Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

25 de novembro de 2006

A Caixa de Previdência dos jornalistas

Começo por uma declaração de desinteresse: não sou beneficiário da Caixa de Previdência dos Jornalistas vai para 15 anos. Dito isto, cá vai:

O corte não me incomoda e até alivia. A Caixa dos Jornalistas era francamente boa, boa demais para o país, e há que tempos que não via razões para assim ser. Desde que os bancários começaram a perder regalias, pelo menos. Não subscrevo algumas posições, frases e pensamentos de Paula Sá, até porque não sinto a coisa como ela sente (uma cabala da classe), mas recomendo a leitura do seu artigo no comunicar a direito, por favor algum pudor!. Tirando ressonâncias como o “cobardemente”, no geral tem razão e o Sindicato faz o seu papel, sem dúvida um papel profundamente errado tendo em conta o assunto.

Ou talvez não. A posição do sindicato chama a atenção para uma verdade que não é escamoteável nem negligenciável e é mais incómoda do que as “culpas” os jornalistas expiaram através do “silêncio” sobre os seus “privilégios” de classe. Mais incómoda até que os privilégios. Cito, com negritos meus:

Jornadas intensas e prolongadas e informalidade de horários, com fortes impactos na saúde e na qualidade de vida destes profissionais, como demonstra a significativa prevalência de stress e de doenças do foro cardíaco, desgaste rápido e até morte precoce. Esta situação agravou-se nos últimos anos, com a crescente precariedade, um extraordinário aumento dos níveis de exigência, polivalência e de disponibilidade (Manifesto)

É irrelevante para o assunto Caixa de Previdência, mas é essencial para a profissão. Que tem vindo a perder nos salários (que nunca foram nada de especial).