Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de maio de 2006

A ética?

João Paulo Meneses recorda no Blogouve-se um assunto que não é de hoje nem de ontem, embora ele perspective um enfoque novo (as apostas online): “há ou não incompatibilidade entre um jornalista que faz actualidade futebolística e que aposta num determinado resultado de um jogo?“. Mais: “se esse jornalista tiver alguma informação que possa influenciar – hipoteticamente – o resultado final (uma equipa que recebeu incentivos para ganhar ou perder) vai noticiá-la? Um jornalista que acaba de perder 500 euros porque não acertou num resultado conseguirá a isenção suficiente para escrever a crónica desse mesmo jogo?

Quanto à questão concreta, não acho que haja incompatibilidade entre dar notícias sobre futebol e apostar no resultado de um jogo.

Se é fácil medir a hipotética influência de um jornalista financeiro no mercado através de informações falsas ou especulativas, no futebol é praticamente impossível fazê-lo pois as variáveis envolvidas são em número muitíssimo maior.

Não sei as respostas às questões especulativas. Sei que além dos eventuais travões (como o caso do Expresso que ele cita e eu desconhecia) há regras deontológicas que se espera que um jornalista cumpra, que são a sua bússola.

E há a honra.

Conheci dezenas de jornalistas da área desportiva (onde comecei a carreira a sério) e raros entre eles eram puros no sentido do clubismo – mas nunca vi um deixar de dar uma notícia ou informação por causa do seu emblema. Pelo contrário, assisti em inúmeras ocasiões a um jornalista conseguir cavar a informação mais fundo na cadeia clubista exactamente por… ser tido como “amigo”, cabendo-lhe depois gerir meticulosamente a coisa. Nuns casos publicando sem nome, noutros mais numerosos passando a informação ao colectivo da Redacção.

Alguns dos “monstros sagrados” (ter trabalhado num jornal dsportivo deixa marcas indeléveis ao nível do uso do lugar comum…) do jornalismo do futebol apostavam no então totobola – e nunca soube de algum acertar no treze. Aliás, basta ver as listas de apostas públicas, como a da secção de Desporto do Expresso, para observar quão maus são os jornalistas a apostar :)

Não sou advogado da classe ou do seus indivíduos, isto é apenas uma pista para quem procure as respostas às perguntas do João Paulo.

E ainda há a ética.