Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

16 de agosto de 2007

A blogosfera e a opinião

“Paulo Querido, o que faz você no Certamente! e no Cibercidadania, a não ser opinião?” — pergunta-me o Carlos José Teixeira num artigo onde critica com atenção o meu texto no Expresso online os jornalistas e os blogues.

Resposta rápida, tipo título e lead: escrevo opinião, no primeiro caso em tom pessoal, no segundo caso em tom profissional. Mas não escrevo apenas opinião: faço “comunidade”, crio, destruo e mantenho laços com os leitores.

Resposta um pouco mais lenta: quando no Expresso escrevo “um blogue não é uma coluna de opinião na net” estou a dizer a leitores menos óbvios o que os leitores óbvios (como o CJT é, basta lê-lo) já sabem: um blogue é um diálogo com os leitores (mesmo os bloggers que não usam caixa de comentários dialogam, seja por posts cruzados, seja em resposta a mails, artigos, posts e outras “provocações”).

Se o Certamente! fosse um website onde publicasse a minha opinião pessoal sem cuidar do que nele respondem os meus leitores, das citações que me fazem na blogosfera (como esta, de CJT) e em geral de intervir nas conversações que decorrem pela web, então eu estaria a ter uma mera coluna de opinião na net e não um blogue (o webzine comporta o lado blogue, ao lado de outros conteúdos que escapam à lógica da publicação diarística e conversacional).

Já no Expresso a coisa é mais complicada. Demoro a encontrar o tom certo (como diz o Luís Carmelo, com grande felicidade na escolha do termo). Aind mantenho uma posição rígida e formal na abordagem quer dos posts, quer dos comentários. A minha opinião ali expressa, se bem que opinião e pessoal, está mais trabalhada em termos das práticas jornalísticas, desde a investigação à verificação dos factos. Com o tempo tenho também cuidado mais do Certamente!, a diferença está em que aqui ainda publico posts totalmente diarístico-pessoais, como as fotos de viagens e notas familiares ou de amizade, coisa que não me passa pela cabeça fazer no Expresso.

Mas num caso e noutro estabeleço laços quentes — sendo essa a grande diferença entre o meio web, onde tudo é quente fervente, e o meio papel, que é frio, a frouxa interactividade é intermediada pela Redacção e, deixemo-nos de merdas, totalmente controlada por um dos lados.