Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

8 de outubro de 2005

A Marktest não faz, sequer, ideia do que "estudar"

A MARKTEST NÃO FAZ, SEQUER, IDEIA DO QUE DIZ ESTUDAR. Há quem pague para a Marktest produzir estudos como este. Nem vou discutir os números (um macaco a girar uma tômbola teria aos meus olhos a mesma credibilidade) porque o que mais me impressionou foi o amadorismo confrangedor revelado na apresentação dos “resultados”. Confunde um alojamento de fotoblogues com blogues individuais, misturando tudo no mesmo saco, não é sequer capaz de discorrer que o mesmo nome registado em três top level domains não representa três entidades diferentes, mas sim uma entidade única e acha que fornece as três posições de topo de uma tabela (até um estudante da primária — muitos deles já com fotoblogues alojados naquele servidor — saberia fazer a distinção).

Segundo o “estudo” Janeiro foi o mês que mais atraiu os bloggers, referindo-se obvia e erradamente aos autores e não aos leitores quando era suposto estar a “estudar” estes. Os medidores presentes nos blogues apontam todavia para Fevereiro ou Março como os meses com maior poder de atracção (de unique visitors). Aliás, o gráfico do citado “estudo” apresenta uma curva semelhante às demais — se lhe adicionarmos um mês à contagem. I.e., se pusermos Fevereiro no lugar de Janeiro a curva fica parecida com as já conhecidas do mercado.

Consegue dizer que o Afixe foi o terceiro mais acedido com 77.000 unique visitors no período entre Janeiro e Setembro; como se pode observar aqui, só em Fevereiro o Afixe teve 45.000! E quase triplicou esse número em Setembro. Mesmo no contador externo Sitemeter o Afixe regista números superiores em mais de dez vezes ao “estudado” pela Marktest. Que ignora blogues com maior audiência que o Afixe, como a GLQL, e o Abrupto que papa acima dos 77.000 AO MÊS! Ou o Blasfémias, que supera o Afixe em 300 visitors diários segundo o Sitemeter.

Medir audiências (e, já agora, influências, o que é completamente diferente mas porventura até mais relevante) na web é espinhoso e as novas distribuições de conteúdos por XML e outras tecnoloigias ainda vieram baralhar mais o cenário. Todos sabemos disso e procuramos a fórmula. Todos menos a Marketest, que não faz a mais pálida ideia sequer do que está a “medir”, quanto mais como medi-lo.