Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de janeiro de 2007

A abrutalhar se dizem as verdades – essa é que é essa

Pela leitura desatenta do decadente (muito tempo aguentou ele no auge) maradona, cheguei à leitura de um texto ridículo de Paulo Tunhas, candidato a diácono Remédios da blogosfera, sobre a “má educação” de dois jornalistas (e, presume-se, extensível aos restantes) que têm blogues.

Confesso que ia puxar da culatra atrás quando pensei nos 37.000 textos que ainda tenho de acabar até amanhã — e lá se perdeu a oportunidade de dar lustro na minha enferrujada capacidade de exprobração. Mas eis senão quando chego à resposta de um dos visados, João Pedro Henriques, no Glória Fácil, e não só bato palmas como recomendo a leitura a todos, sobretudo aos que não se interessam pelo assunto propriamente dito mas seguem a evolução (ou involução, as you wish, sir) da relação entre bloggers e jornalistas.

De “o problema” (uma resposta) leiam os sete pontos ponto por ponto, se faz favor.

Um apetizer:

«Acontece que a generalidade da blogosfera, à falta de competências (e de coragem) para escrutinar quem efectivamente manda nas nossas vidas – o poder político -, decidiu transformar o jornalismo português em saco de areia: é fácil, é barato, dá audiências (e os políticos agradecem)»

E uma verdade-verdadinha, com brutidade ou sem ela:

A «blogosfera tem sobre os jornalistas que nela participam um (saudável) efeito de transparência. Quando me lêem no DN podem comparar com o que escrevo no blogue e perceber, por exemplo, qual é o meu alinhamento ideológico [...] E sabem quem me paga o ordenado [...]. Este efeito de transparência não parece no entanto aplicar-se à maior parte dos blogueiros não-jornalistas (ou não-políticos) que leio. Parece que o exercício da cidadania blogosférica pelas pessoas que antes dos blogues não tinham opinião publicada implica, inquestionável e automaticamente, um atestado de santidade cívica. Raramente vi algum fazer uma declaração de interesses substantiva sobre as suas relações (económicas, nomeadamente) com aquilo que escrevem. . O escrutínio, aqui, só tem um sentido»

Escrever para uma audiência pública implica um grau de responsabilidade maior do que escrever cartas aos amigos, e-mails aos colegas de trabalho ou trocar receitas ou listas de discos antigos num newsgroup. Não foram um nem dois os jornalistas que, não aceitando ou percebendo isto, se espalharam (ou não) acabando por desistir da profissão. Algo de muito semelhante se passa com os bloggers — tenham ou não a noção disso.