” este ou aquele pintor; a confirmarem-se, tais casos são as excepções que confirmam a regra: sem talento expresso num bom quadro, nenhum pintor consegue reputação e valor.

A mesma regra diz-nos que há quadros mais vistos que outros, isto dentro da obra do mesmo pintor. E que há pintores que têm mais saída do que outros da mesma escola ou época.

Nos blogues a mecânica é semelhante. O valor de um post resulta da relação do seu conteúdo com o tempo em que é publicado e a reacção da audiência. E se a moldura e a exposição cumprem um papel mais ou menos importante, este é relativo e continua sujeito à competência do autor, à sua reputação (notoriedade filtrada pelo tempo) e ao seu papel e posição no respectivo cosmos.

A optimização para motores de busca, ou SEO, é um conjunto de técnicas relativas ao circuito de distribuição. A eficácia na distribuição permite ganhos, sem dúvida, mas nenhuma publicação alargará as suas audiências se não suscitar interesse. Pode, pela via da promoção, conseguir uma distribuição forçada, não natural, mas esta será sempre pontual.

Sendo mais sucinto: a qualidade da publicação vem ANTES dos ganhos de eficiência distributiva e estes dependem daquela, não vice-versa.

Voltando ao magazine da conversa, o seu êxito assenta em primeiro lugar na profissionalização do produto, apoiado posteriormente na optimização. A profissionalização entendida aqui enquanto mecanismo aperfeiçoador. A publicação referida tem uma apresentação gráfica evoluída e rígida, o leque de assuntos é lato mas as abordagens obedecem a um padrão editorial, há um grande cuidado na edição fotográfica e de imagem (diferença, diferença, diferença! Os blogues não costumam ter nada disto e alguns até escarnecem de tudo o que cheire, mesmo que levemente, a organização formal ou de conteúdo, auto-intitulados guardiões de uma “pureza bloguística” que nunca foi objecto de nenhuma espécie de análise, debate ou consenso).

Um leigo extra-terrestre — isto é: qualquer pessoa que não seja “da” blogosfera — só precisará de olhar durante um minuto para o tal blogue e “folhear” duas ou três das suas páginas para perceber a diferença entre ele e os seus “concorrentes”. Sorrirá com a explicação dos “mistérios tecnológicos” e dos “magos do SEO”: se há uma diferença visível, porque a procuram nas invisíveis?

Se a optimização fosse a diferenciadora, a distância entre Certamente! e essa publicação era praticamente nenhuma, pois que temos níveis de optimização semelhantes. Na realidade a distribuição dela é mais de 10 vezes maior que a minha (propositadamente vago).

Há outros factores que explicam como se constrói uma audiência na web.

Antes de chegarmos à eficácia da distribuição, temos a própria distribuição.

Antes do grafismo e da cumplicidade que este ajuda a estabelecer com a audiência, temos a definição editorial. Os blogues indistintos, os diarísticos puros, não conquistam audiências: têm círculos pessoais. (Excepção para as vedetas, que não interessa O QUE publicam, interessa QUE publicam.)

Mas daqui para a frente não é um post, é uma consulta.