Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de janeiro de 2009

Retweeting: multiplicar o poder de divulgação do Twitter

Uma das práticas comuns na twittosfera é o ReTweeting, ou ReTweet ou simplesmente RT — pegar no que alguém escreveu e retransmitiu a mensagem. Uma mensagem retransmitida distingue-se de uma mensagem normal por conter um dos sufixos ReTweeting, ReTweet ou RT, seguido de uma arroba e do nome do emissor original (ver imagem seguinte). (artigo para arquivo; original publicado no Expresso Multimedia)

O RT é uma das mais poderosas demonstrações do poder viral do Twitter, que é mais amplificado, ainda, do que na web graças à simplificação obrigatória das mensagens neste canal, que comporta um máximo de 140 caracteres. O objectivo do ReTweeting é triplo, podemos dizer.

Em primeiro lugar, ao “retweetar” uma mensagem temos a noção de que estamos a dar aos nossos leitores algo interessante. 69,05% das mensagens re-emitidas contém um link para alguma página ou assunto fora do Twitter, são chamadas de atenção para conteúdos relevantes, que merecem destaque. Esta é a função principal do RT: fornecer bom material aos nossos leitores, sem desrespeitar as nossas fontes.

Em segundo lugar, funciona como reforço do sinal de apreço pela fonte — em regra, mas não forçosamente, alguma das pessoas que seguimos de perto (following).

Finalmente, o RT pode ter a função de potenciar a divulgação de mensagens julgadas de interesse social. O assinalável estudo de Dan Zarella (What’s in a Retweet? The Data Behind Viral Messaging on Twitter) descobriu que a palavra please é usada 5 vezes mais frequentemente em retweets que nas mensagens normais, indicando que muitas vezes se pede aos leitores (followers) que retransmitam algo.

Usei a ferramenta adicional que Dan Zarella (@DanZarella) proporciona com o estudo para exemplificar o poder viral do RT. Pegando numa mensagem minha das mais recentes, vemos que foi “retweetada” por 4 vezes. Isto significa que a leitura que eu sugeria (o Estado da Twitteresfera, um PDF com números sobre o crescimento do Twitter em 2008) passou de um potencial máximo de leitura de 930 pessoas (os meus leitores) para 1.880 — ou seja, praticamente o dobro. Aos meus juntaram-se os 444 de @jafurtado, os 131 de @agil, os 287 de @retorta e os 88 de @SergioBastos.

É claro que esta conta não é linear. Isto é: os 950 “novos” leitores potenciais da mensagem retransmitida não são todos somados, pela simples razão de que uma parte deles são simultaneamente meus leitoras e de 1, ou mais, das 4 pessoas que re-emitiram a mensagem.

Admitamos, a benefício do exemplo, que depois de verificadas as duplicações ficamos com um universo global de 1.300 leitores. Ou seja, há um grupo de 580 pessoas que seguem pelo menos 2 dos 5 emissores originais (eu e os 4 “retweeters” desta mensagem). Isto significa que além de a retransmissão ter levado a mensagem a mais 370 leitores novos, aumentaram (para o dobro, triplo, quádruplo…) as hipóteses de os restantes 580 verem a mensagem.

Não esquecer, ainda, que a mensagem pode por sua vez ter sido retransmitida por algum dos leitores dos 4 “retweeters” originais…

Um aspecto final do poder do RT: alguns dos mais populares membros do Twitter são eméritos “retweeters”, existindo uma ligação entre a sua popularidade e o número de links com elevado interesse que divulgam diariamente. Entre eles destaco, Tim O’Reilly (@timoreilly, da O’Reilly Media, que terá cunhado o termo web 2.0 e tem mais de 20.000 seguidores no Twitter, e Guy Kawasaky (@guykawasaky) — que é, também, um dos mais retransmitidos autores do Twitter.

Nota: em breve publicarei uma análise do comportamento dos portugueses no Twitter.

Paulo Querido, jornalista