Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

18 de janeiro de 2008

A economia do Second Life e o uso leviano do termo "virtual"

Sempre achei que usávamos mal o termo “virtual” aplicado a tantas situações da Internet. Os jogos e, com eles, os novos ciberambientes (à falta de melhor) são virtuais no sentido etéreo e por oposição a analógicos, mas são reais porque têm impacto real na vida das pessoas. Ou nas vidas, se quisermos: na vida íntima, na experiência sensorial, na acumulação de conhecimento, na vida profissional, na vida psicológica.

E na vida económica.

Não apenas porque podemos gastar dinheiro bem analógico em produtos e serviços digitais dos quais desfrutamos tanto como dos seus pares físicos, como porque podemos ganhar se nos propusermos trabalhar (ou produzir, ou especular e acumular) nos ciberambientes.

Há que diferenciar o “jogo a feijões”, esse sim, bem virtual, em que a unidade monetária é ficcionada, dos jogos reais com unidades que compram coisas — mesmo que dentro de espaços limitados. (No mundo dos átomos passa-se o mesmo; o rublo só compra coisas dentro do espaço limitado da Rússia.)

Em última análise, a realidade é uma convenção em que (quase) todos assentamos para podermos viver em sociedade. Nestes termos, nada distingue a convenção da nossa realidade da convenção da realidade do ciberambiente Second Life. Embora as duas sejam distintas nas operações e nos resultados.

Deixando de lado a reflexão teórica, chamo a atenção para um artigo muito interessante do Second Life Herald sobre a “economia virtual” do Second Life, Op/Ed: Financial Myth Busting Edition.

Com a excepção do comum preconceito de desconfiança face a tudo o que “é Internet” e seja qual for o ângulo por que olhemos os Linden Dollars, estes não são mais nem menos virtuais que as acções de bolsa ou qualquer transacção que não use numerário (e o próprio numerário, lá estamos de novo nas convenções).

Respigo o que me parece mais interessante — a distinção entre as práticas de ganhar/gastar no mundo dos átomos e no Second Life:

“All of the real world protections, insurance, bankruptcy liquidation, government oversight, are lost if you invest your real world assets in Second Life. Linden Lab takes many steps to keep the Linden dollar seen as a digital right and not a currency, so they will not step into the shoes of a government to protect your investment. Additionally, it raises issues as to tax consequences for investments in SL with RW assets. It is better to leave your money outside unless you need it in-world for something that you personally are going to use, such as purchasing land or starting your own business, as opposed to investing in others” (Jessica Holyoke em Op/Ed: Financial Myth Busting Edition).