Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de março de 2005

A água de Lorrain

Em questões de conhecimento de pintura, sou aquele “1″ à direita de muitos algarismos depois da vírgula. Modestíssima, infinitesimal bagagem, portanto. A nossa cultural viagem a Londres terá servido para comer um ou dois desses algarismos, aproximando-me quase irrelevantemente da vírgula. Não poderei descrever o choque que foi, para mim, dar de caras, na Tate Modern, com um dos meus italianos favoritos (Amadeo Modigliani). E se o contexto é pintura nem vos vou falar do baque (tive de me sentar durante 20 minutos) perante O Beijo, de Rodin, peça de escultura que andava para cheirar há um quarto de século.

Descobrir um pintor especialíssimo é porém uma questão de gosto, que não tanto de cultura. Poderia a trip to London não ter tido outra função (teve, imensas) e a mera contemplação, na National Gallery, do quadro aqui reproduzido (Seaport with the Embarkation of the Queen of Sheba) seria suficiente para ter dado por bem empregue a viagem.

Um tratado de sensibilidade, a água nos quadros de Claude Lorrain. ( Clique no thumbnail para disfrutar, em nova janela, da imagem no esplendor possível num monitor )