Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de maio de 2005

A marca do tempo

O tempo tem a sua inexorável marca. A extraordinária diáspora da blogosfera portuguesa nos últimos dois anos deixou pelo caminho alguns dos históricos, hoje enovelados nas listas de referenciação entre zizis e zazás.

A evolução é curiosa: calculo que aqui n’(o vento lá fora)* restem menos de 10 por cento dos leitores dos primeiros tempos; não tem só a ver com o crescimento (de 800 visitantes diários em Maio de 2004 para 1800 este mês), há uma renovação de leitores, perceptível nos comentários, nomeadamente; calculo que mensalmente um décimo dos leitores deixa o blogue, que conquista outro tanto e um pouco mais, nessa constante renovação.

Outro dado curioso da evolução, senti-o hoje ao consultar as estatísticas. Há dois anos, e até há um ano, uma episódica menção no Abrupto valia umas centenas de visitantes a mais durante um ou dois dias; agora, vale umas dezenas.

A marca do tempo faz-se sentir também aqui.

A blogosfera escrita por portugueses tem tido, desde 2003, uma divergência evolucional face à congénere americana. O fulanismo, ou o umbiguismo, que de resto é característica bem portuguesa, levou a uma grande densidade opinativa e a uma rarefacção informativa. De saudar as notáveis excepções, como o blogue Hollywood, hoje líder de audiências. O que representa alguma coisa, mas não tanto quanto se poderia pensar: a percentagem de “falsos-leitores”, isto é, todos aqueles — humanos e bots — que chegam a um blogue vindos de uma pesquisa nos motores, é neste caso maior. O Hollywood tem uma elevada percentagem desses não-leitores, sobretudo os de outras línguas, atraídos pelos nomes de estrelas cinematográficas (só 10% dos requests do Hollywood foram feitos directamente, contra, por exemplo, 46% no meu blogue).

Apesar disso, o Hollywood tem uma vantagem, recompensada pelos leitores: é um blogue eminentemente informativo, transpontando para Português noticiário (comentado por um autor sensível e eficaz) que de outra forma teria de ser lido em Inglês. Uma excepção numa blogosfera de cariz marcadamente fulanista.