Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de agosto de 2007

A crise

Tenho, deixa cá ver…, 47 anos. Redondos, 30 anos. Três décadas. Mais de um quarto de século dentro do mercado de trabalho e atento ao que se foi passando à minha volta. Trinta anos mais ou menos no mesmo lugar de espectador da coisa pública: o lugar do anarquista pecador que, uma vez por outra, se distrai e amantiza com a realpolitik.

Ao longo destes 30 anos em que Portugal mudou muito e para muito melhor, só me lembro de duas constantes: ouvir, repetidamente, dizer que “isto está cada vez pior” e ouvir o termo “crise”, um espantalho brandido invariavelmente por quem fica de fora da dança das cadeiras e distribuição de cargos em que, inclusive nas democracias saudáveis, se torna a escolha do pátrio Governo.

Curiosamente, isto tornou-me tolerante e benevolente para com o próximo. Por muito irritado que o próximo me deixe, por vezes, as vezes em que se esquece que não é o único cérebro nas redondezas, hoje ganha o meu lado tolerante. Por isso, não vou desancar mais um dependente do Estado que invoca uma “crise” para justificar uma ninharia qualquer em que o seu lado foi derrotado.

Viva a Márcia Rodrigues e trocamos um fait-divers por outro.