Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

29 de dezembro de 2006

A maior desgraça de 2006

Ser ao mesmo tempo e em simultâneo do FC Porto e de direita foi a maior desgraça de 2006, conforme comprovei no barbeiro citado no post anterior (De Pinto da Costa e Carolina Salgado). Quando a anedota foi contada ao cliente portista, assistiu-se a um triste espectáculo em três actos.

Primeiro acto, o homem ficou sério. Não interessava se era uma anedota tão óbvia tão óbvia tão pacóvia tão óbvia mas tão óbvia, a verdade é que se sentiu lesado no seu portismo (por estes desgraçados dias confundido com pintodacostismo, embora sejam coisas muito, mas muito, mesmo muito diferentes). Reagiu ofendidíssimo, mais papista do que o papa (alusão óbvia, hoje acordei assim, pior da minha hipertextualidade aguda, nada a fazer). Reagiu mal. O rosto inchava enquanto ele procurava resposta à altura (isto é: mais baixa que o Micolli, e que encontrou como veremos no próximo post) eu via pelo espelho e aguardava o momento em que o sujeito iria explodir.

Segundo acto (desvalorizando o livro): “gostava de ver se as vossas mulheres pusessem a boca no trombone sobre as vossas flatulências“, “isso não passa de roupa suja de casal“, e (esta fica reservada para o próximo post).

Terceiro acto e final, levando a plateia ao delírio: “estas coisas só servem para desviar a atenção do povo dos grandes problemas nacionais e do que anda a esquerda a fazer no Governo“, disse o cliente todo contente.

Pateada geral: “nós aqui não somos do Governo“, “eu quero lá saber que a gasolina vai aumentar, está sempre a aumentar!“, “o que é que uma coisa tem a ver com a outra?“, “como se eu não soubesse como isto está” e outras frases semelhantes. E eu a pensar, pobre sujeito, não lhe bastava ser do FC Porto, ainda tinha de ser de direita.