Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

22 de dezembro de 2008

Quase 1.000 followers no Twitter

Estou quase a dobrar a notável marca de 1.000 followers no Twitter, o que é uma surpresa dado que pouco networking tenho feito. Ao ponto, até, de ter uma política que consiste em evitar seguir os “amigos” de pessoas com quem evito ao máximo o contacto, por razões que agora não vêm à colação.

Estou, neste momento, com 919 followers — isto é, pessoas que seguem o que eu publico e digo ali (@PauloQuerido). Assinalo a marca nesta altura porque houve recentemente uma limpeza da base de dados do serviço, que reduziu o número de seguidores a praticamente toda a gente. Aproveito para dar a explicação, uma vez que várias pessoas ma têm pedido.

O Twitter, como outras redes, está sujeito ao bombardeamento de spammers — indivíduos que procuram tirar partido do sistem abusando dele. A arquitectura do serviço torna complicado e quase inútil o spamming directo — basta-me não seguir a conta do spammer e pronto, nem eu nem os meus leitores somos obrigados a tê-lo nas timelines.

Então porque insistem os spammers?

Por 2 motivos.

Primeiro, porque quase toda a gente recebe por e-mail a notificação do novo follower e tem a curiosidade de ir ver — e isto conta como um “contacto”.

Segundo, porque existem muitas contas que fazem o following automático a quem as segue. Isto inclui tanto automatismos (sendo a mais emblemática conta a do presidente americano eleito, @BarackObama, que segue toda a gente que a siga) como pessoas que, desprovidas de critério ou ainda novatas neste ambiente, carregam no botão de seguir de volta.

Como disse, a arquitectura do serviço é de molde a minimizar o impacto deste tipo de parasitismo. Além da forma passiva (não seguir de volta) o sistema fornece 2 métodos activos para “aprender” e melhorar a filtragem.

O primeiro método é bloquear o follower, usando o botão respectivo. Pouca gente repara, mas podemos bloquear qualquer pessoa, isto é, evitar que ela nos siga directamente (indirectamente é impossível: sendo o Twitter uma rede aberta, a minha actividade pública pode ser lida sem meu consentimento expresso). Se determinado utilizador tiver muitos bloqueios, isso faz disparar um aviso no sistema.

O segundo método é a denúncia directa do spammer, que se pode fazer muito simplesmente enviando um tweet para determinada conta.

Acontece que nas últimas semanas um português estúpido se deu ao trabalho de criar mais de uma centena de contas no Twitter, isto as que eu contei. A metodologia foi sempre a mesma: escrevia 1 tweet, sempre o mesmo, a mesma mensagem e o mesmo link, e tornava-se follower do maior número de pessoas que conseguia antes de cada conta ser suspensa pelo Twitter. As contas abusavam do nome de altas figuras do Estado português, sempre as mesmas.

A estupidez do sujeito patenteava-se na forma como pretendia forçar as pessoas a lerem a sua mensagem; na inutilidade do tempo e energia consumidos numa actividade de retorno nulo; na escolha cega de quem seguia — as contas automáticas como as dos jornais, que atraem sempre maior número de leitores, não têm ninguém por detrás para ir ler; e ainda na insistência na burrice: apesar de avisado para a ineficácia da sua acção e de ver suspensa cada conta ao cabo de poucas horas, continuava, sem aprender.

Dei-me ao trabalho de bloquear a maioria das vezes, mas algumas escaparam — pelo que o meu número de followers diminuiu, como todos os outros, se bem que menos que a maior parte das vítimas deste spammer português.

Outras contas vítimas desta forma de forçar uma mensagem não se deram ao trabalho. Nuns casos, porque se trata de contas automáticas — geralmente, as dos jornais e outros órgãos de comunicação. Noutros, por economia de esforços.

Chamei a atenção para o efeito de não bloquear: o número de followers dessas contas era artificial uma vez que eram seguidos por fantasmas, contas que estavam suspensas.

Não vinha daí mal algum ao mundo, claro, e há quem tenha sorrido, até, com o bónus dos followers a mais. O pior é que alguns desses sorrisos deram lugar à consternação nos últimos dias: o Twitter fez uma limpeza à base de dados e as contas suspensas desapareceram das listas de seguidores, diminuindo o respectivo número.

No Twitter: @PauloQuerido