Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de maio de 2006

A obsessão

Curiosamente, para um movimento que se declarara inimigo da burocracia, a Globalização revelou-se um sistema devotado aos sistemas. Forma sobre o conteúdo, o case study, admiração pelas competências abstractas dos especialistas estruturais, desconfiança dos práticos capazes de se adaptarem a realidades particulares. Em vez da paternidade oferecida por Hayek, Friedman e uma multidão de economistas neo-liberais e ferrenhos do comércio livre, o coração da teoria assenta – entediadamente- sobretudo em dois elementos administrativos: gestão e minimização do risco. O terceiro elemento tem sido a obsessão com a acumulação de riqueza por oposição à competição, inovação e produção. A revolução da Globalização tem sido a asserção de que o sector privado é uma forma mais eficiente de lidar com as estruturas do que a gestão pública e a convicção de que a acumulação de riqueza deveria substituir o novo investimento, o risco e o crescimento” (John Ralston Saul em The collapse of globalism and the reinvention of the world (na Amazon), erros de tradução da minha responsabilidade.)