Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de janeiro de 2008

A TV Brasileira e a internet. Caso de polícia?

Sobre Rede Globo, Youtube, Joost e afins…

Quando um vídeo amador foi publicado no Youtube mostrando a modelo brasileira Daniela Cicarelli transando em uma praia na Espanha com o seu namorado, o Youtube, que já era famoso no Brasil, ficou ainda mais popular.

A modelo processou o Youtube e o site ficou fora do ar para os brasileiros por quase uma semana.

Ela perdeu o processo, pois estava completamente errada. Se quisesse privacidade, que fosse para um motel. Mas esta questão serviu para reacender a briga entre as redes de TV aberta brasileira (principalmente a Rede Globo) e os vídeos disponibilizados gratuitamente na internet por sites como Youtube, redes P2P e torrents.

imagem rgxyoutubePor um lado, as redes de TV acusam esses mecanismos de distribuição de vídeos de roubo dos direitos de transmissão, mas não tem como impedir a prática, haja vista que são os internautas que geram o conteúdo e não os mecanismos. Tudo bem que, se não houvesse os mecanismos de publicação de vídeos, ninguém poderia colocar vídeos na internet com esta facilidade, então esses mecanismos também seriam culpados. Acontece que sites como Youtube, Joost e outros, possuem termos e normas de utilização e cada um que queria colocar um vídeo na internet, precisa aceitá-lo. Nestes termos, esses mecanismos se isentam de responsabilidades. Por isso que as redes de TV nada podem fazer.

Agora, por que esses sites estão cada vez mais populares? O que é mais simples: ligar uma TV ou acessar um site de vídeos? Mecanicamente é mais simples ligar a TV. Mas a vantagem para por aí.

Vejo que o diferencial dos vídeos na internet seja o consumo sob demanda, ou seja, você assiste aquilo que quer, na hora que quer e em seu ritmo. Não existe uma programação rigorosa na internet, assim como existe na TV.

Hoje, não só no Brasil, mas em todo o mundo, as pessoas encontram-se mais atarefadas, com pouco tempo para o lazer, então uma programação rigorosa só atrapalha a vida dos espectadores. O José, por exemplo, adora a série de TV brasileira “A Grande Família”. Se ele trabalha à noite, ou precisa acordar às 4h no dia seguinte para trabalhar, precisaria pedir demissão para assistir a sua série favorita, pois seria impossível para ele acompanhar um programa semanal que começa 22:30h e termina 23:30h.

O que o José faz?

Recorre a outros meios: internet, VHS, DVDs. A própria Rede Globo, que lançou o provedor GLOBO.COM há alguns anos, montou dentro dele o Globo Vídeos, que é um site dentro do portal com os vídeos dos programas exibidos na emissora. Isso possibilitava que as pessoas pudessem assistir a seus programas favoritos sob demanda. Mas tinha um porém: Somente usuários do provedor tinham acesso ao recurso. E o provedor da Globo era pago. No final de 2007, a Globo resolveu liberar o parte do conteúdo do seu Globo Vídeos para todos, como matérias de telejornais e entrevistas.

Será que um dia libera tudo? Acho difícil em se tratando da toda poderosa Rede Globo.

Portanto, a internet, por ser sob demanda, possibilita que eu assista quantos programas da minha série ou novela favorita que eu quiser, em um mesmo dia, em um final de semana, inclusive o que assistir também, pois na TV quem diz o que vai ser exibido é o editor e na internet é o consumidor. A liberdade é total, pois quem monta a programação sou eu, de acordo com o meu estilo de vida. Isso a TV não oferece ao espectador.

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Este é um guest post. O autor, Rafael Cruz, é estudante de Cinema e Biblioteconomia no Rio de Janeiro, edita o Tecnologia e Cinema e mantém o Xadrez AJAX, o clube virtual da Associação de Jogadores Amadores de Xadrez que fundou e que já tem também uma sede física.