Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de fevereiro de 2007

A rede de blogs ou como NÃO escrever um post

O Carlos Andrade descobriu hoje a pólvora. Ou terá sido a roda? Hum… acho que descobriu que foi o último a descobrir — e isso irritou-o. Mas o que eu acho é irrelevante ao lado do que ele acha.

Que Carlos Andrade se irrite, é lá com ele. Que fique com uma dor de cotovelo tão grande, mas tão grande que escreve um post totalmente cego, é algo que apela à nossa piedade. Piedade, porque o Carlos Andrade como técnico competente e dos raros com trabalho apresentado, tem direito a um momento mau.

Como não me perguntou nada, não vou responder-lhe, e muito menos confirmar ou desmentir as afirmações dele. O que lamento é mais um exercício do que podemos esperar do tal de “jornalismo do cidadão”: um post que tece umas considerações e apresenta umas conclusões com base na intepretação do que o Carlos julga serem os factos, ficando todo contente com as deduções que fez.

Carlos diz que esperava um anúncio. E depois “viu” num post meu o anúncio, mas não era o anúncio que ele esperava. (Valerá a pena dizer-vos que não fiz o anúncio que Carlos leu?)

Carlos recorda que em Setembro eu colocara um anúncio (esse sim, eu escrevi) a pedir bloggers. Pensou, mas como nunca mais teve “novidades…” (respeitáveis reticências dele).

Carlos visitou o Naweb2 e “rapidamente percebeu” que o autor é o Ricardo, assim como quem faz uma descoberta sherloquiana entre o café e o bagaço. Quando tudo o que é necessário é saber ler e consultar a página sobre, com link bem visível no cabeçalho e disponível em qualquer página do blogue. Normal mais normal não há.

Normal — é o que o Carlos acha de se montar um rede de blogues. Ainda bem (para ele). Deu-se até ao trabalho de informar os leitores dele ter descoberto graças aos seus enormes talentos para fazer um whois que eu sou o mentor dessa rede (elementar, meu caro Watson), como se eu fosse o único capaz de montar uma rede.

Carlos juntou estas peças todas e conclui que eu formei uma rede de blogues. Muito bem. Dá-se até ao luxo (isto um gajo como o Carlos sabe imenso destas coisas, ‘tão a ver) de afirmar que eu pretendo “replicar o que Jason Calacanis fez” e estou “a criar uma rede de blogs á semelhança da Weblogs, Inc.”.

Devo repetir nesta altura que Carlos não me perguntou nada; o que ele diz sobre o que eu estou a fazer e como, é uma afirmação que só o vincula a ele. Leiam-no por vossa conta e risco.

Ele até acha que “faz sentido”, o que é espantoso. O Carlos Andrade é pessoa tecno-letrada o suficiente para saber um pouco mais que isto. Suspeito, portanto, que não quer abrir o jogo todo com os leitores dele. Ele lá sabe porquê.

Depois, vêm as “acusações”. O Carlos Andrade acusa-me (!) de ter “omitido a verdade”. Não explica que verdade, nem que razão ou direito me vincula à respectiva divulgação. O que o Carlos Andrade “explica” é isto:

1. eu “referi discretamente” (primeiro crime) dois “novos” blogues (aspas dele prefigurando o meu segundo crime: os blogues não são novos, começaram, imagine-se, em 3 de dezembro do ano passado, são antiquérrimos!), que “por esquecimento” (aspas dele, citando-me) não faziam ainda parte da minha blogroll;

2. o terceiro crime é que tudo isto (eu ter-me “esquecido” de colocar dois blogues “novos” na minha blogroll) é uma “grande treta, para não dizer outra coisa”, pois sou eu a principal parte interessada. Jurisprudência! Jurisprudência! A partir de agora, as partes interessadas não podem ter links para os blogues em que são partes interessadas, a menos que façam declaração de interesse prévia! Ó Carlos, vai exigir também assinatura reconhecida? Olhe o Simplex, homem!

Se Carlos fosse realmente bom, teria verificado os restantes links da minha blogroll. Recomendo-lhe que o faça.

A seguir, Carlos Andrade mete-se por onde não deve. Faz afirmações gratuitas, umas, e falsas, outras. Como não me perguntou nada presumo que não quer saber, pelo que não me incomodarei a explicar which is which.

Termina metendo os pés pelas mãos, provando que o dia lhe estava mesmo a correr mal. Se calhar é só ele, mas “no mínimo, falta um grande disclaimer com explicação anexada”. Não se percebe o que Carlos quer: que eu, o presumido autor desta série de crimes e ilegalidades, explique tim tim por tim tim o que estou a fazer? Lhe explique (com desenhos, se for preciso), ou que explique à saciedade? Faça uma declaração prévia sobre as actividades que pretenda prosseguir nas próximas semanas, meses, quiçá anos?

E chegámos ao grand finale, um pouco baralhado mas os leitores dele não notarão (afinal, trata-se de dar porrada no Paulo Querido, o que é gáudio garantido para uma certa rapaziada que paga bilhete para assistir). Pergunta Carlos: “será mais vantajoso passar estes blogs e outros como amadores do que pertencentes a uma rede de blogs remunerados?” A resposta, triunfal, não se faz esperar: “quer dizer, se é, agora deixou de ser, mas por outro lado também ganha uns hits daqui. ;)

Pergunta: o Carlos ganha a medalha por ter “exposto” ou “revelado” o TSdPQ, Terceiro Segredo do Paulo Querido? Peeeemp, wrong. Já se mencionou antes e por mais de uma vez, na blogosfera, a rede tratada no post do Karlus Andrade e até a sua designação, TubarãoEsquilo. Eu próprio, neste meu espaço, no dia 29, fiz uma dupla alusão, com link.

Pergunta: o que vai na cabeça de uma pessoa que começa por dizer que faz sentido criar uma rede, explorá-la comercialmente e dividir as receitas, em seguida afirma ser irrelevante tornar ou não pública essa informação, depois acusa de pregar uma “grande treta” e de “omissão da verdade” a pessoa que decide apontar como mentora baseada em pistas e sem confirmar nada (*), porque essa pessoa não “anunciou” ou “anunciou de uma maneira que de todo não esperava” e acaba a tergiversar sobre se os blogues são amadores ou deixam de o ser, e se devem ou não ser apresentados como tal ou espera, talvez não, quem sabe?

(*) Serei eu o mentor? Ou apenas um testa-de-ferro? Veja lá. Serei eu sozinho? Ou apenas a ponta visível de uma grande organização multinacional? Verificou quantos domínios foram criados por mim? Terá ideia de que são para cima de uma centena? Será que pertencem todos à rede? E os outros links da minha blogroll, são todos meus? Ou vou comprá-los? Terei interesses em mais alguns? Em Espanha? Brasil? Ou (esta é muito karlus) estenderei as minhas actividades por redes de blogues também sob disfarce? Afinal, quem é o Paulo Querido e quantas redes de blogues explora ele, hein?!? Vamos lá a saber!