Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de junho de 2008

Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

social media in plain englishQual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses? — é uma das perguntas de Hugo Neves da Silva incluída num seriado dem que inquire pessoas ligadas à web e à blogosfera. O entrevistado desta semana tem uma resposta pertinente, que coloca um desafio aos meios tradicionais.

O facto da surdez destes os impedir de estarem presentes num desafio no qual basta irem a jogo para ganhar não evita que o debate avance. Aliás, logo nos comentários ao artigo que aqui destaco se levanta uma questão não menos interessante: como caracterizar os social media?

Mas antes de lá irem, eis a resposta de Bruno Ribeiro à pergunta em título. A negrito, o desafio:

Acho que respondi um pouco a esta questão na anterior: a falta de plataformas/serviços dedicados aos Social Media nacionais! Se queremos pesquisar optamos pelo Google/Technorati/Blogpulse; se queremos agregar as opções são o Netvibes ou Pageflakes…

Por outro lado, penso que é necessário haver mais discussão e conferências acerca do tema, não onde participem académicos que o estudem do ponto de vista da sua especialidade, mas sim com a participação de quem realmente “pertence” ao meio. Acho necessário deixar quem produz e consome Social Media regularmente falar sobre o tema.

Penso que na memória de Bruno Ribeiro — um blogger dos mais experientes em Portugal, com apenas 24 anos, uma licenciatura em Psicologia e a caminho do seu terceiro blogue de referência — estão dois acontecimentos recentes, ambos reveladores da forma desastrosa como os meios de comunicação tradicionais continuam a lidar com os novos meios de comunicação. O estudo em má hora patrocinado pelo Obercom, que retratava uma realidade que terá eventualmente existido três anos antes ( e refiro-me a três anos de calendário, não a três anos web, muito mais rápidos), e o programa da SIC que apresentava a Internet em geral como uma fábrica de marginais capazes dos crimes mais horrendos, do terrorismo em diante, e a blogosfera em particular como um antro de anónimos psicóticos com uma tara por crianças e outra tara por perseguir figuras com casa posta nos meios tradicionais.

social media in plain english

Mas para reparar na negligência e no erro de perspectiva da maioria do nosso jornalismo quando o assunto são os meios de comunicação em rede não são precisos estes exemplos, eu ia escrever extremos, mas na verdade não posso, porque estes são os exemplos que se encontram em cada dobra do papel dos nossos jornais e revistas, em cada minuto de antena.

Basta ver as edições online dos jornais — em 2008 e ainda não usam o hipertexto (na realidade pouco usam jornalistas).

Basta ver que nenhum dos acontecimentos nacionais que têm directa e indirectamente a ver com os meios sociais mereceu espaço nos órgãos de informação.

Basta ver que os raros empreendedores da web social portuguesa não furam o cerco da desconfiança dos jornais e quando algum é notícia, é pelo lado pitoresco ou por alguma pontualidade do mundo dos átomos.

Basta ver que ainda não houve um único programa de televisão dedicado aos media sociais.

Basta ver que os agentes dos media sociais não são entrevistados por um jornalismo que parece incapaz de descortinar a inovação fora da fotografia que lhes é servida pelo circuito oficial das agências de comunicação. Até parece que além das telecoms e de duas ou três instituições de ensino, mais ninguém em Portugal inova.

Não é que faltem pessoas para falar disto.

Olhem: tanto o Hugo Neves da Silva como o Bruno Ribeiro fariam melhor figura a falar sobre blogosfera que Francisco Moita Flores e Miguel Sousa Tavares.

Querem académicos? Tendes o Luis Santos, um post no Atrium vale por dez “estudos” do Obercom. Tendes o Fernando Zamith e o António Granado, que também são jornalistas. Tendes o Manuel Pinto, que tem um olhar de grande profundidade. Não faltam pessoas com experiência, com vontade e com legitimidade para falar sobre este assunto.

Ainda sobre social media, leituras recomendadas a jornalistas que se queiram informar:

Os social media em Portugal, artigo também de Neves da Silva que faz uma caracterização.

Social media in plain english, um video simples e que diz tudo

A ascensão dos media sociais, no espaço web 2.0 do Expresso Multimedia, há dias.