Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de novembro de 2005

A fraqueza da presunção

A FRAQUEZA DA PRESUNÇÃO. O senhor Luís Delgado impressiona-se com facilidade. Está no seu direito. É livre de o escrever na sua crónica diária, presumo até que lhe paguem precisamente para isso, para escrever sobre o que o impressiona. Só não acho tão bem — para não escrever que considero de uma extraordinária presunção –, que Delgado escreva em nome de quem ainda não lhe passou procuração. Caríssimo senhor, enxergue-se: as imagens de sábado passado, que simbolizam com profundidade os diversos atrasos de Portugal, não impressionaram toda a gente. E se algma coisa lá houve de inédito, só foi vislumbrável por si, pelos católicos recentes e pelos aproveitadores políticos da fé alheia. A mim, ex-católico com quilómetros de procissões nas pernas e actual ateu não-praticante, não me impressionaram rigorosamente nada, já vi muito maior e decididamente melhor. Portanto, peço-lhe que reescreva a sua crónica de ontem n DN. Ou, no mínimo, não volte a fazer fé em si próprio, porque é manifesto que não tem o mínimo de sensibilidade para perceber as tendências sociais.